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Inteligência artificial voadora

d.r.

Este é o primeiro drone capaz de produzir imagens de qualidade profissional que pode ser transportado num saco de uma câmara ou até no bolso mais generoso de um blusão

Quando andava "meio mundo" a falar do GoPro Karma, o primeiro drone da GoPro (sim, a mesma marca das câmaras de ação), eis que a a DJI tirou mais um "coelho da cartola". O que até podia acontecer literalmente considerando a reduzidíssima dimensão do Mavic Pro, o novo drone da marca, que controla qualquer coisa como 70% do mercado. Um tiro em cheio no aparelho voador da GoPro, já que atingiu diretamente aquela que era a característica mais distintiva do Karma: a reduzida dimensão conseguida em boa parte pela arquitetura dos braços articulados.

Em minutos o Mavic Pro está pronto a voar. Nem é preciso montar/desmontar hélices (elas vão ao sítio mal os motores arrancam). No total, há cinco câmaras e dois sensores ultrassónicos para que o drone detete obstáculos à frente e por baixo. Aliás, o Mavic é capaz de acompanhar automaticamente o motivo ajustando-se ao terreno. Mas continua a não haver deteção de obstáculos quando se voa para os lados ou para trás.

Depois de se ver e usar o Mavic Pro, o Karma até parece grande. O novo drone da DJI pode ser arrumado num saco de transporte de uma câmara compacta; pode ser transportado numa mochila a acompanhar o portátil e o lanche do utilizador; até pode passar por um acessório de fotografia numa daquelas malas utilizadas pelos fotógrafos profissionais.

24 processadores

Muitos destes processadores destinam-se a manter o drone em voo estabilizado e outras servem para permitir as funções inteligentes. Em termos práticos, os sistemas de processamento e os sensores tornam o Mavic Pro muito fácil de pilotar. Como já acontecia em modelos anteriores, os processos de descolagem e aterragem podem ser realizados automaticamente, o que evita acidentes quando o piloto não tem muita prática.

No ar, o drone mantém-se imóvel quando largamos os comandos. Além de GPS (e GLONASS), o Mavic Pro recorre a duas câmaras e ultrassons para mapear o chão, o que permite manter a posição mesmo quando a voar. Esta informação também é utilizada no processo de "regresso a casa", o que acontece automaticamente quando há uma perda de ligação entre o comando e o drone ou quando pressionamos o botão para o efeito.

A utilização de imagens para identificar o ponto de descolagem faz com que a precisão do regresso automático seja muito maior (o GPS pode ter erros de alguns metros). E é por isto que o Mavic Pro consegue aterrar em modo autónomo a apenas centímetros de onde levantou. Impressionante! Mas atenção: como não há trem de aterragem, as hélices movem-se muito próximo do chão, o que significa que não se recomenda a aterragem em terrenos baldios (com pequenos arbustos, por exemplo).

A distância de controlo e transmissão de vídeo é outra característica que distingue o Mavic de toda a concorrência: 7 km que, na Europa, foram reduzidos para 4 km por razões legais. Valor que até é possível cobrir graças à autonomia de voo recorde de 27 minutos. Pela nossa experiência é difícil atingir este valor, mas não é difícil superar os 20 minutos, o que não deixa de ser surpreendente para um drone tão pequeno. E o teste até foi feito com algum vento, o que aumenta o grau de dificuldade.

O comando tem duas "garras" para fixar o smartphone. À primeira vista, ficámos com dúvidas quanto à segurança deste sistema, mas depois de usar percebemos que é muito difícil fazer o smarptphone cair. São fornecidos cabos Micro USB e Lightning, o que garante a compatibilidade com a maioria dos smartphones (é possível usar outros cabos).

Em alternativa, o utilizador pode recorrer a um smartphone para controlar o drone – há um interruptor para comutar o controlo entre o sistema de rádio da DJI, o OcuSync, ou Wi-Fi. Uma opção que nos parece desnecessária (menos ergonomia e menos alcance). Na app é possível programar rotas bem como uma série de modos de voo para seguir o motivo automaticamente. O drone é até capaz de reconhecer comandos por gestos para fazer fotos.

A transmissão de vídeo é feita em alta definição e com uma fiabilidade impressionante. Até é possível usar a app para fazer transmissões diretas via Facebook Live (apenas no iOS). Mas não há saída HDMI no comando para transmissões em direto profissionais. Talvez a saída USB extra possa, um dia, ser utilizada para o efeito através de algum acessório. No cartão, os vídeos ficam guardados no formato 4K com uma qualidade perfeitamente convincente. Parece não ter o detalhe dos vídeos do Phantom 4, mas verificámos que se trata apenas de uma questão de pós-processamento. Ou seja, podemos adicionar essa "nitidez" posteriormente. Aliás, no global, preferimos a imagem do Mavic, sobretudo quando há pouca luz ambiente.

O comando inclui um ecrã com dados de voo (telemetria) e do estado da bateria. Deste modo podemos controlar o drone em segurança sem o smartphone. Há botões diretos para mudar o ângulo da câmara, acertar a exposição, fotografar, iniciar/parar o vídeo, regressar ao ponto de descolagem e uma novidade: o Pause, que permite suspender o plano de voo deixando o drone a pairar.

O Mavic Pro é o nosso novo drone preferido. É verdade que é caro (o dobro de um Phantom 3 Standard), mas a funcionalidade de ser tão pequeno, os modos de voo inteligentes, o sistema de deteção de obstáculos, a facilidade de controlo e a ergonomia do comando são convincentes. Este é o primeiro drone que não pensamos duas vezes em levar connosco, o que faz toda a diferença.

CARACTERÍSTICAS DJI MAVIC PRO

Preço: €1199
Velocidade máxima: 64 km/h
Câmara: 4K/30 fps, 1080p/96 fps, F2.1, 78,8º (sem distorção)
Estabilizador: Gimbal 3 eixos
Altitude máxima: 5.000 m
Peso: 734 g.
Dimensões: (fechado): 83x83x198 mm
Distância de controlo: 4 km
Autonomia: 27 minutos