Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Sindicato e INEM de acordo: há falta de trabalhadores - uns querem 300, os outros dizem que 100 bastam

José Carlos Carvalho

Sindicato revela que há dias em que o INEM demora “mais de três minutos” a responder a chamadas de socorro, em vez dos sete segundos recomendados pelos manuais mundiais. INEM reconhece “falta crónica” de pessoal mas garante que o serviço de urgência tem qualidade.

Durante o mês de dezembro houve turnos em que os operadores do INEM perderam 26% das chamadas e por isso é “urgente” abrir concursos para novos trabalhadores, diz ao Expresso Orlando Gonçalves, coordenador do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Norte (STFPSN). O próprio INEM reconhece a “falta crónica” de pessoal, mas garante que dispõe de “um sistema de callback que foi criado com o objetivo de impedir que qualquer chamada realizada para os CODU do INEM fique sem atendimento. Segundo o INEM, “existem profissionais com a função específica de monitorizar as chamadas que são desligadas na origem, ou interrompidas por motivos técnicos, realizando posteriormente a respetiva “chamada de volta”.

O STFPSN acrescenta ao Expresso que o que está em causa é a falta de recursos humanos, que se reflete negativamente “no atendimento de chamadas de emergência”. Atualmente o INEM tem cerca de mil operadores e o sindicalista acredita que para a instituição poder funcionar razoavelmente são precisos no mínimo mais 30% de trabalhadores, ou seja “mais 300 operadores”. O INEM garante que tem desenvolvido ”todos os esforços para colmatar este défice, encontrando-se no momento a aguardar autorização das Finanças para iniciar procedimento para contratação de mais 100 profissionais desta categoria”.

Apesar de não reconhecer faltas na capacidade resposta o INEM admite que “tem-se verificado sempre uma diferença negativa entre os postos ocupados e os necessários para assegurar o funcionamento dos meios de emergência médica”.

Dezembro negro

No mês de dezembro “devido ao clima” e “às festas” é das alturas “em que ocorrem mais acidentes e mais doenças naturais, portanto é quando mais meios são necessários e é quando eles cortam os meios”, acusa o sindicalista à Lusa. O INEM contrapõe com uma garantia: “A População portuguesa tem um serviço de emergência de qualidade” e explica que tem um plano de contingência para o mês de dezembro “através da reestruturação do horário de funcionamento de cinco Ambulâncias de Emergência Médica (AEM), mantendo-se no entanto estes meios de socorro em atividade e ao serviço da população”.

Orlando Gonçalves sublinha que atualmente os trabalhadores do INEM são “explorados” em termos salariais e forçados a fazer turnos extraordinários. “Todos os meses saem do INEM trabalhadores por causa da exploração” e porque encontram oportunidades de trabalho melhores, disse ao Expresso.

O sindicalista aponta o dedo ao Governo, dizendo à Lusa que “ou não quer saber do INEM para nada ou então há aqui outra jogada por trás”.

Um profissional de Saúde que presta serviço no INEM e não quer ser identificado confirma que há “falhas na resposta”, mas o problema “não está só na falta de enfermeiros”. Segundo esta fonte, “há algoritmos que foram introduzidos há alguns anos e que já não fazem muito sentido”. Estes algoritmos são utilizados para decidir qual o tipo de socorro que é necessário em resposta às chamadas telefónicas recebidas pelo 112.