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Sociedade

Confederação do Turismo critica greve dos seguranças dos aeroportos

José Caria

A greve de três dias ocorrerá durante o período que antecede a passagem de ano. Os trabalhadores dos aeroportos das empresas de segurança Prosegur e Securitas reivindicam que o novo Contrato Coletivo de Trabalho garanta um aumento salarial para os próximos dois anos

A Confederação do Turismo Português receia que a greve dos trabalhadores da Prosegur e Securitas nos aeroportos venha a provocar um prejuízo muito grande" ao setor, vindo, nesta altura, “completamente em contraciclo”.

“Independentemente das greves serem um direito que existe, independentemente de chamarem a atenção para os problemas das pessoas que as estão a fazer, temos que ter muito cuidado quando estas greves extravasam completamente aquilo que está em causa e vêm prejudicar muito uma atividade que hoje em dia - não é demais recordá-lo e penso que todos concordam - tem sido um dos setores que mais tem contribuído para o desenvolvimento do país”, disse o presidente da CTP, Francisco Calheiros, à Lusa.

À margem do 42.º Congresso Nacional da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo, que terminou no domingo em Aveiro, o responsável frisou que a atividade turística “é aquela que, de facto, cria emprego líquido”.

Os trabalhadores dos aeroportos das empresas Prosegur e Securitas vão fazer greve em 27, 28 e 29 de dezembro por ainda não haver acordo sobre o novo Contrato Coletivo de Trabalho, disse, na quarta-feira passada, o coordenador do SITAVA à Lusa.

“Nestas alturas e quando se anunciam greves de três dias, e três dias esses que coincidem com o final do ano - altura de verdadeiro pico [de atividade turística] em que não há alternativas, temo que [uma paralisação] possa ter um impacto muito grande e que vá ser um prejuízo muito grande”, acrescentou Francisco Calheiros.

Para o presidente da CTP, “muito mais importante que os três dias de greve” é a imagem que se passa, “são os outros dias”.

“Já dissemos isto no passado quando houve greves de outros departamentos, de outras empresas, e que atingiam o verão: quando nós estamos a tentar marcar férias - seja eu um português para ir para fora ou um estrangeiro para vir para cá - e não o conseguimos fazer, nunca nos iremos esquecer e não o vamos repetir. Muito mais grave que o impacto dos três dias - que é muito grande - é o que vem a seguir”, considerou o responsável.

“Numa altura em que estávamos a ter alguma paz social, em que não se ouvia falar de greves, acho que isto vem completamente em contraciclo e vem prejudicar muito o turismo português”, acrescentou.

Questionado se a CTP vai fazer alguma coisa para tentar minimizar o impacto, Francisco Calheiros disse: “no seio da confederação - que tem o setor extraordinariamente representado - está-se em contactos. Até na Concertação Social, onde temos assento com os sindicatos, estamos disponíveis para o que for necessário”.

Os trabalhadores dos aeroportos das empresas de segurança Prosegur e Securitas querem que o novo Contrato Coletivo de Trabalho garanta um aumento salarial para os próximos dois anos, além de melhoria das condições de trabalho, tempos de trabalho, segurança e saúde.

Os trabalhadores das empresas Prosegur e Securitas são quem assegura o raio-x da bagagem de mão e o controlo dos passageiros e também dos trabalhadores dos aeroportos, pelo que uma greve poderá ter impacto no tráfego aeroportuário, sobretudo durante esta época festiva.

Em agosto os trabalhadores da Prosegur e da Securitas fizeram uma greve que causou perturbação nos aeroportos e levou as companhias aéreas a pedirem aos passageiros para que chegassem com muita antecedência aos aeroportos.

Agora, fonte oficial da TAP disse à Lusa que a companhia vai esperar a indicação dos aeroportos para aconselhar os seus clientes quanto aos eventuais impactos que a greve destes trabalhadores possa causar.