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Chegou e convenceu: o Mario é mesmo super

É a loucura do momento para os iPhones: depois do fenómeno Pokémon Go, a Nintendo volta às bocas do mundo graças à chegada do canalizador mais conhecido do mundo ao smartphone da Apple. Uma demonstração que a mítica marca de jogos japonesa pode ser o próximo gigante das apps numa altura em que também prepara um ataque à PlayStation e à Xbox

Chegou e convenceu! Super Mario Run é o mais recente jogo da Nintendo e é também o primeiro verdadeiro jogo da empresa para smartphones e tablets. Isto porque, ao contrário do que muita gente acredita, Pokémon Go não foi editado ou programado pela empresa japonesa. Mas o simples facto de a Nintendo deter um terço da Pokémon Company foi suficiente para fazer disparar as ações da Nintendo, que chegaram aumentar 50% nos dias após o lançamento da app que levou os jogadores para a rua para capturar seres míticos virtuais que se passeavam no mundo real.

Os investidores acreditaram que o sucesso de Pokémon Go era um sinal que a anunciada chegada da Nintendo às lojas de apps para smartphones e tablets iria revelar-se um sucesso. A aposta parece ter sido ganha, já que bastou um dia para Super Mario Run ir diretamente para o topo da lista das aplicações mais populares da App Store, a loja de aplicações para iPhone e iPad.

Em vários países, incluindo Portugal, Super Mario Run conquistou o título de app gratuita (ainda que tenha compras integradas) mais descarregada. O que nem é de estranhar, considerando as expectativas geradas em volta deste jogo. Recorde-se que Myamoto, um género de “deus do design de jogos” para os fãs da Nintendo, esteve ao lado de Tim Cook, o líder da Apple, durante o lançamento do iPhone 7 em setembro, quando se soube que Super Mario Run iria ser lançado para o smartphone mais famoso do mundo.

SUCESSO. Jogo da Nintendo já lidera o ranking geral da App Store

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d.r.

Sempre a subir?

O resultado da presença surpreendente de Myamoto no lançamento da Apple tornou-se evidente logo nas sessões seguintes das bolsas de Nova Iorque e Tóquio, onde as ações da Nintendo subiram, respetivamente, 22 e 16 por cento. Um salto de valor de mercado impressionante, que só foi inferior ao que tinha acontecido dois meses antes com o fenómeno Pokémon Go.

Mas até que ponto esta popularidade durante o lançamento se traduz em faturação real? Será preciso esperar para ver. Super Mario Run pode ser descarregado e jogado gratuitamente, mas só daqui a algumas semanas se vai perceber se os jogadores vão ficar convencidos e despender os €9,99 pedidos para continuar a jogar sem limitações. Mas, para já, as coisas parecem estar a correr bem: em alguns países, incluindo Reino Unido e Estados Unidos, o jogo já está listado como a aplicação mais lucrativa, ultrapassando apps como Pokémon Go e Clash Royale, um habitual líder desta lista. Em Portugal, Super Mario Run já marcava presença no top 10 algumas horas antes do fecho desta edição.

As consolas continuam em força

Não é precisamos de recuar muito no tempo para encontrarmos uma Nintendo “fechada”, que não estava interessada em entrar no mundo das apps para telemóveis. Os gestores japoneses acreditavam que manter personagens como Mario, Link (Legend of Zelda) e Donkey Kong exclusivas das consolas Nintendo era uma garantia de que as máquinas iriam a continuar a vender bem. Libertar as personagens e os jogos para os smartphones era visto como um risco, com o potencial para diminuir os resultados financeiros da empresa.

Mas, entretanto, as vendas da Wii U foram uma desilusão. Desde o lançamento da consola em 2012, a Wii U terá vendido 13 milhões de unidades, cerca de sete vezes menos que a antecessora Wii, lançada em 2006 (dados da VGChartz). Pior ainda, enquanto a primeira Wii vendeu mais que as concorrentes Playstation 3 e Xbox 360, a Wii U está bem atrás dos 50 milhões de PlaySation 4 já vendidas.

Terão sido estes números os responsáveis pela mudança de estratégia da Nintendo. E, aparentemente, a nova política está a resultar. De acordo com Jorge Vieira, relações públicas da Nintendo Portugal, o fenómeno Pokemón Go “levou ao aumento das vendas das consolas portáteis 3DS, que em Portugal estão a vender mais 40% este ano do que no anterior”, justificando estes resultados com a chegada da marca a novos utilizadores: “No caso do Go, tivemos milhões de jogadores que experimentaram o Pokémon pela primeira vez. Provavelmente vai acontecer o mesmo com o Mario, o que vai levar mais jogadores a querem utilizar as nossas consolas”.

Uma coisa é certa: jogar Super Mario Run no iPhone ou iPad é muito diferente de jogar qualquer outro título de plataformas Nintendo numa consola da marca. Isto porque a Nintendo optou por simplificar ao máximo a experiência de jogo: o jogador apenas tem de tocar no ecrã para fazer Mario saltar mais ou menos. Não há botões direcionais ou outras habilidades: Super Mario corre automaticamente e constantemente. Para Jorge Vieira, esta simplificação não foi feita com o intuito de limitar propositadamente a experiência nos dispositivos móveis para tentar levar os utilizadores para as consolas: “Muito pelo contrário, a Nintendo desenvolveu o jogo de modo a garantir a melhor experiência nos telemóveis e tablets, que têm naturalmente comandos limitados. Por exemplo, podemos jogar só com uma mão”.

A Nintendo está a aproveitar este empurrão dado pelas apps na notoriedade da marca. Na semana passada, mostrou pela primeira vez em público a próxima consola da marca, a Switch, no popular programa da televisão norte-americana “The Tonight Show”, de Jimmy Fallon. Uma vez mais, a marca japonesa aposta em inovar nos modos de jogo e não no poder de processamento para conquistar o mercado, à imagem do que conseguiu com os comandos com deteção de movimento da Wii. A Switch é uma consola que tanto pode funcionar em casa, ligada ao televisor, como em movimento, porque tem o formato de um tablet e comandos sem fios amovíveis.

Enquanto a Switch não chega – a apresentação oficial está marcada para janeiro –, a Nintendo fatura e segue com mais um aproveitamento da força da história da marca: a pequena Nintendo Classic Mini. Esta consola é vendida por apenas 60 euros e inclui 30 jogos de raiz. Alguns verdadeiros clássicos, como Bubble Bobble, Donkey Kong, Mario Bros. e The Legend of Zelda. Apesar de não ser possível adicionar quaisquer outros jogos, a Classic Mini tem estado a sempre esgotada nas lojas portuguesas. Segundo a Nintendo Portugal, a máquinas continuam a ser distribuídas a bom ritmo, mas não tem havido stock: todas as vendas têm sido feitas para responder a encomendas.

Será a Nintendo capaz de recuperar o título de líder de mercado nas consolas e conquistar o segmento de jogos para smartphones e tablets? Vamos ter de esperar para ver se as sementes que estão a ser semeadas vão germinar, sobretudo nas gerações mais novas que não conhecem bem as personagens que tanto divertiram quem agora tem 40 ou 50 anos. A próxima grande “prova de fogo” da Nintendo acontece já no início de 2017, quando se conhecerem mais detalhes da Switch, a começar pelo preço. Depois vêm mais jogos para dispositivos móveis, com destaque para a chegada de Super Mario aos smartphones Android.

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Em casa, a consola vai poder ser acoplada a uma docking station para ligação a um televisor. Ao ser removida desta base, a Switch passa automaticamente para o modo portátil. Como a máquina é mesma, o jogador pode continuar a jogar o mesmo título independentemente do modo de operação.

Há novos comandos, os Joy-Con, que tanto podem ser acoplados diretamente à consola (modo portátil, semelhante ao GamePad da Wii U) como ao Joy Con-Grip, transformando-se num comando mais tradicional para usar quando a consola está ligada ao televisor.

A Nintendo anunciou que já está a trabalhar com um grande número de produtoras de jogos, incluindo algumas das produtoras de maior sucesso, como a Activision, Bethesda, Capcon, EA, Ubisoft e Konami. Isto significa que a Switch deve ter desempenho suficiente para correr alguns dos jogos mais recentes e graficamente mais complexos.