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Peça a peça até ao robô final

d.r.

Este brinquedo educativo ajuda a despertar o espirito “fazedor” das crianças, na construção e na programação

Os Lego Mindstorms têm um novo concorrente. E não vem de um fabricante de brinquedos, mas sim da Ubtech, uma marca de gadgets. Esta falta de experiência deixou-nos de “pé atrás”. É que desenvolver brinquedos educativos, sobretudo na área dos blocos de construção, exige conhecimentos específicos. Por outro lado, a Ubtech tem já alguma experiência no desenvolvimento de robôs.

Logo que abrimos a caixa ficámos bem impressionados com a qualidade das peças. São sólidas e usam uma arquitetura que permite uma série de variações na construção. Aliás, há algumas semelhanças com as peças Mindstorm. Ainda comparando com a referência do mercado, o sistema da Ubtech tem menos variedade de opções, pelo menos por enquanto. Por exemplo, neste kit não são fornecidas rodas. A maior desilusão porque, de facto, as rodas são essenciais para muitos projetos de robótica.

Também não há quaisquer sensores, o que impede construções mais complexas. Por outro lado, na caixa encontramos sete servos (motores) e uma unidade de controlo com oito portas, seis destinadas aos servos. E isto não significa que só seja possível usar seis motores por construção, porque o sistema permite ligar servos em série. Aliás, o kit mais complexo da Ubtech, o Inventor (ainda não disponível em Portugal), é fornecido com 16 motores servo.

Este é um kit criado para construir robôs com pernas. O movimento conseguido é interessante quando se utiliza dois servos (motores) por membro. É até possível construir quadrúpedes. Mas as rodas fazem muito falta para aumentar as possibilidades de construção

Seguir as instruções

De raiz, este kit propõe a montagem de quatro robôs, um humanoide simples e três construções inspiradas em animais. Optámos por começar por montar o modelo aparentemente mais complexo, o pinguim. O processo é simples, porque a app, grátis para iOS e Android, inclui instruções gráficas animadas. A possibilidade de erro é reduzida se seguirmos com atenção cada um dos passos. Após a construção, a mesma app pode ser utilizada para controlar remotamente o robô – a ligação é por bluetooth. Ainda assim, mal tentámos movimentar o robô fomos surpreendidos por um comportamento estranho. O pinguim parecia possuído! Uma consequência de termos trocado umas ligações. Alguns minutos e reparações depois, o pinguim já se mexia bem… ou melhor, bem para um robô construído às peças.

d.r.

Também pedimos a duas crianças, uma de 9 e outra de 11 anos, para montar outras variantes do Jimu, o que fizeram sem grandes dificuldades. Ainda assim, ouvimos algumas críticas à “falta de pormenor das instruções”.

Programar

Como seria de esperar, a app já oferece alguns movimentos predefinidos além da opção de controlo remoto. O que significa que é fácil colocar o robô a fazer algumas habilidades que, como comprovámos durante os testes, facilmente conseguem arrancar sorrisos de pequenos e de graúdos. Mas a parte mais interessante é a programação, que nos permite, através de regras simples, criar movimentos que ficam armazenados em memória e que, como tal, podem ser executados posteriormente.

A unidade de controlo tem uma bateria amovível de 1200 mAh, que permite brincar com o Jimu durante pelo menos uma hora. Ao contrário do que é cada vez mais comum, o carregador é fornecido. É esta unidade que controla os servos e executa os programas transmitidos por Bluetooth. Mas, infelizmente, não é possível ativar programas diretamente neste controlo, o que exige recorrer ao smartphone ou tablet

Mas nunca há uma verdadeira independência do robô relativamente ao smartphone/tablet, o que é um pouco limitativo. E como não existem sensores para criar regras - como por exemplo “se o sensor X for atuado o servo Y deve rodar Z graus” -, este robô acaba por funcionar mais como um brinquedo telecomandado sofisticado do que como uma verdadeira plataforma de construção de robôs “inteligentes”.

Uma das formas mais fáceis e rápidas de programar o robô é através da gravação dos movimentos: basta pressionar o botão para gravar na app e depois movemos os servos, diretamente no robô, para as posições pretendidas. No fundo é programar por imitação. A falta de sensores impede o desenvolvimento de automatismos.

Talvez a Ubtech acabe por desenvolver sensores que se possam adicionar ao Jimu, mas é sempre arriscado “contar com o ovo…”. Por outro lado, a verdade é que a reação das crianças a quem emprestámos o Jimu foi muito positiva. Estiveram sempre muito interessadas no processo de montagem/desmontagem e em pôr o robô a fazer movimentos. E, não menos importante, o preço é muito inferior ao preço de sistemas mais completos.

CARACTERÍSTICAS Midland Jimu Robot

Preço: €199
Número de blocos de construção: 372
Motores servo: 7
Unidade de controlo: 8 portas (6 para servos), bluetooth
Bateria: 1200 mAh
Representante: ubtrobot