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Iodo na gravidez: sim ou não?

Caiaimage/Tom Merton/ Getty Images

De tempos a tempos, fala-se em tornar 
obrigatória a toma de iodo durante a gravidez. Afinal, o que é este oligoelemento?

Quem já esteve grávida sabe que existem suplementos que têm de se tomar forçosamente durante estes nove meses — às vezes até antes —, como o ácido fólico. Algumas pessoas mais informadas sabem também que é aconselhável tomar iodo (iodeto de potássio), um oligoelemento essencial à vida humana, e cuja carência pode ter consequências graves a nível do desenvolvimento cerebral do feto. Em Portugal, desde 2013 que a Direção-Geral de Saúde “recomenda” (não de modo obrigatório) que “as mulheres em preconceção, grávidas ou a amamentar recebam um suplemento diário de iodo, sob a forma de iodeto de potássio (150 a 200 μg/dia, desde o período preconcecional, durante toda a gravidez e enquanto durar o aleitamento materno exclusivo”.

Mas, afinal, o que é o iodo, e quais são os seus efeitos no organismo? Perguntámos a um médico obstetra, Pedro Sereno. Ele explica: “O iodo é um oligoelemento essencial à vida humana, obtido através da alimentação e acumulado na glândula tirodeia, onde entra na biossíntese das hormonas tirodeias. Estas são responsáveis pela homeostasia do metabolismo celular, e desempenham um papel determinante no desenvolvimento cerebral, cujo pico ocorre durante o período fetal e nos dois ou três primeiros anos de vida. As grávidas são um grupo de risco para défice de iodo, dado o aumento das suas necessidades durante a gestação e o aumento da sua excreção a nível renal. A carência grave deste elemento poderá, em situações mais extremas, causar cretinismo (deficiência mental provocada por hipotiroidismo congénito) e lesão cerebral irreversível na gravidez. O feto só é capaz de produzir as suas próprias hormonas tiroideias a partir das 20 semanas de gestação, pelo que se torna particularmente vulnerável às alterações provocadas pelas deficiências de iodo numa fase precoce da gravidez”, esclarece.

A questão da toma do iodo é tão mais premente quanto “estudos nacionais recentes (2010) demonstraram níveis inadequados de iodo em grupos de risco, nomeadamente nas grávidas e lactentes.” Apenas 17% das mulheres portuguesas tinham valores de iodo que estavam de acordo com as recomendações da Organização Mundial de Saúde. “Muitas questões continuam ainda por responder, em especial, se a iodização universal do sal poderá eliminar a necessidade de suplementação específica”, complementa o médico. O iodo obtém-se naturalmente através de uma dieta rica em peixe (cavala, mexilhão, bacalhau, salmão) e produtos lácteos. Mas esta parece não ser suficiente em Portugal, onde o consumo de iodo permanece inferior ao ideal. Por isso, os obstetras recomendam a toma suplementar de iodo durante a gravidez e amamentação. Não custa nada prevenir.