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Mais de um terço dos jornalistas são alvo de pressões externas

Alberto Frias

Apesar de uma maior evidência das pressões externas nas redações, 26,2% dos jornalistas referem também que já foram alvo de pressões da direção editorial e 23,8% de pressões da administração da empresa

Um estudo realizado por um investigador da Universidade de Coimbra conclui que 35,7% dos jornalistas inquiridos são alvo de pressões externas e cerca de um quarto afirma ser alvo de pressões da direção e da administração.

O inquérito, com uma amostra representativa composta por 806 jornalistas, nota que mais de um terço dos inquiridos refere que já foi alvo de pressões externas no decorrer do seu trabalho, disse à agência Lusa o investigador responsável pelo estudo, João Miranda, que realiza uma tese de doutoramento na Universidade de Coimbra (UC) sobre a autorregulação profissional do jornalismo.

Apesar de uma maior evidência das pressões externas nas redações, 26,2% dos jornalistas que participaram no inquérito referem também que já foram alvo de pressões da direção editorial e 23,8% de pressões da administração da empresa.

O investigador João Miranda fez um cruzamento de dados para perceber se havia alguma variação significativa em relação à idade, género ou vínculo laboral, concluindo que as pressões são “transversais aos diferentes setores do grupo profissional”.

Apesar destes resultados, apenas cerca de 15% dos inquiridos discordam ou discordam totalmente com a ideia de “dispor de total liberdade na produção de conteúdos”, nota o estudo a que a agência Lusa teve acesso.

Quase 90% dos jornalistas dizem cumprir os preceitos éticos e deontológicos inerentes ao exercício da profissão e a quase totalidade afirma que o seu trabalho nunca ou raramente é modificado sem a sua autorização.

O inquérito, que também aborda as rotinas dos jornalistas, conclui que 2,7% dos inquiridos nunca contacta com fontes na redação de notícias e 10,7% raramente.

As percentagens também são reduzidas quando é perguntado aos jornalistas se recorrem sempre ou muitas vezes apenas a notas de agência.

No entanto, cerca de 20,5% dos inquiridos raramente sai da redação e 3,7% nunca a abandona em reportagem.

Essa tendência é corroborada pela hierarquia feita pelos jornalistas relativamente às metodologias que utilizam para contactar com as fontes.

A principal metodologia é o contacto telefónico, seguido do contacto presencial, sendo que o contacto via ‘e-mail’ também se torna relevante, sobretudo quando os jornalistas elencam a sua segunda e terceira metodologia mais utilizada no contacto com as fontes.

João Miranda salienta ainda o facto de as redes sociais já serem a principal metodologia utilizada por 1,7% dos jornalistas inquiridos.

Na componente da autorregulação, a maioria dos jornalistas (76,4%) consideram fraco o grau de participação da profissão na Entidade Reguladora para a Comunicação Social e mais de metade considera igualmente fraco o grau de participação na Comissão da Carteira Profissional.

Cerca de 70% dos inquiridos considera importante a criação de uma Ordem dos Jornalistas.
Os resultados do inquérito são apresentados hoje, na Faculdade de Letras, às 16h, num debate intitulado “Relatos de uma profissão indefinida. Resultados de um inquérito aos jornalistas”.

O inquérito foi aplicado via ‘online’ entre os contactos detidos pela Comissão da Carteira, a titulares de carteira profissional de jornalista, título provisório ou cartão de equiparado.