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Militar dos Comandos internado no curso de 2015 continua de baixa

GONÇALO ROSA DA SILVA

Soldado Vítor Brito já foi operado seis vezes ao joelho. Foi uma das nove baixas da prova zero do ano passado

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

Vítor Brito, de 20 anos, foi um dos nove instruendos do curso 125 dos Comandos a ser internado nos cuidados intensivos, em outubro do ano passado. Um ano depois, o soldado continua de baixa médica e já foi operado seis vezes ao joelho no Hospital das Forças Armadas.

No processo de averiguações aberto na altura pelos Comandos, e a que o Expresso teve acesso, o jovem militar revela num interrogatório (realizado um mês após os factos) ter sido alvo de agressões durante a Prova Zero. Vítor Brito disse aos investigadores que um socorrista o empurrou para o chão e apertou-lhe o joelho dorido quando se deslocavam para o posto. O soldado afirmou ainda durante o interrogatório que um cabo lhe "dirigiu ameaças" e o agrediu "com chapadas na cara".

No mesmo relatório, várias testemunhas confirmam que o viram "desorientado", "debilitado", "perturbado" e "caído no chão", incapaz de caminhar. Episódios que se passaram nos primeiros dias da Prova Zero, entre o final de setembro e início de outubro.

Depois de ser assistido na tenda de socorro no Campo de Tiro de Alcochete, Vítor Brito foi internado no Hospital das Forças Armadas e operado ao joelho. Mas nunca recuperou.

O Expresso sabe que no primeiro mês nos cuidados intensivos, o soldado estava com problemas nos rins e fígado, rabdomiolise, anemia e infeção muito grave no joelho direito (artrite séptica), tendo sido sujeito a hemodiálise.

O processo de averiguações acabou por ser concluído em dezembro do ano passado e arquivado sem existir qualquer procedimento disciplinar. "Não existe qualquer prova que o soldado Vítor Brito foi agredido", concluíram os investigadores dos Comandos.

Apesar dos vários episódios de desidratação que se repetiram durante a Prova Zero, nada aconteceu aos responsáveis pelo curso. "O corpo de instrução demonstrou rigor e profissionalismo durante a instrução", lê-se no final do documento de 92 páginas.

Este ano, dois instruendos do curso 127 morreram, vítimas de um golpe de calor. O caso está a ser investigado internamente mas também pela PJ militar e DIAP de Lisboa. Há 9 arguidos, que o tribunal de instrução determinou que ficassem com Termo de identidade e Residência, uma medida de coação considerada ligeira para os crimes pelos quais foram indiciados pelo Ministério Público (abuso de autoridade por ofensa à integridade física, com penas que vão dos 8 aos 16 anos de prisão segundo o Código de Justiça Militar).

A juíza de instrução indiciou o médico do curso de dois crimes de homicídio negligente. Quatro arguidos são suspeitos de ofensas à integridade física grave negligente e outros dois foram ilibados de qualquer crime.

[notícia atualizada às 19h33]