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Sociedade

É no 1º ciclo que se fazem mais TPC

marcos borga

Trabalhos de casa causam um “stresse suportável”, mas devem ser reduzidos, defende maioria dos pais inquiridos num estudo

Grande parte dos professores diz que “raramente atribuem” trabalhos para casa. Mas quando se pergunta a pais e alunos a regularidade com que têm de fazer TPC, a resposta mais ouvida é a de que não têm descanso nenhum dia, fins de semana incluídos. Contraditório? Nem por isso se se pensar que a partir do 1º ciclo as aulas são dadas por professores diferentes ao longo da semana e que mesmo que cada um só mande trabalhos de vez em quando, os alunos podem recebê-los diariamente.

As respostas foram apuradas num inquérito lançado por Alexandre Henriques, professor e autor do blogue “Com Regras”, dedicado a temas da Educação, e respondido por mais de 1600 pessoas, a maioria professores e pais. Nesta segunda parte do estudo — na primeira ficou a saber-se que a atribuição de TPC merecia a concordância da maioria, embora fossem considerados excessivos —, as respostas são analisadas por nível de ensino, concluindo-se que é no 1º ciclo (quatros primeiros anos da escola) que os professores mais os ‘prescrevem’. Quase metade (42%) disse atribui-los “entre três a quatro vezes por semana”. Nos extremos, uma percentagem idêntica (13%) divide-se entre o “nunca atribuir“ e o “sempre”.

Já no ensino secundário, cai para metade (21,5%) o número de docentes que dizem passar TPC “frequentemente”. Se a regularidade diminuiu à medida que se avança no nível de ensino, também a complexidade da tarefa aumenta. Um quinto dos pais garantiu que os filhos passavam mais de uma hora a fazer os TPC. Mas a duração média mais referida, sobretudo no 1º ciclo, é de 15 a 30 minutos. No caso dos mais novos, com quase metade dos pais a dizer que “permanece ao seu lado e ajuda”.

A maioria dos encarregados de educação e professores considera que o esforço despendido pelos alunos nestas atividades é “proporcional”. Mas um número significativo de pais (36%) considera “excessivo”, enquanto menos de 5% dos docentes acharam o mesmo.

Esta diferença de perspetivas é evidente também na forma como ambos encaram os TPC. Quase 80% dos professores veem-nos como uma “tarefa natural que não os perturba”. Quem está em casa não tem uma visão tão otimista: 45% dos pais acham que é uma tarefa “exigente, causadora de stresse, mas suportável” e 16% classificam-nos como uma “tarefa desagradável e perturbadora”. O problema é que tem de se somar o tempo que os alunos passam em aulas e que é considerado excessivo por muitos.

No final, todos acabam por estar de acordo e defender que os TPC devem ser “limitados na duração do trabalho diário exigido”. A proibição é defendida por apenas 5% dos docentes e 14% dos pais.