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Votação online: escolha as figuras e os acontecimentos de 2016

Dando seguimento a uma prática iniciada em 2014, o Expresso desafia novamente os seus leitores a votarem as figuras e acontecimentos nacionais e internacionais do ano. Saiba tudo e faça as suas escolhas

A redação do Expresso, num plenário realizado na manhã desta terça-feira (13 de dezembro), escolheu as figuras e os acontecimentos nacionais e internacionais de 2016. Trata-se de uma das mais velhas tradições democráticas da comunicação social portuguesa (cujos resultados serão oportunamente divulgados), neste ano votada por quase seis dezenas de jornalistas.

Os artigos de fundo sobre os vencedores das quatro categorias (figura nacional; acontecimento nacional; figura internacional; e acontecimento internacional) serão publicados na edição de 23 de dezembro (uma sexta-feira em que o Expresso estará antecipadamente nas bancas, por causa do Natal).

Agora, pela terceira vez consecutiva, vimos convidar quem nos lê a votar as figuras e os acontecimentos do ano. Assim, até às 18h desta sexta-feira, os leitores podem fazer a sua eleição, escolhendo entre os mesmos acontecimentos e figuras que foram sufragados pela redação do Expresso. Diariamente, faremos o ponto da situação do resultado em cada uma das categorias a votação.

Em baixo, pode votar nas figuras e acontecimentos, nacionais e internacionais, de 2016. Nas quatro categorias, pode escolher um dos nomeados, com a respetiva fundamentação.

Brexit

Um aprendiz de feiticeiro chamado David Cameron despertou velhos demónios nacionalistas e isolacionistas e perante uma campanha do “exit” apoiada muitas vezes em populismos e meias verdades (como Farage e Boris Johnson viriam a reconhecer), o eleitorado britânico escolheu sair da União Europeia, precipitando esta numa crise sem precedentes, aumentando os riscos de uma desagregação. Ao mesmo tempo, coloca um ponto de interrogação sobre o futuro da relação transatlântica. Mas se o projeto europeu é fortemente sacudido com a deserção britânica, o Reino Unido não ficou melhor, com o eleitorado partido ao meio e as modalidades de saída por definir. O Brexit e, mais tarde, a vitória Donald Trump (desfechos que deitaram por terra as previsões das sondagens) são exemplos do novo paradigma da pós-verdade em política, em que os factos podem ser secundários perante as emoções e os “sound bites” veiculados sobretudo através das redes sociais.

Crescimento de nacionalismos e xenofobia na Europa

Crescem os nacionalismos e radicalismos inspirados, entre outros, pela vitória do Brexit e de Trump (ambos os casos já resultado dessas tendências). Há algo de estrutural nesta vaga de fundo, alimentada pela raiva dos que se sentem excluídos pela globalização, que se sentem ameaçados economicamente pela entrada dos migrantes e refugiados no local de trabalho e pelo vazio deixado pelos sindicatos e partidos de esquerda que, após a queda do Muro de Berlim, parecem ter deixado de saber (ou querer) falar às massas populares, ao operariado e também aos mais pobres e excluídos. Além do Brexit, o aumento da extrema direita na Alemanha (em parte à custa do eleitorado de Merkel), a eleição presidencial cerrada na Áustria, ou o continuado bom desempenho nas sondagens de Marine Le Pen, em França, e Geert Wilders, na Holanda, são outras das expressões da vaga de nacionalismo exacerbado que se acentuou neste ano na Europa.

Destituição de Dilma Rousseff

A crónica de um afastamento anunciado que ocorre quando deixou de haver prosperidade económica que permita conciliar as políticas sociais e os interesses dos grandes grupos económicos e da banca no Brasil. Baseia-se numa acusação formal (maquilhagem orçamental que em Portugal faria cair todos os governos das últimas décadas, Cavaco Silva incluído), num contexto em que a Operação Lava Jato abala todo o espectro político brasileiro e descredibiliza a classe política, à evidência envolvida em corrupção. E passou por uma desforra de sectores da classe média e das elites que fizeram um ajuste de contas com a governação à esquerda (não isenta de corrupção ao mais alto nível), nalguns casos com uma retórica saudosista da ditadura militar.

Eleições nos EUA

As eleições mais importantes do ano levam ao poder um candidato com um discurso incendiário e contraditório mas que fala com sucesso aos excluídos da globalização (por exemplo os operários das fábricas falidas ou deslocalizadas do Rust Belt). E que utilizou habilmente as redes sociais e os media digitais pra derrotar a favorita Hillary Clinton (resultado contrário ao antecipado pela quase totalidade das sondagens). As eleições nos EUA enviam à escala global um forte sinal aos populistas e xenófobos, nomeadamente europeus, ainda com efeitos por avaliar. E põem em risco a política externa americana em locais críticos como o Médio Oriente, Mar do Sul da China, etc. Quando não a economia global, caso Trump faça os EUA enveredar pelo proteccionismo.

Fugas de informação à escala global (Panama Papers  e Football Leaks)

Duas grandes investigações jornalísticas realizadas em consórcios internacionais revelaram esquemas de utilização de offshores e milhares de clientes a partir de diversos países, que assim conseguem ocultar rendimentos e património, bem como reduzir ou mesmo escapar aos pagamentos de impostos. As investigações produziram consequências políticas, empresariais e fiscais. E mostraram a eficácia do jornalismo em rede, a partir de bases de dados gigantescas relacionadas com offshores. Jornalistas do Expresso integraram as investigações internacionais.

Morte de Fidel Castro

A morte física seguiu-se à morte política, já que o regime cubano, primeiro privado do apoio soviético com a queda do Muro de Berlim e depois de apoiantes menores como a Venezuela chavista, teve de se reaproxima dos EUA, dando a Obama um dos triunfos maiores da sua diplomacia (e que Trump pode querer reverter). O pós-castrismo permanece como uma ditadura mais orwelliana que sangrenta à Pinochet e que transformou os cubanos nos mestres da dupla personalidade e do duplo discurso (um para fora e um para dentro de casa). Mas o agora desaparecido Fidel é a última grande figura da Guerra Fria a desaparecer, um líder que conseguiu desafiar com sucesso os EUA durante décadas e, antes de degenerar num déspota, fora a esperança dos revolucionários da América Latina. O castrismo radical, ou seja ou guevarismo, inspirou a esquerda não PC nos anos 60 em todo o mundo, incluindo movimentos armados de libertação no Terceiro Mundo.

Ofensiva contra o Estado islâmico

Os islamo-fascistas estão apanhados em tenaz pelo cerco da sua última cidade no Iraque (Mossul) e a perda de controlo do último troço da fronteira da Síria com a Turquia por onde infiltravam homens e material e contrabandeavam petróleo e antiguidades. Com a agravante de as ligações entre as duas metades do “califado”, a síria e a iraquiana, estarem praticamente cortadas, pelo menos para movimentações em larga de escala de viaturas e homens, contrabandos, etc. Não é o fim do Daesh mas o começo do fim.

Revelações de pedofilia no futebol inglês

É uma espécie de "Spotlight" no futebol inglês: depois do ex-jogador Andy Woodward revelar recentemente os abusos sexuais que sofreu por parte do antigo treinador Barry Bennel, no Crewe Alexandra, nos anos 80 e 90, centenas de vítimas denunciaram casos semelhantes. A polícia britânica está a investigar mais de 80 pessoas e mais de 98 clubes, que suspeita terem estado envolvidas em pedofilia no futebol de formação, possivelmente contando com o encobrimento de clubes e da Federação inglesa. 

Terrorismo na Europa

Após os atentados de Bruxelas (22 de Março) que são a mais recente ação espetacular de células jiadistas organizadas e armadas na Europa, segue-se uma constelação de atentados na Europa mas também nos EUA, em larga medida cometidos por “lobos solitários” ou indivíduos isolados mas auto-doutrinados na ideologia do Daesh e que nalguns casos (camião de Nice) não são menos sangrentos. Esta onda de mini ou micro-atentados não deixa de alimentar os nacionalismos, xenofobias, etc, na Europa.

Vaga de refugiados na Europa

Atingiu o ponto mais crítico em 2015, mas permanece como uma bomba-relógio às portas da Europa, por um lado alimentando demagogias xenófobas e ultra-nacionalistas, por outro causando fissuras na UE (como os muros de Orbán na Hungria) e abalando eleitoralmente a própria Merkel na Alemanha. Com a Líbia sem rei nem roque as travessias e afogamentos em massa no Mediterrâneo continuam. O acordo Europa-Turquia sobre refugiados é letra morta e Grécia e Itália estão semi-falidas com os custos do acolhimento.

Angela Merkel

Os dois anos anteriores haviam revelado o lado Wolfgang Schäuble da chanceler: austeridade e equilíbrio orçamental como dogmas, pressão sobre a Grécia, intransigência ralativamente aos PIIGS, etc. Nesta fase destacou-se na política externa fazendo frente comum com Hollande na negociação de um cessar-fogo na Ucrânia (acordos de Minsk). Com a crise dos refugiados revelou-se o lado solidário de Merkel, ao arriscar o lugar e a popularidade por defender o acolhimento de refugiados e ao ser eleitoralmente penalizada por isso. Com a saída de cena de Hollande e o ocaso (temporário, ou não, de Renzi) Obama, ele próprio de saída, parece ter-lhe querido transmitir o facho de líder do mundo livre.

Boris Johnson

Um dos rostos da campanha do Brexit, tal como Farage do UKIP. Politicamente abalado ao desistir de concorrer à liderança do partido conservador britânico, no pós-Brexit. A nova líder Torie Theresa May repesca-o para ministro dos Estrangeiros, o que não deixa de ser irónico para alguém que nunca se mostrou capaz de moderar os excessos de linguagem (recorde-se o poema satírico sobre Erdogan e as cabras). Capacidade de sobrevivência não lhe falta.

Donald Trump

A ascensão meteórica de um milionário do imobiliário e figura de “reality shows” à alta política, começando por cilindrar o “establishment” republicano e depois a candidata democrata que parecia imbatível (e as sondagens apostavam claramente na vitória de Hillary Clinton). Contudo, do ponto de vista da sociologia eleitoral, convém ressaltar que no voto popular ficou dois milhões abaixo de Hillary e que há quatro anos Romney tivera mais votos do que agora Trump e perdera para Obama… Uma campanha eficaz porque centrada nos estados-chave que decidiam estas eleições, nomeadamente onde havia operariado branco e classe média descontente com a globalização: deslocalizações e falências de fábricas, crise da banca, etc. Uma campanha muito baseada na “pós-verdade”, nos sound bites, na intriga e na veiculação de boatos e intrigas nas redes sociais e onde os media de referência foram instrumentalizados. Um “doping” para os populistas e xenófobos em todo o mundo, das Filipinas à Europa. E um saco de incertezas quanto à política externa americana, os equilíbrios globais, a guerra na Síria, o Mar do Sul da China e, claro, o comércio e a economia internacionais.

Juan Manuel Santos

Um presidente colombiano que, ao contrário do seu antecessor, Alvaro Uribe, apostou numa estratégia de redução dos níveis de violência no combate à guerrilha, nomeadamente das FARC. Liderou um processo de negociações de paz que acabou por ser bem-sucedido, pondo termo a quase meio século de guerra civil. Conseguiu superar o revés de o processo de paz ser chumbado em referendo (por questões relativamente laterais), mantendo o diálogo com as FARC (agora estendido a outros grupos armados como o ELN) e conseguindo que o parlamento aprovasse por unanimidade uma nova versão do acordo. Um indiscutível Prémio Nobel da Paz.

Matteo Renzi

Um furacão político que chegou a lembrar a pujança de Tony Blair nos tempos da Terceira Via. A principal referência da esquerda europeia à medida que a estrela de Hollande empalidecia. Mas um estilo kamikaze que falhou rotundamente na revisão da constituição e do sistema político italianos por referendo. Tal como David Cameron, brincou com o fogo e queimou-se. Terá segundo fôlego? Uma coisa é certa: viu de certeza a série de TV “House of Cards” e isso é um trunfo.

Recep Erdogan

Começou como a grande figura de uma espécie de terceira via entre a democracia à ocidental e o islão político, ou seja como uma Primavera Árabe (salvo seja, porque os turcos não são árabes) bem-sucedida. Contudo, perante as dificuldades externas (guerra na Síria) e internas (atentados do Daesh, reacção curda, reacendimento da guerra com o PKK curdo e vaga repressiva após derrota do golpe de estado) acentuou-se a deriva autocrática de Erdogan, mais perto de se transformar num déspota oriental do que num modelo para a democratização do Médio Oriente. E que faz chantagem com a Europa ao pretender trocar o acolhimento de refugiados sírios por concessões em matéria de integração europeia que, de resto, ele próprio inviabiliza ao querer o reintroduzir a pena de morte.

Vladimir Putin

Um mestre da contra-informação e da conspiração internacional, ou não tivesse começado carreira no KGB da era soviética. Orquestra ciber-ataques nos EUA e na Europa, inclusive em períodos de eleições. Joga contra o tempo, ao tentar consolidar a situação do seu vassalo Assad na Síria antes que Trump tome posse. Mas internamente enfrenta uma situação de crise económica, seja devido à quebra da cotação do petróleo e gás, seja devido às sanções ocidentais (por causa da anexação da Crimeia e apoio aos rebeldes do leste da Ucrânia). Disso tenta culpar o Ocidente mas a forma como a sua aviação intervém na Síria faz os ataques de drones americanos parecerem um exemplo de moderação, mostra a falta de qualidade do seu material de guerra e sobretudo que não tem forças para se envolver em mais de um teatro de operações de cada vez (ou Ucrânia ou Síria). Mas isso não o torna menos perigoso nem menos ameaçador para a paz mundial, com a agravante de novos (ou prováveis) líderes ocidentais, de Trump a Fillon, serem muito mais contemporizadores com Moscovo. 

Consolidação da geringonça

A maioria dos prognósticos davam como frágil a solução conjunta assinada entre PS, PCP e Bloco, que sustentam o Governo de António Costa no Parlamento. O proprio líder comunista fez questão de dizer, desde o início, que o acordo só garantia a aprovação do primeiro Orçamento de Estado. Mas já lá vão dois OE's aprovados (cá dentro e em Bruxelas) e mais de um ano de governação socialista, sem que haja sinais de abalos na coligação. Ao leme, António Costa tem sabido encontrar o ponto de equilíbrio, tanto na negociação com os parceiros de esquerda como na relação com Bruxelas. Até o Congresso do PCP veio avalizar o compromisso assumido em 2015, prometendo colaboração com o PS sempre que necessário. Também da parte do BE, mesmo com assumidos "arrependimentos" de Catarina Martins, está longe de se mostrar disposto a roer a corda. A cola que une esta inesperada coligação é mais forte do que se julga e os últimos meses comprovaram-no. E o objetivo comum de evitar o regresso da direita ao poder faz das fraquezas uma força política.

Eleição de António Guterres para secretário-geral da ONU

Pela primeira vez, um cidadão português chega a um ponto tão alto na hierarquia das instituições internacionais. Apesar da tendência que dava como certa a eleição de uma mulher para o cargo, António Guterres acabaria por impor-se, mesmo sobre a candidata de última hora, a búlgara Kristalina Georgieva, então vice-presidente da Comissão Europeia. Na primeira vez em que a escolha do secretário-geral foi feita através de um sufrágio exigente, Guterres ficou à frente em todas as votações preliminares, antes de receber a unanimidade dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança, e com isso o consenso de todos os estados membros da ONU. Mas uma vitória que se deveu sobretudo ao mérito do candidato (e ao seu legado como Alto Comissário para os Refugiados, cargo que desempenhou durante uma década), teve também um apoio importante da diplomacia portuguesa, que trabalhou diligentemente nos bastidores. Em Portugal, da esquerda à direita, do Governo (e seus apoiantes) à oposição, da sociedade civil à Presidência da República, todos estiveram ao lado de Guterres.

Folhetim da Caixa Geral de Depósitos

O Governo PS tinha dois problemas para resolver: recapitalizar a Caixa Geral de Depósitos (CGD) e encontrar uma nova administração com força suficiente para levar a cabo essa tarefa juntamente com a reestruturação do banco público. António Domingues parecia o homem certo para o lugar certo: apresentou contas, desenhou uma reestruturação, propôs uma equipa e colocou condições. Foi tudo aceite pelo Ministério das Finanças. Na frente europeia, o Governo teve a sua maior vitória na questão que parecia mais difícil: a recapitalização (quase só) com dinheiro público e, provavelmente (não é garantido), sem impacto no défice. Na frente interna (com acesa contestação política de PSD e CDS ao rumo seguido por António Costa), o Governo arranjou os maiores problemas onde o problema parecia estar resolvido. Ao mudar uma lei propositadamente para poupar a administração da CGD às obrigações dos gestores públicos, as Finanças esperavam poupar Domingues e a sua equipa à obrigação legal de declarar rendimentos e património. O nível salarial da nova administração levantou um primeiro imbróglio político, mas a denúncia do tratamento de excepção em termos de transparência, feita por Marques Mendes, acabou por ser fatal. Domingues só apresentou a declaração de rendimentos e património no dia em que se demitiu. Depois de três meses de polémicas, o Governo recorreu ao ex-ministro do PSD  e ex-responsável pelo Fisco Paulo Macedo.

Futebolistas apanhados em evasão fiscal

Cristiano Ronaldo, Fábio Coentrão, Ricardo Carvalho, Pepe. Estamos habituados a vê-los como heróis, mas, nesta história, todos passaram a vilões. Os internacionais portugueses, assim como outros craques estrangeiros como Radamel Falcao e Di Maria (todos ligados ao agente Jorge Mendes), estão a ser investigados por evasão fiscal por terem ocultado rendimentos tributáveis, revelou a investigação "Football Leaks",  que a European Investigative Collaborations levou a cabo em parceria com o Expresso, a partir de dados obtidos pela revista alemã “Der Spiegel".

Incêndio no Funchal

Em agosto, uma combinação fatal de ventos fortes, baixa humidade e altas temperaturas provocou um conjunto de incêncios na Madeira que atingiu vários concelhos mas sobretudo o município e cidade do Funchal. O que começou por ser um incêndio florestal, com origem criminosa nas serras sobranceiras à capital da Madeira, acabou por se descontrolar, queimando cada vez mais área florestal e descendo pelo anfiteatro do Funchal até chegar ao coração da cidade. No final da tarde e noite de 9 de agosto, quando foi atingida a Igreja de São Pedro, num dos centros históricos do Funchal, população e autoridades temeram que o fogo alastrasse pela cidade. O pior cenário não se concretizou, mas foi um incêndio histórico, que provocou três mortos, dois feridos graves e mais de mil deslocados. Os prejuízos materiais foram calculados em cerca de 61 milhões de euros apenas no Funchal, entre casas privadas, empresas e infraestruturas públicas. Foram também atingidos com gravidade os concelhos de Calheta, Ponta de Sol e Ribeira Brava.

Megacontratos dos direitos televisivos de Benfica, Sporting e FC Porto

Em dezembro de 2015, a Nos deu o pontapé de saída na guerra pelos conteúdos desportivos depois de ter tido a indicação de que a Altice, dona da PT e da Meo, se preparava para fazer o mesmo. Assinou um acordo com o Benfica através do qual paga a este clube 400 milhões de euros por 10 anos para transmitir os seus jogos. A Meo contra-atacou e assinou um acordo com o FC Porto por 457 milhões por dez anos, referente aos jogos e a patrocínios. E a NOS assinou com o Sporting, por 515 milhões, referentes a 12 temporadas. Um ano de verdadeira loucura de números nesta matéria.

Mortes nos comandos

Hugo Abreu e Dylan Silva caíram durante o primeiro dia do 127º curso de comandos e nunca mais se levantaram. Morreram aos 20 anos, vítimas de um golpe de calor e da negligência ou exagero de quem tinha de cuidar deles: o exército. O caso levou à detenção de sete militares, entre os quais o médico e os enfermeiros responsáveis pela saúde dos instruendos e três oficiais encarregados dos treinos. A procuradora do Ministério Público que investiga o caso acusou os militares suspeitos de agirem com “ódio irracional” e de tratarem os instruendos como “descartáveis”. Os suspeitos foram interrogados e libertados e aguardam em liberdade o desenrolar do processo. O exército abriu processos disciplinares que ainda não estão concluídos. O comandante dos comandos chorou no dia em que entregou a boina vermelha aos 23 militares que conseguiram concluir o curso. Começaram 67.

Vitória de Portugal no Euro 2016

Unida em torno de um líder cheio de fé (Fernando Santos) e de um capitão que foi sempre referência (Cristiano Ronaldo), a seleção portuguesa de futebol surpreendeu ao conquistar pela primeira vez um grande troféu internacional de seleções: o Europeu, em França. Sem derrotas. Depois de ultrapassar Hungria, Islândia, Áustria, Croácia, Polónia e País de Gales, Portugal sofreu a bom sofrer na final (e até ficou sem Ronaldo, por lesão, quase desde o início do jogo, que por isso foi dramático), mas sobrepôs-se à anfitriã França, através da força do coletivo e de um herói inesperado chamado Eder. No regresso a Portugal, os campeões foram recebidos num clima de rara euforia. Já as várias gerações de portugueses e de luso-descendentes que residem em França viveram, possivelmente, os mais felizes dias das suas vidas. A vitória no Europeu, concretizada no dia 10 de julho, foi o culminar de mais de um mês de fortes emoções, que os portugueses (os que seguem o futebol e os outros), os que vivem cá e os espalhados pelo mundo, viveram na ilusão de conquistar um título que sempre escapara. Campeões da Europa e com a autoestima em alta.

António Costa

Contra todas as previsões, a geringonça, uma construção aparentemente frágil, mostrou-se resistente ao tempo e aos obstáculos. No Governo, é um One Man Show, em grande parte devido ao seu talento de negociador. António Costa equilibrou reivindicações dos parceiros da esquerda com as exigências europeias e fez aprovar dois orçamentos, ao mesmo tempo que garantiu a paz social e resolveu, a duras penas, alguma parte dos problemas financeiros. O seu calcanhar de Aquiles, os resultados económicos, tardam em chegar, apesar dos bons números do terceiro trimestre. É hoje o líder incontestado do PS, continua em alta nas sondagens e conta com uma oposição que tem dificuldades em fazer-lhe mossa.

António Guterres

É o português que mais longe conseguiu chegar num cargo internacional. Um trabalho em que a diplomacia portuguesa se empenhou bastante, mas cujo resultado foi sobretudo fruto do mérito do candidato. Apesar da forte tendência que dava como certo que, agora, seria a vez de uma mulher e do leste à frente das Nações Unidas, António Guterres, que partiu da “pior condição possível, homem e ocidental”, impôs-se. Acabou por ser escolha unânime dos cinco membros permanentes, tendo sido sempre o candidato mais votado em todas as votações preliminares. No discurso de prestação de juramento, Guterres apresentou uma agenda ambiciosa: entre outras medidas, quer a reforma da Nações Unidas e exige o avanço imediato de medidas contra o aquecimento global (este um dossiê em que o novo secretário-geral da ONU estará em rota de colisão com o futuro inquilino da Casa Branca).

Cristiano Ronaldo

Foi um ano de sonho para Ronaldo: venceu a Liga dos Campeões com o Real Madrid, marcando o penálti decisivo da final, venceu o Europeu com Portugal, assumindo-se como um verdadeiro capitão, e conquistou a quarta Bola de Ouro da carreira, à qual ainda pode acrescentar o prémio FIFA para melhor jogador do mundo em 2016. Aos 31 anos, o internacional português está na melhor forma de sempre. Só não é um ano perfeito porque Ronaldo está a ser investigado pela justiça espanhola por alegada evasão fiscal, já que terá ocultado em offshores dezenas de milhões de euros de receitas tributáveis.

Fernando Santos

O engenheiro do Euro ganhou um lugar na história do desporto português, ao conduzir a seleção de futebol a uma conquista inédita. Contratado no final de 2014 para substituir Paulo Bento, guiou a equipa numa fase de qualificação perfeita - seis jogos, seis vitórias - e uniu os jogadores em torno de um objetivo que parecia inalcançável: a conquista do Europeu. Já em França, foi o primeiro a declarar, em alto e bom, que acreditava na vitória, quando prometeu que só regressaria a Portugal a 11 de julho (no dia seguinte à final). A caminhada em terras francesas foi sofrida, com muitos empates e vitórias arrancadas a ferros, jogos em que se notou sempre o dedo do treinador. Depois de uma carreira bem sucedida em clubes (sobretudo no FC do Porto e no Panathinaikos, da Grécia), teve depois um excelente desempenho à frente da seleção helénica. Mas a consagração teve-a Fernando Santos em 2016, no banco de Portugal, sendo um dos três nomeados para melhor treinador do ano.

Jerónimo de Sousa

O secretário-geral do PCP viu, neste ano, reforçada a sua liderança com uma vitória esmagadora no Congresso. Não se tratou, apenas, de um gesto de simpatia para com o homem que, há 12 anos, comanda os destinos do mais velho partido da democracia portuguesa. O encontro serviu, também, para os comunistas ratificarem a estratégia liderada por Jerónimo de Sousa, a qual permitiu o acordo político que levou o PS ao poder. Uma estratégia cheia de riscos, desde logo o de quebrar a longa tradição de 40 anos que fazia a esquerda clamar por entendimentos, mas sem nunca os concretizar. Jerónimo 'jogou' forte e avançou. Marcou posição para dentro do próprio partido - onde as vozes que eternizavam o PS como inimigo político ainda se faziam ouvir. Mas, também, para fora. Conseguiu o reconhecimento de que o PCP é um dos pilares da solução política encontrada e um aliado indispensável para António Costa continuar no poder. Marcou as diferenças com o Bloco de Esquerda e reafirmou a ideia de que os comunistas são capazes de honrar os compromissos assumidos, são negociadores implacáveis e persistentes. No final, somou vantagens na devolução de rendimentos e direitos, arrecadando para o PCP vitórias sobre o programa do Governo do PS que não queria ir tão longe nem tão rápido. E, mesmo assim, foi.

Marcelo Rebelo de Sousa

Depois de várias experiências políticas falhadas e sem nunca ter conseguido cumprir o sonho de ser primeiro-ministro, Marcelo Rebelo de Sousa candidatou-se a Presidente da República de forma nunca vista para um vencedor - sem apoio de nenhum partido e tendo o líder do seu próprio partido contra si - e abanou o país com um discurso diferente. Numa campanha solitária, contra as regras, quase sem meios e com uma palavra-chave - Afetos - Marcelo arriscou ser diferente e ganhou. Chegado a Belém, com o país político crispado, continuou afetuoso, informal e diferente, e chamou a si duas tarefas: desdramatizar, puxar pela auto-estima dos portugueses e dar estabilidade ao Governo. Ao primeiro-ministro colocou uma exigência inegociável: cumprir na Europa. E Portugal, aparentemente, melhorou. Ao fim de quase um ano de mandato, Marcelo viu a popularidade estratosférica que trazia da TV continuar a subir. Um Presidente pop-star, cá dentro e lá fora. Neste arranque de mandato, está de certa forma a redesenhar os papéis do cargo presidencial.

Paulo Macedo

Depois das polémicas que afetaram a Caixa no curto mandato de António Domingues, Paulo Macedo foi apontado como o homem certo para pôr ordem na casa. Uma espécie de Desejado, para muitos. O seu currículo  fala por si: Começou a dar nas vistas como diretor geral dos impostos, passou depois pelo BCP como administrador e no anterior governo foi ministro da saúde. Agora, como presidente executivo da CGD, tem de estabilizar o banco e prosseguir com a reestruturação e recapitalização aprovadas pelos supervisores financeiros.