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Fórmula concentrada

O Smart é há muito um caso de sucesso entre quem procura um veículo ideal para a cidade. A quarta geração elétrica do citadino vai chegar ao mercado no próximo ano, com maior autonomia e versão de quatro lugares. O jornalista Rui Pedro Reis esteve em Miami a conhecer em primeira mão o novo Smart Electric Drive

Rui Pedro Reis/SIC

Foi em 2007 que a Smart se lançou na aventura elétrica. À data, pouca gente deu pela novidade tecnológica. Uma autonomia abaixo dos 100 km e um preço elevado faziam do Smart um produto com sucesso limitado. Quase 10 anos depois, a história pode mudar de figura.

Fugir ao frio… sentir o calor

Tal como acontece com um smartphone ou qualquer outro objeto que seja alimentado por baterias, a temperatura ambiente é determinante na duração. Quanto mais frio, menos tempo vão resistir até precisarem de carga. Foi também por isso que a Smart decidiu realizar em Miami os primeiros testes com um grupo restrito de jornalistas. À chegada, os 29º centígrados deixavam logo concluir que a cidade norte-americana pecava por excesso e iria obrigar ao uso do ar condicionado. Se essa opção num automóvel convencional apenas significa um ligeiro aumento no consumo, num elétrico representa uns quilómetros a menos de autonomia.

Nesta nova geração, o Smart Electric Drive consegue fazer 160 km com um único carregamento. O número pode ser otimista, mas com segurança estão garantidos 140 km numa utilização mista, ou seja, com ambiente urbano e autoestrada. A aposta do grupo Daimler está enquadrada num plano maior que se estende a toda a gama Mercedes. Mas um título já ninguém tira à Smart: lá mais para o verão de 2017 vai tornar-se o primeiro construtor a ter uma versão elétrica em toda a gama, ainda que neste caso sejam só três modelos. E é aqui que está outra das grandes novidades. Ao Fortwo e ao Cabrio junta-se um Smart Forfour elétrico.

Quando menos é mais

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Hoje em dia já são vários os modelos elétricos que oferecem mais de 200 km de autonomia. O Smart não chega lá desde logo porque lhe falta espaço para acomodar baterias. Com o motor colocado na traseira, junto ao eixo, as baterias ficam remetidas para o habitáculo, estando colocadas debaixo dos bancos. Até aqui, a Smart comprava a tecnologia à Tesla mas agora, o Smart passa a contar com tecnologia feita na casa, nomeadamente as baterias que são produzidas na nova unidade do grupo na Alemanha. Já o motor é uma parceria com a Renault, num casamento previsível já que há muita mão do construtor francês na nova geração Smart, em especial no Forfour que partilha a plataforma com o Twingo.

Miami põe o Smart à prova

O pequeno citadino não se deixa impressionar pelo movimento de uma grande cidade. É perto da hora de almoço e Miami Beach está a acordar depois de mais uma noite onde a oferta de diversão deixa pouco tempo pare recarregar baterias. Até nisso a coisa melhorou face à geração anterior. Em seis horas numa tomada normal carrega-se 80% da capacidade, um número que se reduz para cerca de metade numa wallbox. Nas longas avenidas de Miami Beach é uma tentação serpentear entre automóveis bem maiores e mais potentes. É quando deixo a cidade rumo ao downtown Miami que a autoestrada se revela fora da zona de conforto do Smart. A autonomia desce de forma mais pronunciada, ainda que a velocidade não ultrapasse os 110 km/h. São pouco mais de 10km por isso não chega a haver preocupações. O problema é comum a todos os elétricos. Já o centro da cidade é a praia do Smart Electric Drive, como de qualquer outro veículo com o mesmo género de propulsão. Os 81 cv de potência chegam para imprimir um andamento vivo e o ângulo de viragem de 6,95 m significa que se inverte a marcha mesmo em ruas estreitas de zonas habitacionais. Ao silêncio da experiência de condução elétrica, o Smart junta um ADN muito próprio de algum nervosismo que nesta nova geração está mais filtrado. Desde logo porque este Smart é mais largo e tem uma suspensão que o torna mais confortável.

Engenho e arte

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Paragem para almoço no Miami Art District. Por ali as fachadas das lojas de grandes nomes dão lugar a outras obras com assinatura. Os graffiti e as lojas de antiguidades tem tanto de arte como os automóveis elétricos têm de engenho. Muitas são obras sem preço e nem são negociáveis. O Smart Electric Drive também ainda não tem preço. Mas a ter em conta o valor das gerações anteriores, dificilmente estará abaixo dos 20.000 euros. É muito para um automóvel que acaba por ter várias limitações, em especial quando se compara com o valor das versões com motor a combustão, disponíveis a partir dos 11.000 euros. Lá para o início do ano já se deverá saber o preço do Smart Electric Drive em Portugal. No final deste contacto de um dia, Miami Beach é um daqueles locais onde há muita gente que não precisa de fazer contas ao que gasta. A Collins Av. é um desfile de modelos, automóveis e de carne e osso. Em South Beach faço os últimos quilómetros, que no caso se medem em milhas.

Ocean Drive, o trânsito está parado e não há um único lugar de estacionamento livre, nem mesmo para um Smart. O sol já desapareceu por trás dos edifícios de Art Deco. Um pouco mais à frente, o Nikki Beach pode bem ser um destino clássico que resiste à passagem dos anos num mercado onde muitos negócios são efémeros. É novembro e estão 25 graus. O Smart fica estacionado a receber energia. A noite segue dentro de momentos.