Siga-nos

Perfil

Expresso

Sociedade

Portugal com subida recorde nas notas de Matemática do 4.º ano

Marcos Borga

Há 20 anos, na primeira edição do estudo internacional TIMMS, Portugal ocupou a antepenúltima posição num total de 17 países. Agora ascende ao 13º lugar em 49 estados e regiões. Ficou à frente da Finlândia. A Ciências os resultados são bem mais modestos e pioraram em relação ao último último estudo

Sofia Miguel Rosa

Sofia Miguel Rosa

Jornalista infográfica

Para Portugal, as notícias dificilmente podiam ser melhores: nos testes internacionais que avaliam o conhecimento dos alunos a Matemática no 4º ano o país não só ocupa uma posição na primeira metade da tabela (13ª num total de 49 países e regiões) como os seus alunos tiveram a maior progressão de todos comparando com os dos outros países que também tinham participado na primeira edição do TIMMS (Trends in International Mathematics and Science Study), em 1995. Nesta última edição, o seu desempenho médio foi superior a países como a Finlândia, Polónia, Alemanha ou Espanha.

O TIMMS é uma das mais antigas avaliações internacionais na área da Educação e, ainda que não tenha a projeção do PISA – cujos resultados de 2015 serão conhecidos na próxima semana -, não deixa de ser outro dos grandes barómetros do nível em que os alunos de cada país se encontram.

De uma nota globalmente insuficiente (442 pontos, bem abaixo dos 500 pontos definidos como ponto central da escala do TIMMS) os alunos portugueses passaram em 2011 para os 532 pontos e em 2015 para uma média de 541. Com esta subida de 99 pontos em duas décadas, os resultados médios passaram de um nível "baixo" a quase "elevado" (a partir dos 550 pontos).

Além de testar o conhecimento a Matemática, o TIMMS, que se realiza de quatro em quatro anos, avalia ainda o que sabem os alunos a Ciências, tanto no 4º como no 8º ano (Portugal não participa a este último nível). E há ainda o TIMMS Advanced (ver textos relacionados).

A ciências, no entanto, as notícias não são tão boas: os resultados baixaram entre as participações de 2011 e 2015 e a posição no ranking internacional é modesta, tendo o país descido da 19ª para a 32ª. Se a comparação for com há 20 anos, a evolução é mais positiva e houve uma melhoria de desempenhos de 56 pontos.

Em termos gerais, os rapazes portugueses tiveram melhores prestações a matemática e a ciências do que as raparigas, seguindo a tendência internacional. E as diferenças esbateram-se apenas ligeiramente comparando com 2011, nota o Instituto de Avaliação Educativa (IAVE), responsável por aplicar os testes em Portugal.

Por regiões, apurou ainda o IAVE, Leiria, Alto Minho e Cávado são as que apresentam médias mais elevadas, tanto a Matemática como a Ciências. Já Tâmega e Sousa, Alentejo Litoral e Lezíria do Tejo estão no extremo oposto.

Asiáticos dominam o mapa-mundo

Neste mapa educativo que o TIMMS permite desenhar é possível identificar as grandes potências nesta área, as regiões que já viveram tempos mais áureos e os países que, fruto de maiores investimentos e políticas mais ou menos assertivas, têm vindo a subir na escala.

Os resultados de 2015, apurados a partir de uma amostra de mais de 580 mil alunos (dos quais 4693 portugueses), não deixam margem para dúvidas: os países e regiões do leste asiático continuam a dominar a tabela, com cinco participantes – Singapura, Hong Kong, Coreia do Sul, Taiwan e Japão - a superarem, e muito, todos os outros. A Matemática acontece tanto no 4º como no 8º ano. E todos se repetem no top de Ciências.

As diferenças de performance estão espelhadas, por exemplo, no facto de mais de 40% dos alunos do 4º ano de Singapura, Hong Kong e Coreia do Sul atingirem os níveis de desempenho mais avançados, quando a média entre os países participantes é de 6%. Em Portugal o feito foi alcançado por 12% das crianças, o que é razoável, sobretudo quando comparado com os 1% registados em 1995.

Ao atingir mais de 625 pontos (o tal nível avançado) na escala do TIMMS, considera-se que os estudantes “conseguem utilizar o conhecimento e a capacidade de resolução numa variedade de problemas relativamente complexos e explicar o seu pensamento”.

Ao mesmo tempo, Portugal destaca-se por também ter aumentado os desempenhos em todos os restantes níveis.

Por conteúdos, os testes não revelaram diferenças muito vincadas entre o domínio dos alunos quanto a “números”, “formas geométricas e medida” e “apresentação de dados”. Por competências que têm de mobilizar para responder às perguntas, “conhecer” é a mais fácil para os estudantes, com os resultados a decrescer em relação a “aplicar” e ainda mais “raciocinar”.

Portugal tem recorde de horas de Matemática

Além dos resultados, este estudos internacionais têm ainda a vantagem de se fazer acompanhar de uma enorme quantidade de dados e informação sobre os alunos, as famílias, a escola, os professores e os pais, sendo assim possível estudar correlações entre diversas características e os desempenhos. E constatar, com mais ou menos surpresa, que os alunos portugueses são, entre a meia centena de países participantes, os que têm a opinião mais positiva sobre o empenho que os professores colocam no ensino da Matemática e das Ciências (ver textos relacionados). Ou que se sentem quase todos perfeitamente integrados na escola.

Outro dado que salta à vista é o número de horas dedicado à Matemática no currículo dos alunos do 4º ano em Portugal: são 275 horas anuais e nenhum outro país participante dedica tanto tempo (a média fica-se pelas 157).

Mas quer isto dizer que quanto mais aulas melhores resultados? Não. A Coreia do Sul é, por seu turno, o país que menos tempo tem previsto (100 horas anuais) e os seus alunos alcançaram a terceira melhor classificação.

O TIMMS é promovido pela International Association for the Evaluation of Educational Achievement (IEA), uma associação que congrega vários centros de investigação e que desenvolve estudos na área da Educação.

Os resultados do TIMMS e de outras avaliações em que Portugal também costuma participar, como o PIRLS (literacia em leitura), são usados para a monitorização da eficácia dos sistemas educativos num contexto cada vez mais global, para identificar lacunas e pontos fortes, falta de recursos ou de oportunidades e ainda medir o impacto de reformas anteriores.