Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Portugal prepara criação de agência espacial e investe mais €30 milhões na ESA

Lançamento de um foguetão Ariane 5 na base espacial da ESA em Kourou, na Guiana Francesa: Portugal quer reforçar a sua posição na Agência Espacial Europeia

ESA

Manuel Heitor considera este projeto “um dos principais desafios para 2017”. O ministro participa em Lucerna, na Suíça, no Conselho Ministerial da Agência Espacial Europeia (ESA).

Virgílio Azevedo

Virgílio Azevedo

Redator Principal

Portugal está a preparar a criação de uma agência espacial, revelou na quarta-feira à agência Lusa o ministro da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior, que a considerou como “um dos principais desafios" para 2017. "Estamos a preparar, com as empresas, a criação de uma agência espacial", disse Manuel Heitor, sem adiantar pormenores.

O ministro adiantou, no entanto, que para Portugal se lançar "para uma maior e uma mais profunda atividade na área do espaço, tem de começar a ir para o grupo de países que têm uma agência espacial, com profissionais". Manuel Heitor falava na véspera do Conselho Ministerial da Agência Espacial Europeia (ESA), que se realiza hoje, quinta-feira e amanhã em Lucerna, na Suíça, e defendeu a necessidade "da evolução no esquema de governança" da atividade espacial em Portugal, através da criação de uma agência para o setor, onde centros de investigação e empresas nacionais estão a apostar cada vez mais.

"Nos últimos 15 anos aprendemos a trabalhar com a ESA, a lançar um conjunto de atividades que eram inexistentes em Portugal na área do espaço, dinamizou-se a atividade científica mas, sobretudo, a atividade de empresas que não existiam em Portugal e a de empresas que cresceram", . Agora, que já demos provas, "queremos alargar a participação, lançar novos desafios para a região do Atlântico e, para isso, precisamos de ter uma gestão e um sistema de governança mais adequado e moderno".

O presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), Paulo Ferrão, que acompanha o ministro na deslocação à Suíça, explicou que vai ser estudada "a viabilidade da criação de uma agência espacial em Portugal", projeto que "está dependente de vários acontecimentos", como a criação do AIR Center, o grande centro de investigação internacional projetado para os Açores, que inclui a construção de uma base espacial para o lançamento de microssatélites e a instalação de empresas do setor. Portugal é membro da ESA desde 14 de novembro de 2000 e a atividade científica e empresarial nacional no setor espacial é, atualmente, gerida num departamento da FCT, o Gabinete do Espaço.

Aumentar a contribuição para a ESA em €30,5 milhões até 2022

Ao mesmo tempo, Portugal propõe-se aumentar, em 30,50 milhões de euros, a sua contribuição financeira para a agência espacial europeia ESA nos próximos seis anos, para reforçar a participação de empresas e instituições em programas na área do espaço, revela um comunicado do Ministério da Ciência, Tecnologia e do Ensino Superior (MCTES).

O reforço do investimento representa um acréscimo de 43% relativamente ao montante atualmente comprometido no período 2017-2022. A FCT é responsável por cerca de 25% deste aumento, cabendo o restante aos Ministérios da Economia e do Planeamento e Infraestruturas.

O nosso país quer aumentar a quotização de 55,5 milhões para 86,094 milhões de euros entre 2017 e 2022. Manuel Heitor afirma que o objetivo deste reforço financeiro "é assegurar a participação de Portugal em programas de observação atlântica e de lançadores de novos satélites", em particular o Programa de Observação da Terra, para serviços para no Atlântico relacionados com o desenvolvimento do AIR Center.

O aumento da verba proposto para 2017-2022 visa igualmente o reforço do Programa de Lançadores de Satélites, no sentido de explorar as potencialidades dos Açores para ter um porto espacial e de "permitir a entrada de instituições e de empresas de Portugal no desenvolvimento de pequenos lançadores", refere o comunicado do MCTES. Portugal propõe-se também aderir ao Programa de Desenvolvimento de Experiências Científicas (PRODEX), para que empresas e instituições nacionais possam liderar projetos relacionados com instrumentação científica e tecnológica.

Pretende-se ainda reforçar a participação nacional na missão AIM, de estudo de asteroides, bem como na próxima fase da missão ExoMars, de exploração de Marte, e a continuação do desenvolvimento de "aplicações inovadoras com dados espaciais provenientes de satélites de telecomunicações (megaconstelações) e do sistema Galileo", o GPS europeu.