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Ricardo Costa é o Chefe Revelação do ano

Aos 37 anos, uma semana depois de ter conquistado a segunda estrela Michelin, Ricardo Costa, que está à frente da cozinha do The Yeatman, recebeu em Tóquio o prémio de Chefe Revelação 2016, atribuído pela cadeia Relais&Châteeaux

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

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Duas décadas depois depois de ter debutado no mundo da gastronomia a servir às mesas, Ricardo Costa foi esta terça-feira distinguido como Chefe Revelação do ano na gala anual dos Troféus Relais&Châteaux, que premeiam os melhores entre os 530 hotéis da prestigiada cadeia de hotelaria de charme, em 64 países.

Em Tóquio, no Japão, em representação do hotel vínico The Yeatman, situado em Vila Nova de Gaia, o primeiro chefe do norte do país detentor de duas estrelas Michelin foi elogiado pela sua “cozinha sensacional, que oferece uma gastronomia baseada nos produtos portugueses, apresentando-os com uma incrível competência”.

A cadeia que todos os anos distingue os hotéis de excelência em 12 categorias distintas, da inovação à política ambiental, sublinha ainda que a gastronomia de Ricardo Costa acrescenta “um toque de modernidade e criatividade aos pratos tradicionais, que conjuga com os melhores vinhos nacionais.”.

Em Tóquio, o chefe natural de Aveiro afirmou que os prémios são o reconhecimento do caminho certo trilhado por toda a equipa do The Yeatman, membro da cadeira de hotéis de charme desde 2011.

Há uma semana, Ricardo Costa referiu que a segunda estrela Michelin era uma afirmação do Grande Porto como destino gastronómico de excelência, que passou a ter quatro chefes estrelados (Pedro Lemos, do restaurante homónimo, Vítor Matos, do Antiqvvum, e Rui Paula, da Casa de Chá da Boa Nova), bem como da cozinha portuguesa ao mais alto nível.

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Amante de produtos locais e sabores tradicionais

Ricardo Costa tinha 17 anos a primeira vez que vestiu um avental, por mero acaso, quando foi trabalhar para um restaurante da terra natal para ganhar uns trocos nas férias de verão. O que era para ser uma ocupação passageira tornou-se o início de uma carreira em sentido ascendente desde que deixou os bancos da Escola de Hotelaria e Turismo de Coimbra.

Como sempre preferiu a prática à teoria, cedo abdicou de estágios académicos para mergulhar na cozinha do restaurante Santa Olaria, em Aveiro, mas o grande salto em frente deu-o ao lado de Joachim Koerper, com quem se cruzou na Quinta das Lágrimas. A convite do chefe alemão, Ricardo Costa foi trabalhar para o restaurante duas estrelas El Girasol, em Alicante, antes da primeira aventura a solo, em 2004, no The Portal, restaurante de cozinha portuguesa, em Londres.

“Uma experiência muito boa mas muito curta”, contou ao Expresso, interrompida em julho de 2005, após o rebentamento de uma bomba na estação de Aldgate, perto da casa que partilhava com a mulher, grávida na altura.

Regressou a Portugal para trabalhar no restaurante do Vidago Palace, seguindo depois para o restaurante Largo do Paço, da Casa da Calçada, em Amarante (uma estrela Michelin). Em novembro de 2006, dois meses depois da sua entrada, o restaurante perdeu a distinção, algo que não deseja a ninguém. “É como descer de divisão”, recorda, não adivinhando que uma década depois exibiria, não uma mas duas estrelas.

O brilho da primeira estrela chegou em 2008, ainda no Largo do Paço, prémio que não deixa escapar desde 2011 ao serviço do The Yeatman.

Fã de produtos locais e sabores tradicionais, elege a caldeirada de enguias, a chanfana e as cataplanas como três dos seus pratos preferidos. “O que temos de melhor são os nossos produtos, do peixe ao marisco, da carne aos queijos, do azeite aos vinhos”, elenca o chefe, que não gosta que titulem a sua cozinha de gourmet, termo que associa “às batatas fritas”. Como cartão de visita prefere “cozinha portuguesa sofisticada”. Na parte de trás, acrescentaria “usando técnicas atuais e matéria-prima do melhor tipo”.