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Uma em cada três mulheres é vítima de violência em Lisboa

FOTO GETTY

Dados são de um estudo feito freguesia a freguesia em Lisboa. O governo anunciou esta sexta-feira a construção de um centro de crise de violência sexual na cidade

Uma em cada três mulheres de Lisboa é vítima de pelo menos um crime de violência. A conclusão é de um estudo sobre a violência doméstica e de género feito na autarquia e reflete dados do ano passado e/ou anteriores. "Ainda são números muito elevados", diz ao Expresso Manuel Lisboa, sociólogo e coordenador do inquérito.

Estes números, que são preliminares mas que não deverão sofrer alterações significativas, revelam ainda que a violência doméstica continua a ser um crime de género, já que as mulheres têm duas vezes mais hipóteses de serem vítimas do que os homens. E são também elas que mais se queixam da discriminação. "As mulheres têm cinco vezes mais noção da discriminação do que os homens. É um valor de perceção, não significa que na prática o sejam", continua o sociólogo, que desenvolveu o estudo com a colaboração do Centro Interdisciplinar de Ciências Sociais da Universidade Nova e com o Observatório Nacional de Violência e Género.

É possível também concluir que enquanto os homens veem o piropo como algo positivo, a grande maioria das mulheres sente-se incomodada. As mulheres têm também mais receio com a segurança, com o sair à noite dentro dos seus bairros, por exemplo. "São resultados que colocam desafios às políticas públicas de prevenção e combate da violência doméstica e de género," continua Manuel Lisboa.

Centro de apoio em Lisboa

Na apresentação do estudo, a secretária de Estado da Igualdade, Catarina Marcelino, anunciou também a construção de um centro de crise de violência sexual na cidade de Lisboa. "Vai dar um apoio integrado às vítimas, a nível jurídico, psicológico, psicossocial, etc. Até agora existia esse apoio, mas as pessoas tinham que se deslocar a sítios diferentes e reviver várias vezes o que lhe tinha acontecido. E isso é muito violento", explica João Afonso, vereador para os Direitos Sociais.

A autarquia já tem em vista um espaço, na zona do Restelo, mas a localização vai depender do tipo de modelo. "Depende de quais são as valências, se a urgência e o alojamento ficam no mesmo local, por exemplo", diz o vereador. O centro deverá ser inaugurado no primeiro semestre de 2017.

  • Assinala-se esta sexta-feira o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres. Só este ano, 22 mulheres perderam a vida às mãos de pessoas que lhes eram próximas. O Governo estuda impacto das políticas públicas de combate à violência doméstica nos últimos 15 anos. Ao fim do dia, há uma marcha na Praça do Comércio, em Lisboa