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Uma “embaixada” do design português em Nova Iorque

Carlos Parreira

Há uma nova loja em Nova Iorque que só vende design português. Chama-se “Lusitano 1143” e tem peças selecionadas de “artesãos”

O nome não engana. Uma loja chamada "Lusitano 1143" (a data da fundação da nação Portugal) só pode ser portuguesa. Mas neste caso é portuguesa em Nova Iorque – um pouco a fazer lembrar a canção do Sting... Nasceu pela mão de um português residente em Brooklyn, Carlos João Parreira. Aos 33 anos, e a viver nos EUA desde os 15, este alfacinha concretizou finalmente a ideia que tinha de abrir uma loja dedicada ao 'design' e artesanato luso.

Licenciado em design pela Universidade Kean, em Nova Iorque, Carlos João fez carreira na área da moda, do design e do e-commerce, conquistando conhecimentos vastos sobre estas. Ao longo dos 15 anos em que trabalhou "para marcas de moda e interiores de luxo", conta, "sempre pensei que em Portugal havia design de tão boa qualidade – se não melhor – do que aquele com o qual trabalhava nos EUA. Mas nunca via a presença portuguesa no mundo do 'design' americano. O meu último emprego era encontrar 'design' pela Europa para o mercado americano", acrescenta. "Quando comecei, o produto que eu sabia ser feito em Portugal, por portugueses, estava dentro de uma marca americana. Agora, com a atenção que Portugal está a receber através do turismo por publicações de elite, o mercado de luxo está preparado para aceitar o nosso país como fonte de 'design'", acredita.

Para Carlos, "depois de pensar durante anos, era tempo de fazer". Em setembro deste ano nascia a Lusitano 1143 (www.LUSITANO1143.com), uma loja com peças que ele "teria em casa". A ideia em torno da sua seleção é vender artigos de "artesãos, em vez de marcas", explica Carlos. "Peças que não sejam apenas parte da narrativa portuguesa, mas que a envolvam também". Por enquanto, são nove os artesãos cujas peças é possível comprar no site da Lusitano 1143 – das cerâmicas de Margarida Fernandes às madeiras de Samuel Reis, à tecelagem de Teresa Gameiro e de outros. Obviamente, a tendência é de crescimento, à medida que a loja se torna cada vez mais numa montra do design português na Grande Maçã.

Esta taça com andorinhas, da ceramista Margarida Fernandes, é uma das peças à venda na Lusitano 1143

Esta taça com andorinhas, da ceramista Margarida Fernandes, é uma das peças à venda na Lusitano 1143

Margarida Fernandes for LUSITANO1143

"O meu pai adorava viajar por Portugal, portanto vi muitas tradições pelo país inteiro", conta Carlos. "Fizemos queijo de cabra quando eu era miúdo, com uma senhora simpática no norte, encontrávamos muito artesanato pelo caminho, no centro e nas montanhas, que trazíamos para casa. Fui criado a apreciar as tradições locais e as pessoas que criam com as mãos. O meu pai estava sempre na conversa..." Há muito que este sentido do que é bom e português estava enraízado na mente de Carlos.

Um Decanter desenhado por Samuel Reis, natural de Lagos

Um Decanter desenhado por Samuel Reis, natural de Lagos

Samuel Reis/Vicara for LUSITANO1143

Quanto à receptividade da loja, tem sido "muito positiva", garante. Não adianta números, mas diz: "A minha contabilista está feliz, portanto eu estou feliz". Quem mais compra são os habitantes das "duas costas", Nova Iorque e Califórnia, onde há uma maior "cultura de apreciação do design". A maioria dos compradores são "particulares e decoradores, mas tem surgido interesse por parte de hotéis e outros negócios", conta. O preço é outro dos atrativos – normalmente, peças de artesanato de autor com este nível de "craftmanship" são muito mais caras que aqui. E nos entretantos o 'design' luso vai-se dando a descobrir ao mundo...

Almofada feita por Teresa Gameiro, da Estremadura

Almofada feita por Teresa Gameiro, da Estremadura

Teresa Gameiro for Lusitano 1143