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Expresso

Sociedade

Reino Unido autoriza nascimento de bebés com ADN de três pais

Rui Ochôa

A entidade reguladora aprovou, de forma “prudente” o recurso a uma técnica experimental, usada para evitar a transmissão, pela mãe, de doenças que provocam mutações nos genes mitocondriais

O Reino Unido tornou-se o primeiro país a autorizar a conceção de bebés com ADN de três pessoas. A “decisão histórica”, como reconheceu Sally Cheshire, presidente da Autoridade de Fertilização e Embriologia Humana (HFEA na sigla original), dá luz verde a uma técnica experimental, que é usada para evitar a transmissão, de mãe para filho, de doenças que provocam mutações nos genes mitocondriais.

“Tenho a certeza que os doentes que vão beneficiar desta técnica vão ficar muito felizes", declarou ainda Sally Cheshire.

Na prática, trata-se de combinar o ADN de duas mulheres e de um homem, para evitar a transmissão de doença materna.

Em causa está, no entanto, uma autorização “prudente, não muito entusiasta”, frisou a presidente da HFEA.

O procedimento não é consensual. Apesar de o argumento em sua defesa ser o de que permite fazer nascer bebés mais saudáveis, pela negativa há quem considere que se está a arriscar demasiado no que toca à manipulação genética.

As doenças mitocondriais originam problemas como diabetes e miopatias. No Reino Unido, as autoridades da saúde estimam que nascem todos os anos cerca de 125 bebés com este tipo de mutações.