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Hospital de Braga é o melhor do país

Rui Duarte Silva

Unidade pública gerida por privados obteve a nota mais alta na avaliação feita pela Entidade Reguladora da Saúde. Os resultados foram publicados online esta terça-feira e abrangem 160 estabelecimentos hospitalares públicos, privados e sociais

Fica a norte a melhor unidade hospitalar do país, pertence ao Estado e está sob a administração do grupo privado José de Mello Saúde. Os dados do Sistema Nacional de Avaliação em Saúde (SINAS) mostram que o Hospital de Braga tem a nota mais alta entre os 160 estabelecimentos públicos, privados e sociais sob escrutínio. Ou seja, "que representam praticamente todo o universo de prestadores com estas características", lê-se na nota explicativa.

O Hospital de Braga, em regime de parceria pública-privada que será reavaliada durante 2017 pelo Governo, obteve a estrela nas cincos dimensões estudadas – excelência clínica, segurança do doente, adequação e conforto das instalações, focalização no utente e satisfação do utente. No caso concreto da prestação de cuidados assistenciais, foi a única unidade que conseguiu ver a qualidade reconhecida nas 14 valências de que dispõe e em oito com a classificação mais elevada, de nível três. Por exemplo, atuação clínica nos casos de enfarte agudo do miocárdio, cirurgia de ambulatório, cuidados intensivos ou partos e cuidados pré-natais.

“Esta classificação vai no mesmo sentido de conclusões de outros estudos já tornados públicos, assim como a recente avaliação do Tribunal de Contas, que considerou o Hospital de Braga como o mais eficiente de todo o Serviço Nacional de Saúde", salienta o presidente da José de Mello Saúde, Salvador de Mello. O responsável acrescenta ainda que “a qualidade do serviço prestado às populações é o principal objetivo enquanto entidade gestora de hospitais públicos" e que este objetivo "só é possível graças ao trabalho exemplar de todos os profissionais”.

Matosinhos em segundo lugar...

Em segundo lugar da tabela está o Hospital Pedro Hispano, integrado na Unidade Local de Saúde de Matosinhos. A unidade alcançou igualmente a estrela nas cinco dimensões estudadas da excelência clínica, segurança do doente, adequação e conforto das instalações, focalização no utente e satisfação do utente; e no caso concreto do tratamento dos doentes recebeu a nota máxima em seis procedimentos relativos às 13 valências que oferece à população. Entre elas, cirurgia de ambulatório, cuidados intensivos e AVC.

...e Gaia-Espinho em terceiro

O Hospital Eduardo Santos Silva, integrado no Centro Hospitalar de Vila Nova de Gaia-Espinho é o terceiro classificado. A estrela pela qualidade dos serviços foi-lhe atribuída nas cinco variáveis estudadas pelo SINAS e na dimensão da excelência clínica mereceu a aprovação em todas as áreas avaliadas (16 no seu caso), embora só três com a nota máxima. Foram os casos da cirurgia de ambulatório, histerectomias (para remoção do útero) e tromboembolismo venoso no internamento.

Ao Expresso, os responsáveis pela unidade sublinharam que o Hospital de Gaia-Espinho é o líder da tabela, pois "nas 16 áreas passíveis de avaliação, teve avaliação de excelência em todas, e, nesse aspecto, foi o único hospital a garantir essa avaliação". Aliás, como já tinha sido registado na avaliação publicada no início do ano. Contudo, o Regulador atribuiu três níveis para essa excelência e a unidade recebeu três 'excelentes mais', ou seja menos do que as outras instituições no pódio.

A avaliação agora publicada pela Entidade Reguladora da Saúde incidiu sobre episódios de internamento com alta entre 1 de janeiro e 31 de dezembro de 2015. Do total de 160 prestadores abrangidos, 79% (127) foram alvo do escrutínio do Regulador e 111 (97%) mereceram a estrela pela qualidade assegurada. Ainda assim, só 68 instituições hospitalares conseguiram pontuar com estrela nas cinco variáveis avaliadas. A excelência é uma dessas dimensões estudadas e com pontuações bastante mais modestas.

Os autores destacam o esforço que tem sido feito pelas equipas hospitalares. "Verificou-se uma melhoria nos resultados médios em alguns dos indicadores de processo associados a diferentes áreas cirúrgicas, nomeadamente nos relacionados com a seleção, administração e interrupção da antibioterapia profilática dentro do período preconizado", da máxima importância na batalha contra as bactérias multirressistentes. "A estabilidade do sistema é uma das suas mais-valias, tendo-se verificado um aumento gradual do desempenho médio em alguns dos indicadores de processo avaliados, alguns dos quais já com patamares elevados de cumprimento de boas práticas (entre 90% e 100%) em diferentes áreas como a ortopedia, ginecologia, cirurgia do cólon, cirurgia cardíaca, cirurgia de ambulatório, AVC e cuidados intensivos.