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Ainda não foi desta que se vendeu o “Jornal da Madeira”

O prazo para a venda do “Jornal da Madeira” expirou sem qualquer proposta de compra. O executivo de Miguel Albuquerque decidiu dar mais três meses aos eventuais interessados, mas falha a meta de alienar o título ainda este ano

Marta Caires

Jornalista

Miguel Albuquerque vai fechar 2016 sem conseguir desfazer-se do “Jornal da Madeira”. O prazo para a venda da empresa expirou sem qualquer proposta de compra e o executivo madeirense decidiu dar mais 90 dias aos eventuais interessados. O governo mantém que há interesse de privados e que terão sido os empresários a pedir mais tempo para materializar as propostas de aquisição do título.

“Os interessados que solicitaram informações adicionais ao Governo Regional e à empresa reiteraram interesse no projeto e em materializar a sua intenção, invocando no entanto a necessidade de um prazo mais longo que permita o aprofundamento e montagem das propostas”. Na informação veiculada pela Secretaria Regional dos Assuntos Parlamentares e Europeus – que está a gerir o dossier – é explicado ainda que a possibilidade de estender o prazo estava já prevista no decreto legislativo.

A verdade é que os empresários da Venezuela – os que integram o tal grupo interessado na compra do título – estiveram na última semana no Funchal e terão informado que estão disponíveis para ficar com 30 a 40% da empresa. No entanto essa intenção não passou disso mesmo, mas o governo regional insiste que estes não serão os únicos com vontade de ficar com o jornal onde, durante décadas, Alberto João Jardim escreveu artigos de opinião e publicou os discursos na íntegra. Além do grupo de capital venezuelano, também o grupo OJE teria manifestado a intenção de comprar a empresa.

A empresa, no entanto, continua a ser pública e já não será vendida este ano como era o objetivo do executivo madeirense. Miguel Albuquerque falha a meta e, pelo menos até ao fim do novo prazo, terá de financiar o jornal com transferências do orçamento regional. A verba para o “Jornal da Madeira” para 2017 é de 300 mil euros, um montante que o secretário das Finanças garante que não será ultrapassado. O único detalhe é se chega como transferência ou como ajuda integrada no sistema de apoios aos jornais e sites de informações privados.

O título que agora está a venda por mais três meses mudou muito no último ano. Alberto João Jardim deixou de escrever a coluna, assim como quase todos os outros colaboradores próximos do antigo líder madeirense. O título passou de Jornal da Madeira” a JM, foi feito um saneamento financeiro e uma diminuição no número de jornalistas. O orçamento passou para 1,2 milhões de euros, menos um milhão do que no último orçamento regional de Jardim.

A intervenção tem por finalidade a alienação da participação da Região na empresa, que é também uma das promessas de Miguel Albuquerque. O atual presidente do Governo disse sempre que iria vender a empresa e que iria reformular a política de apoios à comunicação social, muito contestada nos tempos de Alberto João Jardim. O sistema de ajudas aos jornais e sites de informações privados já existe e em 2017 terá 600 mil euros para distribuir. Jardim já se manifestou contra na página do Facebook e diz que, assim como está, a Madeira está a viver num ambiente de “mal disfarçado pensamento único”.