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“Este vai ser um Natal 
de otimistas e de otimismo”

A confiança do consumidor aumentou, defende Ana Isabel Trigo Morais, diretora-geral da APED — Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição. E por isso as famílias portuguesas estão mais disponíveis para o consumo nesta quadra natalícia. Mas já não deixam tudo para as vésperas: aproveitando as promoções, antecipam cada vez mais as compras de Natal

Maria João Bourbon

Maria João Bourbon

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Jornalista

Luís Barra

Luís Barra

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Fotojornalista

Embora mais otimistas, os portugueses querem gastar menos dinheiro este Natal, concluiu a Deloitte. Os efeitos da crise ainda se fazem sentir?
Acreditamos que este vai ser um Natal mais otimista, já que as pessoas estão mais disponíveis para o consumo. Há um aumento da confiança do consumidor que o leva a adquirir variadas categorias de produtos. E não podemos esquecer que aquilo que as pessoas dizem que vão gastar fica abaixo do que realmente gastam. A nossa expectativa é que este seja um Natal de otimistas e de otimismo. Os dados do 1º semestre do ano reforçam-no: registou-se um crescimento de 1,8% nas vendas dos associados da APED, com a maior subida a ter lugar no sector alimentar. E dados recentes do INE mostram que no 2º semestre continuará a ser esta a tendência. Nesta altura ainda não podemos avaliar isso, mas acreditamos que o consumidor quer ser neste Natal mais feliz do que foi nos últimos anos.

A tendência dos portugueses continua a ser deixar as compras para os últimos dias, à espera das melhores ofertas?
Temos vindo a assistir a um comportamento diferente. Os consumidores têm vindo a antecipar as compras de Natal e a responsabilidade é dos retalhistas, que começam cada vez mais cedo a falar no Natal e a ‘tentar’ os portugueses com oportunidades interessantes. Mas claro que continua a existir uma grande concentração de compras em dezembro.

Que impacto têm os saldos e promoções nas atitudes de consumo?
Aqui está a maior transformação a que temos vindo a assistir nos últimos anos. Passámos de um modelo de oferta do retalhista centrado em grandes descontos nesta altura do ano para um modelo onde os descontos aparecem durante todo o ano. E os portugueses vão atrás dessa proposta de valor, até porque têm que a compaginar com o seu rendimento que, como sabemos, não tem tido aumentos expressivos. O estudo da Deloitte mostra que 48% das compras que os portugueses dizem que vão fazer no Natal são realizadas a reboque de promoções.

Qual é o peso do mês de dezembro nas vendas anuais?
O único dado rigoroso que tenho é relativo ao retalho alimentar: nas últimas quatro semanas do ano fatura-se 9% do valor anual. Este é um sector no qual as famílias alocam grande parte do rendimento nesta quadra. O Natal é um tempo de convívio e entrega, que se vive muito à mesa, e portanto a maior concentração dos gastos será destinada a esses momentos de família e de encontro.

A tecnologia é também uma categoria em crescimento.
Sim. Na tecnologia as propostas do mercado são tentadoras e há muitos lançamentos — e os portugueses são grandes fãs de tudo o que é novidade. Vamos continuar com ofertas nesta categoria e acreditamos que o produto rei da eletrónica serão os dispositivos móveis — smartphones, tablets, PC e acessórios —, que devem continuar a crescer no Natal. Esta evolução caracteriza também uma tendência de consumo que começa a ganhar maior relevância: o online.

As compras através da internet estão a aumentar?
Apesar de ainda estarmos longe de outros países que são referências nesta matéria, como o Reino Unido, o comércio eletrónico já tem o seu peso e apresenta indicadores muito interessantes — cresce sempre mais, proporcionalmente, do que o retalho e o comércio em geral. Os últimos dados que temos, do INE, mostram que em outubro as vendas online cresceram 4,1%. E temos assistido não só a uma procura maior pelas várias propostas que existem na internet mas também a um aumento significativo de transações online, graças às propostas dos retalhistas e das marcas, à boa infraestrutura tecnológica, à capacidade da rede de entrega ao consumidor e à segurança dos meios de pagamento.

A cara da distribuição

Dá voz a um sector que acredita ser fundamental para os cidadãos. Na liderança da APED desde 2010, Ana Trigo Morais é a cara da associação que representa 131 empresas e 10% da riqueza que se produz no país. Para o sector do retalho levou consigo a bagagem de gestora e as experiências nas administrações do Centro Cultural de Belém e do Teatro Nacional de São Carlos. Ao contrário da maioria dos portugueses, é nas vésperas que faz as compras de Natal. “A agenda da APED leva-me a atrasar as minhas compras e a fazê-las em cima da hora”.