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Alerta: parece que começa a haver séries a mais

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84% dos clientes de televisão paga pretendem vir a subscrever contratos de televisão por cabo no próximo ano, ao invés dos 74% que o diziam vir a fazer no inquérito anterior, há um ano. Mais de dois terços dos inquiridos assinalam um estado de “fadiga de conteúdos” face ao elevado número de séries, filmes e programas atualmente disponíveis

Luís Proença

O fenómeno do “cord cutting”, a avolumada e continuada cessação dos contratos de subscrição de televisão destes anos mais recentes, pode estar a dar sinais de abrandamento. De acordo com o estudo da PriceWaterhouseCoopers (PwC) “Videoquake 4.0: Stream Repeat – How Video is Changing Forever”, ao nível das intenções declaradas, as conclusões indicam que 84% dos clientes de televisão paga pretendem vir a subscrever contratos de televisão por cabo no próximo ano, ao invés dos 74% que o diziam vir a fazer no inquérito anterior, há um ano. Em 2016, a percentagem de lares norte-americanos com televisão por cabo estabilizou nos 76%, quando era de 79% no ano anterior.

O relatório da PwC assinala que mais de metade dos clientes (51%) que optaram há um ano por pacotes de televisão por cabo menos onerosos, estão agora afinal a abrir mais os cordões à bolsa todos os meses e a gastar mais dólares no acesso aos conteúdos televisivos. A adesão maciça aos serviços de televisão em “streaming” tem caminho pela frente.

A PwC antecipa que vão continuar como uma adição, mais do que substituição da televisão paga. “A disponibilização de mais e melhores conteúdos em mais formatos pode não significar a morte da tradicional televisão paga, mas sim o princípio de um mundo em que a televisão paga é meramente um entre outros serviços de vídeo para uso dos consumidores”, antecipa o relatório.

Mais de dois terços dos inquiridos assinalam um estado de “fadiga de conteúdos” face ao elevado número de séries, filmes e programas atualmente disponíveis. Desta feita, e na imensidão da oferta, a PwC foi procurar saber como escolher este em detrimento de tantos e cada vez mais outros conteúdos.

Apesar do cada vez maior nível de sofisticação na forma de propor escolhas aos espectadores – “menus inteligentes” municiados por algoritmos que combinam cada vez mais variáveis sobre os hábitos de escolha individuais -, a maioria diz acabar por escolher muito em função das recomendações que lhes são feitas por familiares e amigos, especialmente através dos media sociais, cuja influência na seleção tem cada vez mais peso.

Fadigo de conteúdos

Se nos focarmos apenas nas séries, este ano a indústria televisiva norte-americana bate um novo recorde: 455 séries originais “scripted” (guionadas) foram produzidas e chegaram aos ecrãs através da televisão aberta, televisão por cabo e serviços de “streaming”, informa a FX Networks Research.

Destas todas, 181 foram transmitidas através dos pacotes básicos de televisão por cabo, 36 através dos canais premium (com custo acrescido), 145 através das cadeias de televisão abertas e 93 chegaram aos espectadores através dos serviços de “streaming”, por internet. No ano passado, apenas 45 séries tinham chegado aos ecrãs através de “streaming”.

Apesar da multiplicação de opiniões que emergem no espaço publico tendentes a considerarem que já estamos perante um fenómeno de “fadiga de conteúdos”, a indústria de Hollywood não deixará de corresponder à crescente concorrência entre todos os competem pela atenção dos espectadores e do pagamento da subscrição. De acordo com a análise retrospetiva feita pela Variety com os dados recolhidos pela FX Networks Research, numa década (2006-16), o número de séries de televisão “scripted” cresceu 137%.

Pelo andar da carruagem, no próximo ano, a indústria pode romper a barreira das 500 séries, apesar de ainda ser cedo para tirar essa conclusão, conforme Julie Piepenkotter, executiva da FX à Variety.