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Toyota C-HR: Estilo nipónico para a Europa 

Há vários anos que a Toyota assumiu um design conservador, a apontar a uma clientela madura. Mas a história parece estar a mudar e o primeiro sinal chega sob a forma de um SUV. O C-HR quer assumir um design desportivo e irreverente, para condutores mais jovens. O jornalista Rui Pedro Reis foi conhecer o C-HR e verificar se a dinâmica do novo modelo acompanha a audácia do design

Rui Pedro Reis/SIC em Madrid, Espanha 

Foi uma das estrelas do Salão Automóvel de Paris. O Toyota C-HR não passou despercebido. Design arrojado, compacto e SUV. Ou seja, os ingredientes essenciais para vingar num mercado onde a concorrência é forte. Quem o vê por fora não se apercebe logo que tem dimensões idênticas ao Nissan Qashqai, mas a verdade é que tem 4,36m. A designação C-HR significa Coupé High Rider. Ou seja, um coupé mais alto. Na verdade, tem mais de SUV que de Coupé. Por dentro, o espaço surpreende. Atrás, os vidros laterais têm pequenas dimensões e a visibilidade para os passageiros não é a melhor. Pode ser um pouco claustrofóbico, mas isso não chega para estragar a experiência a bordo, já que o ambiente é assumidamente jovem e descontraído. À frente, o tablier destaca-se com um design arrojado. O ecrã de 8” do sistema de info-entretenimento está em posição elevada. Os bancos são envolventes e os pormenores de acabamento revelam uma aposta na qualidade, ainda que persistam alguns plásticos menos agradáveis ao toque. Há três níveis de equipamento: Active (apenas no motor 1.2T), Comfort e Exclusive. O C-HR incorpora as tecnologias Toyota Safety Sense: Sistema de Pré-colisão, Cruise Control Adaptativo com função de seguimento até à velocidade máxima, Alerta de mudança de faixa de rodagem, Luz de Máximos com controlo automático e Reconhecimento de sinais de trânsito.

Aposta no híbrido

A Toyota orgulha-se de ter sido a percursora dos motores híbridos e a aposta é para continuar. A prova disso é a oferta de motores na gama C-HR. Não há motores diesel e a grande aposta é o 1.8 HSD um bloco híbrido com caixa CVT. Tem 122cv a que se junta um motor elétrico com 53kw. A caixa é de variação contínua. Em opção existe o motor 1.2T, mas a marca assume que 80% a 90% das vendas vão ser com o motor híbrido. Basicamente, é o sistema que já conhecemos do Toyota Prius, mas numa nova versão com alguns melhoramentos. A capacidade mantém-se, mas a dimensão da bateria foi reduzida em 10%. O motor foi também trabalhado e a eficiência energética ultrapassa os 40%, o que é uma marca de referecia num bloco de combustão. Por enquanto, a marca não tem planos para a introdução de uma híbrido plug-in. A ausência de oferta diesel é um bom sinal, ainda que no mercado português a clientela mais conservadora possa ficar descontente.

O SUV que gostava de ser coupé

No design, o C-HR pode oferecer o melhor de dois mundos. Mas em movimento, há mais de SUV do que de coupé. O chassis é muito equilibrado e a suspensão faz um bom trabalho. O melhor de tudo é mesmo o comportamento em curva e o ângulo de viragem. Mas para ser um coupé, falta-lhe um motor entusiasmante. Nas estradas à volta de Madrid, o 1.2T surpreende pela suavidade, mas parece que lhe faltam alguns cavalos. Já o 1.8 HSD tem mais vitalidade. O sistema híbrido da Toyota está mais do que testado e a marca continua a insistir na opção da caixa CVT. O andamento é enérgico e o consumo anunciado é de 3,8L/100km. Nos quilómetros que fiz em Madrid, sem abusar do acelerador, não deu para descer dos 5 litros, o que mesmo assim não é mau. O pior ainda acaba por ser o ruído do motor, já que a caixa CVT faz com que a mais alta velocidade, como em auto-estrada, as rotações do motor disparem e aí desaparece a suavidade que se consegue com o motor 1.2.

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Com o mercado dos SUV ao rubro, um dos trunfos importantes do C-HR é o preço, já que com um bom nível de equipamento consegue ficar abaixo da barreira dos 30 000€. Já se sabe que a concorrência é muita e que o cliente português continua a gostar de motores diesel. Mas é tempo de olhar para o futuro e fazer bem as contas, já que não basta contabilizar o momento em que se abastece o carro de combustível. Da viagem em Madrid, ficam ainda outros dados incontornáveis. O C-HR não passa despercebido em ambiente urbano e destaca-se da maioria. A Toyota espera vender 100 mil unidades na Europa no espaço de um ano. Uma marca ambiciosa, já que continuam a chegar outras propostas igualmente tentadoras. O segmento SUV já deixou de ser um nicho.

FICHA TÉCNICA  Toyota C-HR 1.8 HSD

Motor
1798cc 
122cv 
142nm às 3600 r.p.m.

Motor elétrico
Sincrono de magneto permanente
53kw
163nm

Transmissão
Dianteira
CVT

Prestações
170km/H vel. máxima 
11,0s 0-100km/h 

Consumos
3,9L/100km ciclo misto 
87g CO2/km 

Preço:
29 850€ (1.8HSD Comfort + Pack Style)