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Combinar luxo e prestações era um sonho antigo de Ferdinand Porsche. Foi preciso esperar muitos anos por um modelo da marca que pudesse transportar toda a família confortavelmente. A primeira geração do Panamera nasceu em 2009. Agora surge renovado e com uma versão híbrida que o jornalista Rui Pedro Reis testou

RUI PEDRO REIS/SIC em Valência, Espanha

Quando a Porsche lançou o Panamera, foi como se assumisse uma maturidade que chega com o passar dos anos. Um modelo que associava uma estética cuidada, conforto e prestações. Podia não ser o mais entusiasmante, mas vinha servir uma clientela muito específica. Os números de sucesso não deixam margem para dúvidas. Em 2013, o Panamera foi alvo de uma renovação, feita de detalhes. Agora, as novidades são muitas e começam logo na estética. Nunca o Panamera esteve tão parecido com o 911. As linhas do mais icónico dos Porsche foram replicadas neste GT. O Panamera tem um perfil mais desportivo com entradas de ar bem vincadas à frente e as linhas do pilar C a remeterem bem mais para a imagem do 911.

Por dentro, o Panamera não desilude. Tal como já acontecia, materiais de grande qualidade e prioridade ao conforto. Há quatro lugares com direito a massagens e a posição de condução é irrepreensível. Os lugares de trás estão divididos e funcionam como dois bancos independentes, tal como já acontecia. A versão que escolhi para a viagem entre Valência e Alicante é também a que tem o interior mais distinto. O Panamera 4 E-Hybrid tem elementos distintos. Desde logo os botões E-Charge e E-Power na consola central e que permitem selecionar dois modos de condução distintos. O primeiro carrega as bateria com recurso ao motor a combustão. O segundo privilegia a utilização do motor elétrico. No velocímetro é indicada de forma pedagógica a utilização de energia e a regeneração. O pedal do acelerador inclui um ponto de resistência, a partir do qual entra em funcionamento o bloco a gasolina.

O melhor de dois mundos

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Steffen Jahn

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Steffen Jahn

Como qualquer Porsche, o Panamera convida a andar depressa. Isso até pode à partida fazer menos sentido num automóvel que aponta mais para o mercado de luxo e, neste caso, com uma componente ecológica. Mas, por outro lado, prefiro uma visão optimista da realidade. Assim, mesmo a carregar no acelerador, poupa-se no combustível e, principalmente nas emissões de CO2. Em ambiente urbano o Panamera E-hybrid faz sentido do ponto de vista ambiental, mas é bom não esquecer que tem mais de 1,90 de largura, o que significa algumas limitações na cidade. Com maior capacidade de baterias, a autonomia também aumentou e com jeito é possível fazer 50km em exclusivo com o motor elétrico. Pode não ser muito mas para a maioria dos utilizadores chega para fazer a deslocação diária de casa para o trabalho. Mas talvez o maior potencial deste conjunto híbrido seja a ajuda que o motor elétrico pode dar numa utilização mais desportiva. Os 136cv do bloco movido a eletricidade juntam-se aos 330cv do motor 3.0 V6.

O resultado é um comportamento dinâmico que de outra forma não seria possível. Até porque, sozinho, este motor a gasolina não tem uma alma de referência para mover as quase duas toneladas do Panamera. Como em tanta coisa, esta união que há uns anos parecia improvável na Porsche, hoje faz todo o sentido. E é para sempre. O construtor alemão já confirmou que a aposta em soluções híbridas plug-in é para continuar. Só que o caminho vai ter como objetivo chegar à melhor performance. A Porsche sublinha que a poupança de combustível e emissões de CO2 não está no topo das prioridades.

Razão e paixão

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Numa marca como a Porsche, a componente emocional está sempre acima da razão, ainda que num automóvel como o Panamera isso possa ser menos evidente. E os números até podem ser pouco relevantes. Como o consumo anunciado de 2,5 litros. Claro que se trata de um valor que implica a utilização total das baterias, ou seja, só cerca de metade dos 100km é que são percorridos com recurso ao motor a combustão em modo híbrido. Quer isto dizer que, numa utilização normal, a tirar alguma prazer do Panamera, o consumo real pode andar na casa dos 7,5 litros. Há que admitir que não é nada mau e que, além disso, a clientela deste segmento não está muito preocupada com ligeiras flutuações no valor dos consumos.

O Porsche Panamera mostra uma vez mais que o mundo continua a mudar. Há sempre a opção de três motores a gasolina onde se inclui o tentador Turbo a debitar 550cv e o tradicional Diesel que tem sempre aceitação no mercado português. Mas é inegável que o E-Hybrid faz todo o sentido.

FICHA TÉCNICA

Porsche Panamera 4 E-Hybrid

Motor
2894cc V6
330cv + 136cv (motor elétrico). Total 462cv
450nm às 1 750 r.p.m. - 5 000 r.p.m.
400nm < 2 300 r.p.m.

Transmissão
Integral
Caixa Automática PDK 8 velocidades

Prestações
278 km/h km/H vel. máxima
4,6s 0-100km/h

Consumos
2,5L/100km ciclo misto
56g CO2/km
51 km autonomia elétrica (urbano)

Preço: 115.300€