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“Recomendações do PISA estão plasmadas no programa do atual Governo”

MÁRIO CRUZ / LUSA

Ministro da Educação mostra-se satisfeito com os resultados do estudo internacional PISA, apresentados esta terça-feira, que revelam uma melhoria dos alunos de 15 anos portugueses a ciências, matemática e leitura. Mas revela-se preocupado com a percentagem de chumbos em Portugal

É “com enorme satisfação, orgulho e sentido de responsabilidade” que Tiago Brandão Rodrigues olha para os resultados de Portugal nos testes PISA, o maior estudo que testa a literacia a ciências, matemática e leitura junto dos alunos de 15 anos de 72 países e regiões, apresentado esta terça-feira em Sintra. Apesar da satisfação, o ministro da Educação não ficou até ao final da apresentação, antecipando a sua saída “por ter outros compromissos”.

“Podemos hoje dizer que o nosso sistema educativo tem vindo a melhorar de forma gradual e consistente nesta série longa” de 2000 a 2015, afirmou esta terça-feira o ministro da Educação na sessão de apresentação do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA, na sigla inglesa).

Na verdade, os resultados de Portugal evoluíram de 459 no ano 2000 para 501 em 2015 a literacia científica, e a leitura de 470 (2000) para 498 (2015), ultrapassando significativamente a média da OCDE. Já a matemática mantiveram-se na média, passando de 454 para 492. O grande destaque vai para a progressão a ciências, com a OCDE a classificar Portugal como um dos poucos sistemas educativos com reformas bem sucedidas neste domínio.

Ainda assim, deixa esta terça-feira uma nota de preocupação: a taxa de retenção escolar ao nível dos alunos com 15 anos (9.º e 10.º anos) é demasiado elevada. “Em Portugal mais de 30% dos jovens com 15 anos já apresenta pelo menos uma retenção no seu percurso escolar e ainda demasiados apresentam mais que uma retenção”, justifica. Portugal está entre os três países da OCDE com maior taxa de retenção, só ultrapassado pela Bélgica (34%) e da Espanha (31,3%), “quase triplicando a taxa média da OCDE” (12%).

“Recomendações do PISA estão plasmadas no programa do Governo”

“Embora se critique habitualmente as várias mudanças na política de Educação, este relatório mostra que essas mudanças fazem parte de um caminho sustentado e continuado”, acrescenta Brandão Rodrigues, destacando medidas como o Plano Nacional de Leitura, Plano de Ação para a Matemática, Ciência Viva, entre outros.

Mas Tiago Brandão Rodrigues não deixa de “puxar a brasa” ao Governo de que faz parte. “As recomendações do PISA estão plasmadas no programa do atual Governo.” Ou seja, para o ministro da Educação o estudo deixa um conjunto de ensinamentos que vão ao encontro das decisões do Governo PS: “escola para todos, reforço da autonomia das escolas, consolidação da formação dos professores, programas específicos de apoio aos estudantes, garantir a educação pré-escolar”, entre outras.

Portugal de regresso ao estudo sobre qualificação de adultos

“Hoje anuncio que Portugal está de regresso ao PIAAC”, proclamou esta terça-feira o ministro da Educação. “Confirmo que faremos parte da 3ª ronda do PIAAC, que tínhamos abandonado na 2ª edição.”

Tiago Brandão Rodrigues sublinhou a relevância destes estudos e inquéritos para diagnosticar o sistema educativo português, dando pistas para o futuro. “Ainda bem que o PISA não foi abandonado, porque é uma ferramenta poderosa para avaliar as competências dos jovens a leitura, ciências e matemática.”

O PISA é promovido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), sendo coordenado em Portugal pelo Instituto de Avaliação Educativa (IAVE).