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Bastonária dos Enfermeiros não revela o hospital onde faltou comida e remédios

Ana Rita Cavaco recusou esta quarta-feira, em audição parlamentar, identificar a unidade hospitalar onde doentes estiveram dois dias sem comida e sem medicamentos. E garante que “a denúncia pública ajudou a resolver alguns problemas”

Continua a não ser conhecido o hospital do Serviço Nacional de Saúde (SNS) onde doentes estiveram dois dias sem acesso a medicação e alimentação. O caso foi denunciado no final do ano passado pela Ordem dos Enfermeiros (OE), mas a bastonária vai manter a instituição no anonimato. Esta quarta-feira, em audição parlamentar, Ana Rita Cavaco escusou-se a revelar o nome do hospital, adiantando apenas que a unidade "não enviou as medidas como prometera".

Aos deputados, a bastonária reconheceu que "a Ordem dos Enfermeiros não deve causar alarme público", mas logo avisou que a instituição "não vai ser conivente com estas situações". A falta de profissionais, com serviços onde existem 30 doentes para dois enfermeiros, e de material nos serviços do SNS "não é caso único" e "a segurança dos doentes está ameaçada", afirmou.

Ana Rita Cavaco fez um alerta aos deputados: "Não peçam milagres aos enfermeiros, porque um dia vai correr mal." Em causa estão, por exemplo, os factos de "um quinto dos enfermeiros estarem em exaustão" e de "o absentismo atingir os dois dígitos".

Ana Rita Cavaco lamentou a falta de profissionais, de material e de organização e, acima de tudo, de acordo entre os deputados para chegarem a um consenso para um pacto na Saúde. A bastonária reconheceu, ainda assim, que tem sido possível dialogar com o ministro da Saúde. "Houve contratações de enfermeiros (em Santa Maria, Portalegre ou Guarda, entre outros); todas as situações de enfermeiros sozinhos num turno que nos foram comunicadas foram resolvidas e também os casos de falta de material básico, como os que aconteceram em centros de saúde no Algarve onde não havia, por exemplo, paracetamol; e todas as semanas dizemos ao ministro onde há rutura instalada de enfermeiros e são precisas contratações imediatas."

Enfermeiros "intimidados"

Sobre o caso em concreto das unidades de cuidados primários algarvias, a bastonária lamentou que os enfermeiros que denunciaram a falta de condições assistenciais tenham sido "intimidados por estarem a cumprir o seu papel". Ana Rita Cavaco revelou que "a OE teve de pôr-se ao caminho e falar com o ministro porque estes enfermeiros estavam a ser alvo de um processo disciplinar pela Administração Regional de Saúde".

Muito critica da atuação dos vários grupos parlamentares, a bastonária da OE recordou que ainda não teve resposta dos deputados e do Governo sobre a proposta de contratação de 30 mil enfermeiros nos próximos dez anos, três mil já em 2017, para que o SNS tenha a qualidade necessária na prestação de cuidados à população. Há 11 meses a liderar os enfermeiros, Ana Rita Cavaco garantiu que "a OE está a ajudar a salvar o SNS". E avisou: "Enquanto bastonária, não vou dar para o peditório da hipocrisia."