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Cem professores podem construir uma escola mas só a Chico pode torná-la um lar

Inês Pedro Fernandes foi a única aluna a entrar este ano numa universidade portuguesa com um 20 a tudo. O outro estudante a conseguir nota de candidatura idêntica rumou a Manchester. Inês também pondera ir para o estrangeiro, mas é na Nova Information Management School, no curso de Gestão de Informação, que está agora. A propósito dos rankings das escolas, que disponibilizamos no site do Expresso este sábado e na edição em papel, Inês explica como acontecem os 20, descreve sensatamente o que 100 professores não conseguem sozinhos neste mundo das escolas e anuncia um facto relevante: “A minha escola sempre acolheu de abraços abertos quem quer que fosse que lhe batesse à porta, para bem ou para mal das posições nos rankings”

Texto Inês Pedro Fernandes

Enquanto futura economista, tenho de saber que os números não são só números. Os números são apenas uma representação matemática de algo com muito mais significado – pessoas, vidas, convívios, experiências – e escondem sempre uma razão de ser, que pode ou não ser óbvia. Um bom economista é, portanto, economista, matemático, psicólogo, sociólogo, bom-sensólogo e será, sabe Deus, os demais ofícios que precisará de usar para conseguir decifrar certos números e prever outros.

Por este motivo, fico sempre de pé atrás quando ouço alguém falar de números como se estes começassem e terminassem em si próprios, o que, a meu ver, é um insulto à sua enorme complexidade e às pessoas que eles representam.

1 Dedicação aos alunos: A loja

No maior agrupamento de escolas de Guimarães, pela minha experiência pessoal, os alunos são os verdadeiros clientes (apesar de não terem sempre razão) e tudo é feito para assegurar que saem da loja com um serviço de qualidade, isto é, uma educação “capacizante”, que lhes permita dar cartas na universidade e, um dia mais tarde, no posto de trabalho. Falo de professores, mas também de funcionários e da administração. Há, de facto, todo um excelente trabalho de equipa feito, notoriamente, com gosto, para elevar os alunos ao nível seguinte, se estes estiverem dispostos a tal.

2 Excelência do ensino: O bónus

Com as constantes adições aos programas das disciplinas e a manutenção do tempo de aulas, os professores desta escola são uns heróis por conseguirem lecionar o programa todo com imenso brio e ainda contar aos alunos histórias do 25 de Abril, de viagens que fizeram, de livros que leram, enfim, uma série de conhecimentos bónus que, se calhar, valem mais do que muitas coisas que aprendemos nos livros e de que não ouviríamos falar em qualquer outro lugar.

3 Um segundo lar: A letra P

O provérbio chinês diz “100 homens podem construir uma casa mas só uma mãe pode torná-la um lar”. Eu gostaria de adaptá-lo à situação para dizer que 100 professores podem construir uma escola mas só a equipa Chico pode torná-la um segundo lar para os alunos. A verdade é que, hoje em dia, os jovens passam grande parte do seu tempo na escola e por isso é que um estabelecimento com um ambiente acolhedor é tão importante para o seu bem-estar. Se há sítio onde os professores e funcionários assumem o papel de amigo e confidente para ir de encontro às necessidades dos alunos esse lugar é a Chico. De facto, sempre que ligo a alguém cujo nome começa por “P” aparece-me uma lista infinita de “Prof.” que ao longo dos três anos foram disponibilizando o seu contacto PESSOAL caso fosse preciso alguma coisa. Não me parece que muitos alunos de outras escolas possam dizer o mesmo.

4 Diversidade cultural: A viagem

Ver e conviver com pessoas de backgrounds socioeconómicos e nacionalidades diferentes na escola é extremamente enriquecedor para a formação pessoal dos alunos e bem mais barato do que levar os filhos a viajar.

Nesse aspeto, ninguém pode apontar o dedo à Escola Francisco de Holanda, que sempre acolheu de abraços abertos e com um sorriso no rosto quem quer que fosse que lhe batesse à porta, para bem ou para mal das posições nos rankings.

5 Exigência: O antinúmero

Recordo-me de que no meu 9º ano estava indecisa entre várias escolas e colégios de Braga e Guimarães, mas acabei por escolher a Escola Francisco de Holanda porque sabia que seria aquela onde seria mais difícil alcançar bons resultados. Paradoxal? Nem por isso. A escola é conhecida pela qualidade e exigência do seu corpo docente e isso, na minha opinião, coloca-a num patamar muito acima de inúmeras outras instituições, não só a nível regional mas também a nível nacional. Os professores apresentam novos desafios diariamente aos alunos e estes não têm mesmo outro remédio que não superá-los. É trabalhoso? Sem dúvida. Mas vale a pena? Sem dúvida.

Quem entra na Escola Francisco de Holanda sai uma pessoa mais completa. Digo pessoa e não aluno propositadamente, porque a “Chico”, sem dúvida, educa a vários níveis.
Esta escola não é, por isso, só um número e não pode ser classificada com um simples número. A Chico é toda uma equipa, um ambiente de entreajuda, o carinho que depositam nos alunos.

Aos leitores deste texto, é só isto que tenho para lhes a dizer. Aos professores e funcionários da Chico, acrescento: continuem o bom trabalho!