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Lalanda e Castro libertado na Alemanha

“Fico satisfeito com este despacho do juiz alemão, porque a detenção foi abusiva”, considerou Ricardo Sá Fernandes, advogado do ex-administrador da Octapharma

O ex-administrador da farmacêutica Octapharma Lalanda e Castro foi esta quarta-feira libertado na Alemanha, após um juiz de Heidelberg ter considerado injustificado o mandado de detenção no âmbito do processo “O negativo”, disse o seu advogado.

Segundo adiantou à agência Lusa o advogado Ricardo Sá Fernandes, o juiz alemão considerou que não se justificava o mandado de detenção europeu (MDE) de Lalanda e Castro porque este, que é arguido em outros processos em Portugal, “sempre esteve contactável, não sendo preciso a sua detenção para ser ouvido em Lisboa”.

Ricardo Sá Fernandes, que visitou Lalanda e Castro na cadeia alemã na terça-feira na presença de advogados germânicos, já comunicou ao Ministério Público (MP) que o seu cliente se apresentará “onde, como e quando” o MP português entender para ser ouvido.

Apesar de ter sido libertado, o advogado desconhece ainda se o regresso de Lalanda e Castro a Portugal se fará ou não ao abrigo do processo de extradição, aguardando-se a posição do MP face à disponibilidade do arguido para ser ouvido pelas autoridades portuguesas.

Na última sexta-feira, o advogado tinha pedido a revogação do MDE que levou à detenção na Alemanha do ex-patrão da Octapharma, envolvido no caso do negócio do plasma sanguíneo (operação O negativo).

Ricardo Sá Fernandes disse entender ser “muito estranho” o procedimento adotado pelas autoridades judiciárias portuguesas em deter uma pessoa cujas viagens e paradeiro era conhecido em virtude de ser arguido nos processos Operação Marquês e Vistos Gold.

No inquérito, dirigido pelo Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP) de Lisboa, investigam-se suspeitas de que Lalanda e Castro e Luis Cunha Ribeiro - ex-presidente do INEM -, que estava ligado a procedimentos concursais públicos na área da saúde, terão acordado entre si que este último utilizaria as suas funções e influência para beneficiar indevidamente a Octapharma.

Em causa estão factos suscetíveis de se enquadrarem na prática de crimes de corrupção ativa e passiva, recebimento indevido de vantagem e branqueamento de capitais.

No âmbito deste processo, foram igualmente constituídos arguidos um representante da Associação Portuguesa de Hemofilia e dois advogados, um deles Farinha Alves.