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Rankings: Ministério da Educação já fez recomendações mas inflação das notas persiste

José Carlos Carvalho

Entre a lista de escolas que repetidamente tendem a inflacionar as notas estão sobretudo privadas e no Norte do país

Raquel Albuquerque

Raquel Albuquerque

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Jornalista

Sofia Miguel Rosa

Sofia Miguel Rosa

infografia

Jornalista infográfica

Há 14 escolas que nos últimos cinco anos letivos estiveram sempre entre as 10% que mais 'inflacionaram' as notas dos seus alunos. Isso significa que as notas internas ficaram tendencialmente acima das notas que os alunos obtiveram nos exames nacionais e, apesar de o Ministério da Educação (ME) ter já feito “recomendações” a algumas escolas, a tendência permanece.

A maioria dessas escolas é do ensino privado e localiza-se no Norte do país, segundo os dados disponíveis no portal InfoEscolas. Entre as mais ‘benevolentes’ – ou, nas palavras do ME, as que “utilizam critérios de avaliação dos seus alunos muito diferentes” das restantes escolas – estão privadas como o Externato Ribadouro ou o Colégio Luso-Francês no Porto e públicas como a Secundária de Fafe ou a Básica e Secundária Manuel Laranjeira em Espinho.

A Inspeção-Geral de Educação e Ciência (IGEC) abriu quatro processos de inquérito em julho de 2015 “para investigação mais aprofundada de indícios de responsabilidade disciplinar” em escolas suspeitas de inflação de notas. “Todas as escolas em causa foram objeto de recomendações e tiveram várias intervenções de acompanhamento”, afirmou o ME ao Expresso. “Têm surgido novas denúncias que têm sido investigadas e foram feitas recomendações.”

O que está em causa neste indicador de “alinhamento” das notas internas com as de exame não é a simples diferença entre elas, já que é 'natural' haver uma discrepância, até porque a nota interna da escola tem em conta outros parâmetros que não são medidos nos exames. Por isos, este indicador de “alinhamento” destaca quais as escolas onde se registaram os maiores desvios acima ou abaixo de uma diferença média considerada 'natural' entre as notas internas e as de exame.

À semelhança do que acontece com a lista das escolas 'mais generosas', também as escolas 'mais exigentes' tendem a manter-se praticamente as mesmas em relação à lista feita em 2015, com base nos cinco anos letivos anteriores.

Há 17 escolas que entre 2011/12 e 2015/16 ficaram sempre entre as 10% que menos 'inflacionaram' as notas internas dos alunos, ou seja, onde os alunos tenderam a ter notas de exame mais altas do que as que foram dadas na escola.

A maioria destes 17 estabelecimentos de ensino é público e muitos localizam-se no distrito de Lisboa, como é o caso da Escola Secundária do Restelo, a Gomes Ferreira, a Rainha D. Amélia, a D. Pedro V, todas em Lisboa, ou a Secundária de São do Estoril em Cascais.