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Já há mais raparigas que rapazes a estudar Matemática, mas resultados delas ainda ficam atrás

António Pedro Ferreira

Apenas Portugal e a Eslovénia têm mais raparigas que rapazes a estudar Matemática A no conjunto dos nove países analisados. Mas os rapazes ganham-lhes nas classificações, em linha com a tendência internacional. Resultados do estudo TIMSS Advanced 2015, que avalia conhecimentos em Matemática A e Física dos alunos do 12º ano, são pouco animadores: Portugal obteve nas duas disciplinas pontuações inferiores ao valor de referência

A presença de mulheres na educação STEM (sigla inglesa para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) continua a ser um desafio para vários países e em Portugal o exemplo da disciplina de Física é paradigmático: apenas 25% dos estudantes são raparigas, contra 75% que são rapazes. Mas na disciplina da Matemática A em Portugal (e Eslovénia) elas já estão a ganhar terreno aos rapazes, contrariando timidamente a tendência internacional, com 51% dos estudantes portugueses do sexo feminino e 49% do sexo masculino.

Ainda assim, no que diz respeito aos resultados, são os rapazes portugueses que assumem a dianteira, em linha com a tendência internacional. Eles obtiveram, em 2015, 481 pontos a Matemática e 470 a Física; elas alcançaram, respetivamente, 481 e 456.

A conclusão está patente no estudo TIMSS Advanced 2015 (Trends in International Mathematics and Science Study - Advanced), divulgado esta manhã em Lisboa em conjunto com o TIMSS. Promovido pela International Association for the Evaluation of Educational Achievement e, em Portugal, pelo IAVE (Instituto de Avaliação Educativa), o TIMSS Advanced - no qual Portugal participa pela primeira vez - avalia os conhecimentos e competências em Matemática A e Física dos alunos finalistas do ensino secundário (12º de escolaridade) a frequentar cursos científico-humanísticos. Em 2015 participaram cerca de 56 mil alunos, 5 mil professores e 3 mil diretores de escolas de países de todo o mundo.

O ambiente escolar, a existência de um currículo nacional, a valorização da disciplina, a satisfação de professores em relação à profissão e o sentido de pertença dos alunos são alguns dos fatores que influenciam as classificações.

Os resultados não foram animadores para os nove países analisados e Portugal não é exceção. Na avaliação de Matemática avançada o nosso país obteve 482 pontos (18 pontos abaixo do ponto central da escala), com apenas 2% dos estudantes a obter a pontuação mais elevada. A percentagem de alunos com nível avançado vai ao encontro da mediana internacional (2%) e 54% obteve pelo menos o nível intermédio, acima da mediana internacional (43%).

No caso da Física os alunos portugueses alcançaram 467 pontos, 33 pontos abaixo do ponto central da escala e 64 pontos abaixo da Eslovénia, que ocupa a primeira posição. Neste caso, a percentagem de estudantes com nível avançado (3%) e intermédio (16%) é inferior à mediana internacional (5% e 18%, respetivamente).

Mais de 20% dos alunos pretende obter doutoramento

A maioria dos alunos de Física (72%) e Matemática avançada (69%) planeia continuar a estudar depois do ensino secundário, com o objetivo de obter graus mais avançados. Portugal não foge à regra, com mais de 20% a pretender obter o grau de doutor, mais de 40% de mestre (54% no caso da Física e 47% na Matemática) e entre 16% (Física) e 23% (Matemática) a querer realizar a licenciatura.

As áreas de estudo pós-secundário mais populares são Física, Engenharia ou Engenharia Tecnológica, Informática e Gestão. No caso das profissões, os alunos de ciências tendem a valorizar as profissões que se inserem em Engenharia e Engenharia Tecnológica, Informática e Biologia / Ciências Biomédicas.

Em termos geográficos, os melhores e piores desempenhos nacionais a Matemática encontram-se no Alentejo - respetivamente, Alentejo Central (512 pontos) e Alto Alentejo (433). A região centro-norte, delimitada por Viseu Dão Lafões e pela Região de Coimbra, o Oeste e o Baixo Alentejo, são os países que se seguem na corrida às melhores classificações. Mas foi a região autónoma dos Açores que obteve maior percentagem de classificações mais elevadas (5% com 641 pontos ou mais). Oeste, Viseu Dão Lafões, Baixo Alentejo e Alentejo Central mais de 50% dos estudantes ultrapassaram o ponto central da escala TIMSS (500).

No caso da Física as melhores pontuações médias foram obtidas no litoral centro e na Região Autónoma dos Açores, próximas da fasquia central da escala (500) e significativamente acima da média nacional (467).

Já o ensino particular e cooperativo (privado) consegue posicionar-se de forma mais positiva que a escola pública nas duas disciplinas, levando 39 pontos de avanço a Matemática e 21 a Física.