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Os autocarros da fuga: mais duas mil pessoas conseguem sair da cidade trágica

EPA

Mais 15 autocarros abandonaram a cidade síria de Alepo. São já três mil as pessoas que conseguiram sair, mas milhares continuam encurralados

Um segundo grupo de evacuação deixou Alepo, com a segunda comitiva a integrar um total de 15 autocarros, informou a televisão estatal síria.

Um alto funcionário do Comité Internacional da Cruz Vermelha, citado pela BBC, disse que a expetativa nesta leva é fazer sair de Alepo mais 2000 pessoas, depois de uma primeira comitiva ter partido já esta quinta-feira, integrando cerca de mil.

Durante a primeira viagem, uma pessoa morreu e diversos civis e membros de organizações humanitárias ficaram feridos ao terem sido baleados por um sniper, segundo referiram elementos da oposição ao regime de Bahsar al-Assad.

Depois de o início da evacuação ter falhado - estava acordado que começaria na madrugada de quarta-feira -, o desfile de autocarros e ambulâncias deve continuar nos próximos dias, continuando milhares de pessoas - serão ainda quase 50 mil - a aguardar a sua retirada.

Feridos, civis e combatentes estão a ser levados para a província vizinha de Idlib, que continua maioritariamente sob controlo de uma aliança rebelde, que integra o grupo jihadista Jabhat Fateh al-Sham.

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas russas, General Valery Gerasimov, explicou que a operação exigiu a criação ”de um corredor humanitário, com 21 quilómetros de extensão”.

Bahsar al-Assad: “Hoje, sírios estão a escrever História”

O Presidente sírio congratulou-se, entretanto, pela vitória das suas tropas e felicitou os sírios pela “libertação” de Alepo, já chamada de cidade mártir.

Num curto vídeo colocado no Facebook, Assad sublinha que hoje se está a fazer “História”, que “todos os cidadãos sírios estão a escrever”.

“Com a libertação de Alepo, a situação mudou não apenas para a Síria, não apenas para a região, mas para todo o mundo", continua Bahsar al-Assad, citado pela agência France Presse.

Para o regime, a vitória tornada possível graças ao apoio da Rússia é o seu triunfo mais importante desde o início da guerra em 2011.

  • Amor e morte: Alepo

    Esta imagem foi tirada a 4 de dezembro. Ainda havia guerra. Este texto é publicado a 14 de dezembro. Foi escrito que a guerra havia cessado. Mas não cessou. “Toda a gente vai ser morta.” Alepo, cidade trágica