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Sociedade

88% dos alunos dizem que os professores são “muito empenhados”

Marcos Borga

No 4º ano a esmagadora maioria dos alunos gostam de aprender Matemática e sentem-se perfeitamente integrados. E vêem a escola como um espaço "seguro e ordeiro"

Sofia Miguel Rosa

Sofia Miguel Rosa

Jornalista infográfica

É sem dúvida uma imagem muito positiva aquela que os alunos portugueses do 4º ano têm da sua escola. Entre todos os 49 países participantes no TIMMS (Trends in International Mathematics and Science Study), Portugal é o que apresenta maior percentagem de estudantes a dizer que o ensino dos seus professores, tanto nas aulas dedicadas à Matemática como a Ciências, é “muito empenhado”: foram 88%. Outros 10% a 11% classificam-se como “empenhado” e apenas 1% a 2%, consoante as áreas, acham que os professores não se esforçam para tornar o ensino motivador.

É certo que, olhando para todos os outros países, os resultados são igualmente positivos. Mas em Portugal, e também na Bulgária, as opiniões são ainda mais favoráveis.

Além de apurar o que sabem os alunos no final do 4º ano da escola a Matemática e Ciências, o TIMMS questionou alunos, pais, professores e diretores para conhecer melhor a realidade das escolas e a visão de quem lida com elas. A partir das respostas a perguntas como “é fácil perceber o que o professor diz”, “o professor tenta várias estratégias para nos ensinar” ou “responde com clareza às minhas perguntas” chegou à conclusão que os alunos portugueses são os que têm a visão mais positiva. A média para todos os países ficou-se nos 68% para “muito empenhados”, 26% para “empenhados” e 5% para “não empenhados”.

Os dados, sendo positivos, não querem dizer, no entanto, que esta é uma condição essencial para o sucesso escolar. Os alunos da Coreia, Hong Kong, Japão, Taiwan são dos que manifestam opiniões mais desfavoráveis, mas que acabam por ter dos resultados nos testes mais altos.

Algo de semelhante acontece quando se pergunta se gostam de aprender Matemática. Entre 30% a 40% nestes países disseram que não. Mas não é por isso que deixam de ter scores muito altos nos testes.Em média, quase metade dos estudantes dos países participantes na edição do TIMSS 2015 responderam “gostar muito” desta disciplina. Em Portugal, esse valor sobe para 61%. E, surpreendentemente ou não, apenas um em cada 10 inserem-se no grupo dos que não gostam.

Há outro indicador em que Portugal se destaca pela positiva. Quando se avalia a integração na escola, conclui-se que 88% dos alunos têm um sentimento de pertença “muito elevado”, apenas superado na Indonésia (a média internacional fica-se pelos 66%). E não mais do que 1% dizem ter pouco ou nenhum sentimento de pertença.

Em geral, respondem quase todos, as escolas são locais seguros e ordeiros, ainda que fenómenos como o bullying estejam a aumentar: 45% dos alunos do 4º ano admitiram ser vítimas de humilhação mensalmente ou mesmo suma vez por semana. Portugal está aqui na média.

O TIMMS permite ainda estabelecer uma série de correlações e identificar variávies que, de uma forma geral, levam a que os alunos tenham melhores resultados na escola. É o caso da frequência do ensino pré-escolar e ainda o facto de ter pais que incentivam atividades relacionadas com os números e letras, mesmo antes do 1º ano da escola.

Outro fator a fazer diferença, e em Portugal mesmo muito, é a existência de mais ou menos "recursos "em casa de alguma forma relacionados com a aprendizagem (como livros ou a habilitação académica dos pais). Ter bastante ou ter poucos pode levar a diferenças na pontução de 100 pontos.