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Expresso

Sociedade

Doentes com cancro devem ter liberdade de escolha

Luís Barra

Peritos responsáveis pelo estudo “Cancro 2020 - Podemos fazer ainda melhor” defendem que o Serviço Nacional de Saúde tem de garantir livre acesso aos tratamentos oncológicos, seja qual for a área de residência da população

São dez as recomendações apresentadas por especialistas nacionais para "fazer ainda melhor" na prestação do Serviço Nacional de Saúde (SNS) relativa à prevenção e ao tratamento das doenças oncológicas. A mais recente edição do estudo "Cancro 2020" tem como conclusão principal que "todos os doentes devem receber a mesma qualidade de tratamento independentemente do hospital onde são seguidos". O documento é apresentado e discutido esta terça-feira em Lisboa.

Na quarta edição, a investigação determina a definição de medidas que permitam verdadeiramente garantir que os doentes com cancro são bem tratados. "Pretendemos contribuir para a redefinição dos modelos organizacionais e de financiamento, numa altura em que o SNS depende da capacidade das instituições para trabalharem em conjunto numa estratégia verdadeiramente orientada para as necessidades dos doentes e para a criação de valor em saúde", afirma a investigadora principal do trabalho, Rute Simões Ribeiro da Escola Nacional de Saúde Pública.

Elaborado com a participação de associações de doentes, médicos, administradores hospitalares, investigadores e representantes das farmacêuticas, entre outros, o documento – patrocinado pelo laboratório Roche – é debatido esta terça-feira no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Além da participação do investigador e diretor do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto Sobrinho Simões. da presidente da Sociedade Portuguesa de Oncologia Gabriela Sousa, e da escritora e economista Helena Sacadura Cabral, a sessão contará com elementos da tutela – nomeadamente o presidente do Infarmed, Henrique Luz Rodrigues, e o próprio ministro da Saúde Adalberto Campos Fernandes.

Recomendações

* As instituições devem ser organizadas em função e benefício do doente

* Todos os doentes devem receber a mesma qualidade de tratamento, independentemente do hospital onde são seguidos

* Todos os doentes devem ser ouvidos e avaliados por equipas multidisciplinares

* Portugal deve ter uma rede de cuidados de excelência em Oncologia

* Deve ser criado um sistema de informação oncológico nacional com indicadores comparáveis

* É necessário garantir o acesso rápido e ágil aos novos medicamentos

* Devem ser avaliados os resultados de experiências nacionais e internacionais em inovação terapêutica e organizacional

* O financiamento dos hospitais deve abranger os ganhos em saúde para os doentes e sociedade

* Os doentes devem poder escolher livremente onde querem ser tratados

* Os profissionais de saúde devem aprender a explicar com clareza aos doentes a sua situação usando linguagem comum