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Ex-presidente do INEM fica em prisão preventiva

SANGUE. Luís Cunha Ribeiro chegou a ser monitor de Lalanda Castro na faculdade de Medicina da Universidade do Porto

NUNO BOTELHO

Após dois dias a ser ouvido, Luís Cunha Ribeiro recebeu a medida de coação máxima. É suspeito de corrupção passiva no negócio de venda de plasma sanguíneo

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

O ex-presidente do INEM, Luís Cunha Ribeiro, suspeito de corrupção passiva no negócio de venda do plasma sanguíneo aos hospitais públicos portugueses, vai ficar em prisão preventiva, avança a SIC Notícias.

O médico, que é também o ex-responsável da Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo, recebe assim a medida de coação máxima e terá de aguardar julgamento na prisão. Para já, não se sabe ainda o que terá levado a juíza de instrução a tomar esta decisão.

Sabe-se apenas que Luís Cunha Ribeiro foi detido na terça-feira e esteve a ser ouvido nos últimos dois dias no Campus da Justiça, em Lisboa, sendo que a medida de coação foi conhecida este sábado à noite.

Em causa está a operação "O negativo" que investiga suspeitas de corrupção na concessão à farmacêutica Octopharma do monopólio do negócio da venda do plasma sanguíneo aos hospitais públicos portugueses.

"No inquérito investigam-se suspeitas de obtenção, por parte de uma empresa de produtos farmacêuticos, de uma posição de monopólio no fornecimento de plasma humano inativado e de uma posição de domínio no fornecimento de hemoderivados a diversas instituições e serviços que integram o Serviço Nacional de Saúde (SNS)", referia a nota que a Procuradoria Geral da República (PGR) enviou na terça-feira.

No esquema, que ocorreu entre 1999 e 2015, "um representante da referida empresa de produtos farmacêuticos e um funcionário com relevantes funções no âmbito de procedimentos concursais públicos nesta área da saúde terão acordado entre si que este último utilizaria as suas funções e influência para beneficiar indevidamente a empresa do primeiro", diz a PGR.

  • Sei tanto quanto qualquer pessoa normal acerca do negócio do sangue ou do envolvimento de ex-responsáveis da saúde e benefícios concedidos pela empresa Octapharma. Mas se há crime, como suspeita o Ministério Público, este é um crime brutal, desumano e repugnante. Fazer negócio à custa do Serviço Nacional de Saúde com o sangue que pode ditar a vida de uma pessoa, não é apenas corrupção, não pode ser apenas considerado simples corrupção