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OMS confirma: vacina contra o ébola tem “eficácia até 100%”

EDDIE KEOGH / REUTERS

Três anos depois do início da mais recente epidemia do ébola, a Organização Mundial de Saúde confirma a descoberta da primeira vacina capaz de prevenir o vírus ébola. Os resultados estão comprovados num estudo financiado pela OMS e publicado na revista “The Lancet”

A vacina experimental contra o ébola “pode ter uma eficácia de até 100%”, anunciou esta sexta-feira a Organização Mundial de Saúde (OMS), na sua página oficial na internet. A vacina, conhecida como rVSV-ZEBOV, é a primeira capaz de prevenir o vírus ébola, de acordo com as conclusões do estudo financiado pela OMS e publicado um dia antes na revista científica “The Lancet”.

O ponto de partida para este estudo foi um ensaio clínico realizado a 11.841 pessoas em 2015, na Guiné Conacri. Destes, cerca de metade (5.837 pessoas) receberam a vacina e os restantes não a receberam. E os resultados foram animadores: nenhuma das pessoas que recebeu a vacina ficou infetada com o vírus, ao contrário daqueles que não receberam a vacina, entre os quais se registaram 23 casos de pessoas infetadas.

“Embora estes resultados poderosos cheguem tarde demais para aqueles que perderam as suas vidas durante a epidemia do ébola na África Ocidental, mostram que quando surgir um novo surto de ébola não estaremos desarmados”, afirmou a líder do estudo e diretora-adjunta para os Sistemas de Saúde e Inovação da OMS, Marie-Paule Kieny.

O estudo, liderado pela OMS em conjunto com o Ministério da Saúde da República da Guiné, os Médicos Sem Fronteiras e o Instituto Norueguês de Saúde Pública, em colaboração com outros parceiros internacionais, já era visto com bons olhos. Meses depois dos primeiros testes, a OMS anunciara que os resultados preliminares eram “extremamente promissores”.

Se for aprovada, a vacina poderá ser disponibilizada em 2018. “Após 40 anos, parece que agora temos uma vacina eficaz para a doença do vírus ébola”, declarou Thomas Geisbert, investigador do Galveston National Laboratory, citado pela Lusa.

Desde que foi identificado pela primeira vez em 1976, o ébola tem tido vários surtos em África, provocando a morte a mais de 11 mil pessoas na África Ocidental. A epidemia mais recente, entre 2013 e 2016, expôs a necessidade de encontrar uma vacina que prevenisse a propagação do vírus.