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Crime contra pessoas é o mais comum entre jovens internados

Nos centros educativos há menos jovens ‘presos’ mas crimes são piores: dominam as agressões, como as do vídeo de Almada

Os três jovens que foram filmados a agredir R., de 15 anos, em Almada, têm a mesma idade que ele. E, como menores, vão ser sujeitos a medidas tutelares educativas, a justiça dos sub-16. O Tribunal de Família e Menores poderá decidir entre uma mera advertência até ao internamento em centro educativo, num regime mais ou menos fechado. A medida mais gravosa é, porém, cada vez menos aplicada. De acordo com dados da Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais, entre novembro de 2012 e novembro de 2016, a ocupação dos antigos colégios de correção diminuiu 54%, passando de 263 menores para os atuais 142. Nos seis estabelecimentos nacionais sobram 56 vagas.

O que poderia ser um indicador positivo, esbate-se com a análise dos crimes praticados. Pela primeira vez nos últimos cinco anos — período analisado pelo Expresso —, há mais menores que praticaram crimes contra pessoas do que crimes contra o património. Ou seja, há mais jovens internados por ameaça, coação, ofensa à integridade física, abuso sexual, violação ou rapto, do que por terem cometido roubos, furtos ou danos.

Os 142 delinquentes que estavam internados em novembro de 2016 praticaram um total de 345 crimes, 181 dos quais contra pessoas, 133 contra património, entre outros.

No vídeo de Almada é punível quem agride e quem filma. Atrás da câmara do telemóvel estava a namorada do principal agressor, ex-namorada do agredido. Era a mais velha do grupo. Por ter 16 anos será julgada como adulta.