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Urgências em risco nas maternidades de Coimbra

Falta de ginecologistas e obstetras está a dificultar o socorro prestado nas unidades públicas do centro do país. Ordem dos Médicos avisa que a situação é "alarmante", "muito grave" e de “catástrofe iminente”

A resposta a casos ginecológicos ou obstétricos urgentes nas maternidades Bissaya Barreto e Daniel de Matos e nos Hospitais da Universidade de Coimbra está sob risco de "catástrofe iminente", alerta o presidente da Secção Regional do Centro da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes. O responsável avisa que "a situação é muito grave". Em causa está a falta de médicos com a especialidade de ginecologia e obstetrícia.

"Não são contratados médicos especialistas para a Maternidade Bissaya Barreto desde 2010", exemplifica Carlos Cortes. "Estamos a colocar em risco a existência de serviços com uma qualidade assistencial reconhecida" e se não forem autorizadas contratações "poderá ficar inviabilizada a elaboração de uma escala de Urgência com o número de médicos indispensáveis ao funcionamento do serviço de acordo com as normas do Colégio da Especialidade de Ginecologia e Obstetrícia da Ordem dos Médicos", alerta.

Segundo o responsável, "não podemos comparar a realidade destas maternidades com o que se passa em qualquer um dos outros hospitais universitários do país", já que "o cálculo do número de médicos não poderá, neste caso, reportar apenas o número de partos e a população de referência", explica. "Dado o número elevado de médicos especialistas que saíram nos últimos anos, poderemos colocar em risco a atividade assistencial (consultas e cirurgias) dos serviços de Ginecologia", afirma Carlos Cortes. Além disso, os serviços de Obstetrícia são também os hospitais de Apoio Perinatal Diferenciado e a referência da região Centro na área pré-natal.

A dificultar a falta de recursos humanos está ainda a média etária dos especialistas ao serviço. "A maioria dos recursos humanos médicos dos serviços de Obstetrícia e Ginecologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (que inclui as unidades visadas) tem idade superior a 50 anos, sendo até elevada a proporção dos que têm mais de 55 anos", lê-se na nota enviada ao Expresso. Na prática, médicos que já têm idade para poderem recusar trabalhar na Urgência durante a noite ou mesmo totalmente.

Fusão só no papel

Os responsáveis da Ordem dos Médicos acrescentam outra dificuldade ao quadro atual. "A fusão dos dois hospitais da cidade de Coimbra, em 2012, não se concretizou nesta área: continuam a existir duas maternidades, cada uma com um Serviço de Obstetrícia e um Serviço de Ginecologia; bem como um Serviço de Medicina da Reprodução". Ou seja, "nestas áreas médicas, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra não passou do papel e desde 2012 que não se investe em equipamentos e a reabilitação dos espaços físicos é inexistente", criticam.