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Morreu Mário Soares, que não acreditava na eternidade mas fica na História

Nasceu num país muito maior, numa cidade mais pequena, numa freguesia que já não existe, sob um regime que se impôs a outro e que, com a sua ajuda, também já ficou no passado. Nasceu num mundo muito diferente. É o resultado de ter vivido quase um século. Mário Soares morreu este sábado, aos 92 anos de idade e mais de sete décadas a fazer política

Este rapaz já não é Gigi, a partir de agora chama-se Mário.” E assim, aos 11 anos, foi emancipado por João Lopes Soares. Até aqui, tivera pouco convívio com o pai. A ditadura militar não admite oposição, quem a desafia vai preso. Mário Alberto Nobre Lopes Soares herdará do pai a parte visionária e sonhadora e da mãe o sentido prático de camponês, o falar franco, às vezes desabrido — ele próprio o dirá.

Perder o nome carinhoso pelo qual o tratavam em família não o perturbou, o que o pai lhe revelou de seguida é que o “chocou psicologicamente”. Contou-lhe que fora padre e só conseguira ver-se livre dos votos religiosos quando Mário tinha oito anos. “Ao princípio fez-me uma grande impressão”, contará mais tarde Soares, dizendo ter ficado constrangido mas, “curiosamente, acabou por digerir bem o caso”. Seria sempre assim.

“Nunca tive problemas de soçobro. Isso é que não tive. Nunca tive depressões. Eu sou simples: não sou vaidoso, não estou sempre a posar para alguém, digo aquilo que penso, não quero fazer passar gato por lebre”, contou à jornalista Anabela Mota Ribeiro, em 2004.

Na mesma entrevista relembra aquilo que a sua mulher, Maria Barroso, desaparecida no dia 7 de julho de 2015, lhe costumava dizer: “Tu és mais do que simples, és simplista!, não vês a complexidade das coisas”. Soares dá-lhe “um bocado de razão” e uma possível explicação: “O meu espírito é muito racional, não sou dado a desvios místicos, nunca fui tocado pela religião nem pela fé”.

O pai de Mário Soares formou-se em teologia na Universidade de Coimbra e recebeu ordens religiosas, mas nunca terá tido a convicção suficiente, a sua verdadeira fé estava no regime republicano pelo qual lutava. “As minhas ideias vêm do meu pai e dos amigos dele. A minha casa respirava política”, admitirá o filho.

João Lopes Soares tem 46 anos quando Mário nasce. É o seu segundo. Há 17 anos, teve um filho de uma ligação “em pecado”, ao qual deu o apelido e batizou Tertuliano. Nessa altura, era capelão militar em Alcobaça. Depois foi professor, autor de compêndios escolares, continuando republicano, da fação de Afonso Costa, sempre metido em movimentos que lhe valerão cadeia e exílio. Tal pai, tal filho.

DOIS ANOS ANTES DA CORTINA NEGRA

Nascido em Lisboa, na freguesia de Coração de Jesus, pelas 18h15 do dia 7 de dezembro de 1924, um domingo, “o bebé Mário surgia no seio da elite da sociedade portuguesa à época”. O segundo esquerdo do 163 da rua Gomes Freire “tinha até telefone, então um raro privilégio numa habitação particular”, como escreve Joaquim Vieira em “Mário Soares uma vida”.
É um tempo conturbado. Cá, os governos caem sucessivamente, o último tomara pose a 22 de novembro e só durará até fevereiro. “Há injustiças monstruosas, não para os grandes, para os que podem pagar, mas para os pequenos, para os que vivem miseravelmente do seu dia-a-dia”, lê-se no “Diário de Lisboa” de dia 8. No vespertino concorrente, “A Capital”, debate-se o problema da dívida do Estado ao Banco Nacional Ultramarino e o desemprego. A melhoria cambial começa a fazer-se sentir, mas “os industriais preparam-se já para fazer baixar os salários, se bem que o preço dos géneros não corresponde a qualquer baixa”.

Lá fora, os ingleses tomam precauções para evitar atentados dos extremistas egípcios contra o governo, os alemães votam nas legislativas e reduzem a presença comunista a metade, anulam praticamente os ultranacionalistas, e dão a maioria dos votos aos partidos Socialista, Democrático e Nacional. Em França, andam preocupados com os “agitadores” estrangeiros a quem chamam “comunistas”, em Itália o ditador Mussolini goza da moção de confiança aprovada no Senado. E Espanha, que já vive sob a ditadura do primo de Rivera e está em guerra no Norte de África com a República do Rife, bombardeia Marrocos.

Mário Soares com dez anos, quando morava e estudava no Monte de Estoril

Mário Soares com dez anos, quando morava e estudava no Monte de Estoril

DR

Mário Soares nasceu dois anos antes de “o fascismo descer como uma cortina negra sobre a vida nacional”, como se referia ao regime que abriu caminho ao Estado Novo, a constitucionalização da ditadura que subjugará o país até 1974. Na altura do golpe militar de 1926, seu pai, “republicano afonsista, anticlerical, radical mas tolerante”, foi demitido do Conselho Superior de Finanças, onde era vogal, e atira-se à luta que já tivera no tempo da monarquia pela implantação da República.

João Soares entra na primeira revolta de fevereiro de 1927 contra a ditadura militar e é preso. “Nunca mais esqueço na vida de a minha mãe ter começado a chorar, ela que nunca chorava, a dizer ‘temos de ir a Peniche, que o teu pai vai hoje partir para os Açores’. Fomos de carro, chegámos lá e vi o barco. A minha mãe desesperada, o meu irmão e eu, tinha menos de dez anos, vimos o meu pai a ir para os Açores, não me posso esquecer.”

Nos primeiros dez anos de vida, Mário Soares teve sobretudo a companhia da mãe, que tem 36 anos quando ele nasce. Também é o segundo filho de Elisa Nobre Soares, por isso conta com outro irmão mais velho, com 17 anos de idade. Elisa, natural de Pernes, explorava com o marido uma pensão na rua Ivens, em Lisboa, onde João Lopes Soares se hospedou a seguir à implantação da República. E onde se apaixonaram.
Por amor a João, um homem charmoso, ao que parece mulherengo, Elisa pegou no filho Cândido e mudou-se para a Gomes Freire, que transformará no seu reino, já que “é ela quem manda em casa”. Era uma mulher “de trabalho, de poucas letras, mas inteligente, sólida, enérgica, com quem se podia contar”, dirá seu filho Mário à jornalista Maria João Avillez para o livro “Soares, ditadura e revolução”.

A DITADURA FÊ-LO POLÍTICO

A mudança política no país vem mudar em muito os seus primeiros anos de existência. E uma boa parte do resto da sua vida, mas detenhamo-nos na primeira fase, muito menos conhecida. “Se tenho vivido numa democracia inicialmente, podia ter sido advogado, escritor, jornalista”, dirá.

O pai “aparecia como uma figura mítica, nos sítios mais estranhos, para eu o poder ver e para ele me poder ver a mim”. Num domingo de Páscoa, ainda Mário não tem três anos quando se senta ao colo do pai no jardim do Campo Grande para tirar uma fotografia. “Lembro-me de ter andado com o meu pai no Campo Grande, no lago, estava ele fugido e usava um nome de empréstimo (que me obrigavam a repetir): senhor Araújo, africanista em férias”, recordará.

Quando aos sete anos entra na escola primária, já esta foi “limpa” dos manuais que João Soares escrevera após a implantação da República. E já o pequeno Mário tem na lembrança as visitas ao pai, no forte de São Julião da Barra e na prisão do Aljube, que no século XIX era para mulheres e no XX é clausura de presos políticos.

O novo regime censura tudo o que não seja da sua lavra, todavia, Mário terá outra educação ao frequentar a escola “Bairro Escolar do Estoril”, um projeto inovador criado em 1928 por seu pai e pelo amigo deste João de Deus Ramos, filho do pedagogo e poeta João de Deus.

Nessa altura, mora no Monte Estoril e vai ser mais uma vez privado da presença do pai, que é preso por se envolver na revolta sangrenta de 26 de agosto de 1931, a penúltima contra a ditadura. João Soares é de novo deportado para os Açores: da primeira vez permaneceu na ilha Terceira pouco tempo, conseguiu fugir; desta tentará o mesmo, em vão.

Mas Mário não sofrerá tanto com a distância, já que seu pai “está presente nas conversas em que há em casa”, e mal aprende a ler e escrever com ele troca correspondência – “Quero carta tua em todos os barcos que venham para os Açores”, escreverá o preso numa carta, na mesma que rematou com “milhões de beijos, adeus”.

Só volta a ter o pai em casa pelo ano de 1935, quando este funda outro colégio, o Nun’Álvares, perto da Malveira. Uma experiência falhada que acaba por levá-lo a criar em Lisboa o Colégio Moderno, no Campo Grande, primeiro com o nome “Pensionato Moderno” e que se revelará um êxito quanto ao ensino inovador e longevidade do empreendimento.

A família Soares em 1940

A família Soares em 1940

DR

Mário beneficiará desse ensino, porém, será sempre um aluno medíocre, segundo o próprio. Nunca chumbou, mas as notas raramente ultrapassaram os 12 a 13 valores, só no 7.º ano do liceu quebrou a tendência que se manteria pela universidade.
“Em Letras tive aqueles desaires todos, Direito fiz de seguida porque só ia lá fazer exames”, recordará. Os “desaires” são as prisões sucessivas de que será alvo e que continuará a ser depois de deixar a universidade e que acabarão por o obrigar ao exílio. Não deixa de se licenciar em Ciências Histórico-Filosóficas, no ano de 1951, e em Direito seis anos depois.

“Mesmo como advogado, achava-me mediano, sempre achei. Tinha alguma capacidade de falar em público e de convencer as pessoas, tinha facilidade de me dar às pessoas, de me relacionar.” Quando era pequeno, o pai punha-o em cima de um banco e dizia-lhe: “Faz lá um discurso”. São essas capacidades, mantidas até ao final da vida, que o farão um “animal político”.

DE GIGI A DANTON

É ainda no Colégio que assume o seu lado antifascista. Contribuem para isso, além do pai, claro, três professores do 7.º ano: Álvaro Salema, Álvaro Cunhal e Agostinho da Silva, que João Soares contrata para lhe dar explicações, já que aquele não podia dar aulas por ter sido expulso do ensino.

“O Agostinho da Silva perguntou ao meu pai: ‘De quê é que quer que eu dê explicações ao seu filho?’, ‘Cultura geral, o rapaz está muito pouco interessado pelas coisas, só pensa em jogar futebol, dizer asneiras, é insubordinado’.” O filósofo chama-lhe “Danton”, um dos heróis da Revolução Francesa.

Tem 17 anos quando prova a primeira passagem por uma esquadra, desta feita só por umas horas. Foi detido por assistir a uma sessão de música gregoriana comentada pelo maestro e compositor Fernando Lopes Graça.

Mário Soares com um grupo de colegas em 1941

Mário Soares com um grupo de colegas em 1941

Dois anos depois de entrar na Faculdade de letras, em 1944, numas férias nas Caldas da Rainha, estreita a ligação ao PCP, distribui panfletos, fala de cultura política em curtos improvisos para pequenas audiências. Numa reunião clandestina na Costa de Caparica, é eleito para a direção académica de Lisboa das Juventudes Comunistas.

Estreia-se a discursar publicamente em maio de 1945, dia 9, de uma janela do primeiro andar da Faculdade de Ciências de Lisboa, na rua da Escola Politécnica. Acabara a guerra, a segunda mundial, é tempo de celebração, por isso, Soares fala que se deve interromper as aulas. E os estudantes juntam-se aos milhares de pessoas que se encontram no largo do Rato para rumar até às embaixadas dos EUA, da Grã-Bretanha e de França.

Já no dia anterior se soubera que a Alemanha fora derrotada e Soares, que clandestinamente andara a promover os ideais dos aliados, distribuindo bilhetes para documentários ingleses e americanos, provocara a interrupção de uma aula para se formar um cortejo comemorativo até ao Chiado. Aí, tem o segundo encontro com a colega de faculdade Maria Barroso, que conhecera em dezembro, após as férias nas Caldas.

Em 1946, é preso pela primeira vez, em agosto, um mês depois de ser eleito para a comissão central do Movimento de Unidade Democrática. Vai parar à cadeia juntamente com os outros signatários dos documentos “O MUD perante a admissão de Portugal nas Nações Unidas” e “Portugal fora das Nações Unidas”.

Inicia-se assim um largo período de vida entre a rua e a cadeia. É durante a frequência na prisão do Aljube, a 22 de fevereiro de 1949, que se casará com Maria Barroso, mãe dos seus dois filhos, mulher da qual só a morte o afastou. “Hoje perdi a coragem”, disse Soares no dia do funeral. Foram 66 anos de uma vida de luta em comum, por ele não se saberá muito mais do que isto, “não gosta de falar de coisas íntimas” e considera o amor uma delas.

SAÍA DA CADEIA, ENTRAVA NA CADEIA...

Há de ser preso doze vezes pela PIDE, uma vez deportado para S. Tomé; coragem era coisa que nunca perdera, tanto em jovem como já nos seus 80 ou 90 anos de idade. E isso o demonstrou pelos escritos, pelos ditos e pelas ações, como, por exemplo, quando apelou à revolta na Aula Magna, durante o Congresso das Esquerdas, em 2013, ou nas visitas ao antigo primeiro-ministro José Sócrates na prisão de Évora.

“Nunca achei que a política fosse mais importante que outras coisas. Fui um pouco político à força. Fui político porque não podia viver na ditadura. Era uma incompatibilidade física. Não era possível viver num regime como aquele, em que uma pessoa para conseguir alguma coisa era preciso ser subserviente”, dizia.

“Nos anos 48, 49, quando estava preso, a minha mãe, com o seu espírito prático, foi lá levar um tacho de metal com arroz, um arroz de bacalhau de que eu gostava, e disse aos polícias: ‘Embrulho isto num jornal para guardar o calor, não tirem o jornal, ou vejam agora que não está lá nada dentro’. Era o jornal do dia, e então li o ‘Diário de Notícias’ do dia em que, calcule você, o Caeiro da Mata assinou em nome de Portugal o Pacto do Atlântico”, contará Soares a Anabela Mota Ribeiro.

Ao contrário do que se poderia esperar (facto que não se verificou apenas com Soares), as sucessivas prisões acirravam-lhe os ânimos. “Eu saía da cadeia, entrava na cadeia. Comecei a ser politicamente conhecido. Os amigos do meu pai, tudo gente do reviralho, republicanos, alguns socialistas, alguns monárquicos, gostavam imenso de mim porque achavam que eu era um tipo que levava o facho. E não se importavam nada que fosse comunista. O meu pai chamava aos comunistas ‘os teus camaradinhas’”, contou em 2004.

Em 1949 abandona o Partido Comunista e quatro anos depois, com outras figuras da oposição ao regime salazarista, funda a Resistência Republicana Socialista. “Nunca fui um comunista propriamente dito, no sentido de acreditar no comunismo como uma religião…”

Mário Soares, no dia em que se iniciam os trabalhos da Assembleia Constituinte, a de junho de 1975

Mário Soares, no dia em que se iniciam os trabalhos da Assembleia Constituinte, a de junho de 1975

DR

PRIMEIRO LÍDER DA OPOSIÇÃO A REGRESSAR A PORTUGAL

Mário Soares sobe na escala das figuras incómodas ao regime. Quer liberdade, fala como se a tivesse, conspira, defende gente “subversiva” nos tribunais plenários, onde se dão sentenças políticas. A gota de água foi o mês de abril de 1970, que não termina sem a Direção-Geral de Segurança (a sucessora da PIDE) lhe abrir um processo por andar a difamar Portugal no estrangeiro, especialmente a sua política colonial, e pela “tentativa de separação de parcelas do território português da mãe-pátria”.

Da Europa aos Estados Unidos, denunciara a violação dos direitos humanos em Portugal. A polícia política não lhe dá descanso, Soares vê-se obrigado a fugir. Instala-se em Paris em 1971, e não se cala sobre a ditadura que impede que muitos outros portugueses vivam no seu próprio país e maltrata quem fica.

“Fui secretário do Norton de Matos, em 1949, depois fui do Humberto Delgado, mas não tive grande importância na candidatura do Humberto Delgado. Se o Estado tem caído numa outra altura, não era eu que tomava a dianteira, eu ia na onda. Por acaso caiu quando eu tinha 49 anos.”

Será porventura demasiada modéstia. Soares nunca baixou a guarda, aos 48 anos fundara o Partido Socialista, nos arredores de Bona, ainda República Federal Alemã, e fora eleito seu secretário-geral.

A Revolução de Abril de 1974 encontra-o exilado em França há três anos. É o primeiro líder da oposição a voltar ao país. Regressa para ser aquilo que se sabe, sem se incomodar com as derrotas. Dirigente socialista, duas vezes primeiro-ministro, duas vezes Presidente da República, autor de livros e de um sem número de artigos, polémico, é ativista político até ao fim.

Um dos últimos olhares para os jardins do Palácio de Belém. A despedida de uma Presidência que durou dez anos

Um dos últimos olhares para os jardins do Palácio de Belém. A despedida de uma Presidência que durou dez anos

Rui ôchoa

A dada altura, o próprio pensou que ia parar, mas não passou de um momento de melancolia. Foi em março de 1996, está a terminar o segundo mandato no Palácio de Belém. É o último dia, dedica-se a assinar fotos oficiais, como manda o protocolo, e deixa-se fotografar por jornalistas. No dia seguinte, partirá de férias para o sul de Espanha, com a sua mulher Maria Barroso, numa viagem deliberadamente sem rumo.
“Já estou na penumbra” — diz aos jornalistas presentes no seu gabinete de Belém. Está à janela que deita para os jardins, mas de onde se habituou também a ver o Tejo. Foram dez anos a acumular amores e ódios. “Só tenho pena de deixar a magnífica varanda do palácio”, desabafa, depois de lançar um olhar melancólico para a estátua de Afonso de Albuquerque, como contará o fotojornalista Rui Ôchoa, que o acompanhou em muitas das suas inovadoras “Presidências Abertas”.
Como outros textos sobre a sua atividade política revelarão, Mário Soares nunca esteve propriamente na penumbra, aliás, o seu temperamento irrequieto só foi debelado pelas doenças que o envelhecimento lhe trouxe e que obrigaram a internamento hospitalar. Como aconteceu, pela última vez, a 13 de dezembro, seis dias depois de ter completado 92 anos de idade. Vergado pelo “agravamento do seu estado geral”, o antigo Presidente deu entrada no hospital da Cruz Vermelha e já dali não saiu com vida.
Em relação à sua carreira, uma mágoa tê-lo-á acompanhado: “Se tenho sabido inglês, com a capacidade que sempre tive de me relacionar e provocar simpatias nas pessoas, tinha entrado em organizações internacionais e ido muito mais longe do que fui. Disso não tenho a menor dúvida”. Isso não aconteceu em relação ao francês: no seu tempo, assim lhe disse o pai, era a língua mais importante para se movimentar no mundo.
No dia em que lhe perguntaram “se pensar na eternidade, o que é que acha que vai ficar de si?”, a resposta saiu pronta: “Não faço ideia nenhuma e é coisa que me interessa relativamente pouco. Não acredito na eternidade, na imortalidade, na alma. O que fica de mim é um rodapé num livro de História”.

Mário Soares viveu sempre a vida com um grande à-vontade

Mário Soares viveu sempre a vida com um grande à-vontade

Tiago Miranda