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80 reumatologistas garantem assistência a 60% dos portugueses

Especialidade é maioritariamente assegurada em oito hospitais do país, revela estudo da Sociedade Portuguesa de Reumatologia

A assistência aos 5,9 milhões de portugueses que se estima sofrerem de uma doença reumática está a ser garantida por apenas 80 reumatologistas, 20 internos da especialidade e 30 enfermeiros. Os cuidados nesta área são sobretudo prestados num grupo de oito hospitais públicos em todo o país - nos hospitais de Santa Maria, Garcia da Orta, Egas Moniz (todos em Lisboa), Coimbra, São João (Porto), Aveiro, Funchal e Ponta Delgada -, conclui um estudo divulgado esta terça-feira pela Sociedade Portuguesa de Reumatologia (SPR).

Os dados publicados no Rheuma SPACE permitem concluir que "continuam a existir áreas do país muito carenciadas na oferta de prestação de cuidados adequados aos doentes reumáticos, sobretudo tendo em conta que metade da população sofre pelo menos de uma doença reumática", lê-se na informação enviada. Alguns dos maiores hospitais nacionais não têm uma resposta adequada, isto é um serviço de reumatologia. Da lista fazem parte o Amadora-Sintra, o Hospital de Cascais, o Centro Hospitalar Ocidental de Lisboa, onde se integram o São Francisco Xavier ou o Egas Moniz; o Centro Hospitalar do Porto, que inclui o Santo António, e o Hospital de Guimarães.

Nas unidades onde há serviços de reumatologia, a satisfação dos doentes é elevada: "80% estão satisfeitos com o atendimento prestado." As críticas são feitas sobretudo à acessibilidade e às características físicas dos locais de atendimento, como a falta de privacidade e de condições dos gabinetes e salas de espera.

Segundo o presidente da SPR, José Canas da Silva, a escassez de profissionais já esteve mais longe de ter solução. “A capacidade formativa instalada nas unidades de saúde do Serviço Nacional de Saúde possibilitou atingir um número de reumatologistas que permitirá servir adequadamente as necessidades da população portuguesa nos próximos anos. Acreditamos que a abertura de quadros médicos associados a esta especialidade em várias unidades de saúde adicionais poderá diminuir os custos individuais, sociais e económicos das doenças reumáticas, que constituem uma das principais causas de absentismo e incapacidade (temporária e definitiva) laboral.”

O estudo foi iniciado em dezembro de 2014 e já envolveu 1325 questionários a doentes, a revisão de 570 processos clínicos (correspondendo a 3927 consultas) e 113 questionários a médicos, enfermeiros e administrativos.