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Não vai ficar tudo bem

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Um estudo recente diz que não se deve dizer às crianças ansiosas que vai ficar tudo bem, mas sim ensiná-las a lidar com os seus medos

É normalmente o primeiro impulso perante a ansiedade de uma criança, os pais dizem “vai ficar tudo bem, não te preocupes” e encaminham-na para outra atividade. Agora, o Child Mind Institute chega à conclusão que, numa era em que as crianças são cada vez mais confrontadas com momentos de mudança e de preocupação, os pais devem valorizar as suas ansiedades. Ignorar ou dar a resposta habitual cria apenas um alívio temporário. Pelo contrário, devem assegurar que fazem tudo o que está ao seu alcance para que nada interfira com a segurança dos seus filhos.

As crianças precisam de sentir que as suas preocupações, normalmente intensificadas em momentos de mudança, são valorizadas. Depois, cabe aos pais ajudá-las a arranjar mecanismos que lhes permitam acalmar-se. Nunca irá ficar tudo bem, e dizer o contrário é tirar às crianças a oportunidade de se sentirem ansiosas e não as prepara para essas alturas.

Num momento de ansiedade os pais devem fazer perguntas e ajudar a pôr os medos em perspetiva, mostrando-lhes que valorizam as suas preocupações. As crianças não querem ouvir que os problemas são de adultos, deve-lhes ser tudo explicado consoante a fase de crescimento em que se encontram. Seja um atentado terrorista, um divórcio ou uma mudança de escola. Se é uma questão que as preocupa, o problema não é exclusivamente do adulto, também lhes pertence.

O stresse é uma resposta natural do corpo humano que pode ser controlado. As fontes de ansiedade das crianças são cada vez mais e para a maioria já não há espaços seguros, por isso, os pais devem dosear o acesso à internet de forma a que não estejam sempre a ser confrontadas com focos de ansiedade, e ajudá-las a criar bolhas de segurança e mecanismos que as acalmem.

Os problemas e a forma como afetam o dia a dia crescem de forma diretamente proporcional ao crescimento da criança E, por isso, desde tenra idade deve-se incentivar a partilha dos medos e das emoções. Explicar que os seus receios podem ser usados para ajudar a crescer. Por exemplo, uma má nota na escola pode servir como motivação para melhorar o desempenho escolar.

Como na maioria das etapas do crescimento as crianças agem por imitação, o exemplo tem de vir de cima. Pais menos ansiosos e que lidam com situações de stresse de forma mais racional transmitirão os mesmos ensinamentos aos filhos.