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Dor, consagração, euforia, determinação. E espetáculo

rui duarte silva

É um negócio de milhões que já foi crime, andou por piscinas vazias e só contava nos dias em que não havia ondas. Tudo mudou. Uma história visual do skate: o texto faz a cronologia, as fotografias no Porto e na Póvoa de Varzim expõem os artistas – e a dor e a consagração e a euforia e a determinação. E o espetáculo (“skate is not a crime”)

A história do skate começou com um dia sem ondas: no início da década de 60, um grupo de surfistas da Califórnia decidiu juntar quatro rodas de patins a uma tábua de madeira de forma a proporcionar movimentos semelhantes ao surf para os dias em que o mar estava flat. De início chamaram-lhe sidewalk surf, mas só em 1963 o nome skateboarding foi oficializado e nascia uma nova cultura. A do skate.

Foi já nos anos 70 que o desporto teve importantes evoluções. O aparecimento de rodas de poliuretano, em substituição das de ferro ou de plástico duro, permitiram maior velocidade e aderência e, consequentemente, melhores manobras. Por esta altura, os Estados Unidos passavam por fortes secas e racionamentos de água, o que levava os americanos a esvaziarem as piscinas de suas casas. Foi nestas piscinas de fundo arredondado, em que as paredes lembravam as ondas do surf, que o skate teve um grande impulso.

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Dois dos maiores nomes de sempre da história do skate apareceram mais tarde, nos anos 80. Rodney Mullen foi um dos grandes revolucionários da modalidade, já que a grande maioria das manobras que existem hoje em dia ou são da sua criação ou são derivadas da sua criatividade. E Tony Hawk, um dos mais ousados, levou o skate a novos limites e é considerado o maior skater de todos os tempos.

É também na década de 80 que aparece o street skate, uma vertente do skate que saiu das então populares piscinas e veio para as ruas e praças usando a arquitetura urbana como seu lugar de eleição. A influência do punk, até então predominante no skate, começa a ser substituída pela cultura urbana do hip hop e o slogan “skate is not a crime” faz de bandeira ao desporto. Os skaters começaram a aparecer em videoclips da MTV, a roupa que usavam passou a ser sinónimo de estilo e de negócio e o fenómeno passou a ser socialmente aceitável.

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Atualmente, estima-se que existam várias dezenas de milhões de praticantes em todo o mundo. Nijah Houston, o melhor da atualidade, tem rendimentos anuais superiores a 6 milhões de dólares (5,4 milhões de euros), numa indústria que movimenta mais de 5 mil milhões de euros por ano.

Em Portugal, o número de praticantes e as infraestruturas para o skate crescem todos os anos, caso do skatepark da Póvoa de Varzim, um dos últimos a ser construído no país e considerado um dos melhores a nível nacional. Na segunda etapa do circuito nacional da especialidade (DC Skate Challenge by Moche), aí realizado no final de julho, participaram 120 concorrentes. O ranking nacional é liderado por Gustavo Ribeiro.

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Mas não é só nas infraestruturas criadas especificamente para a prática do skate que se encontram cada vez com jovens a praticar este desporto radical. No Porto - como noutras cidades -, é possível encontrar skaters que desafiam a arquitetura histórica da cidade. Seja no largo da Igreja de Santo Ildefonso, na Praça da Batalha, ou na Praça dos Leões, em frente à reitoria da Universidade do Porto, ou mesmo junto à estátua de Almeida Garrett na Câmara do Porto, é impossível ficar indiferente ao barulho provocado pelas ousadas manobras em escadas e corrimões. Na Casa da Música, principalmente aos fins de semana, dezenas de praticantes invadem o espaço que fica entre o edifício do arquiteto Rem Koolhaas e a Rotunda da Boavista, numa manifestação de uma subcultura alheia a quem por ali passa.