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A morte entrou dentro de casa 22 vezes

Assinala-se esta sexta-feira o Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres. Só este ano, 22 mulheres perderam a vida às mãos de pessoas que lhes eram próximas. O Governo estuda impacto das políticas públicas de combate à violência doméstica nos últimos 15 anos. Ao fim do dia, há uma marcha na Praça do Comércio, em Lisboa

Maria Augusta, Madalena, Maria Isabel, Ni, Jordana, Michaelle, Liliana, Thayane, Emília, Rita, Poliana, Alice, Marília, Maria, Eglantina, Madalena, Isaura, Maria de Lurdes, Isabel, Maria, Eduarda. Vinte e dois nomes que contam histórias diferentes. Estas mulheres nasceram no interior e no litoral do país, no norte e no sul. Tiveram percursos de vida distintos, momentos felizes, terão cumprido alguns sonhos. Encontraram na vida um medo comum, vindo de alguém que lhes era próximo. Todas foram assassinadas às mãos de maridos, companheiros ou outro familiar próximo. Deixaram 32 filhos órfãos de mãe.

Quando se assinala o Dia Internacional pela violência contra as Mulheres, o Observatório de Mulheres Assassinadas da UMAR (União Mulheres Alternativa e Resposta) contabiliza 22 femícidos (morte intencional de mulheres que também foram vítimas de outros crimes como agressões, assédio sexual ou perseguição. Em média, foram cometidos dois femicidios por mês e uma grande parte destas mulheres já estavam separadas dos agressores.

A maioria das vítimas tinha mais de 65 anos, mas uma delas menos de 17. "Foram barbaramente assassinadas por espancamento, estrangulamento, agressão com objeto e violação", lê-se no relatório a que o Expresso teve acesso. Os crimes continuam a ocorrer, na maior parte das vezes, dentro de casa

Estas 22 mulheres juntam-se a outras 450 que nos últimos 12 anos perderam a vida em Portugal de maneira parecida. O Governo prepara, de acordo com informação do ministro adjunto, um estudo de avaliação do impacto das políticas públicas de combate à violência doméstica nos últimos 15 anos, que ficará a cargo da Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG).

Nos últimos três anos, a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) registou 22 mil processos, sendo que 85% foram cometidos contra mulheres. O conjuge é o agressor em 34% do casos e dois terços das situações aconteceram dentro de casa. Quase metade destas mulheres têm filhos (44%).

Desde o início do ano que a PSP e a GNR fizeram 50 mil avaliações e reavaliações de risco de vítimas de violência doméstica, para determinar quais são as melhores soluções para proteção e acompanhamento das vítimas. Até setembro, os tribunais aplicaram 423 medidas de proibição de contacto entre agressor e vítima, fiscalizadas por vigilância eletrónica. O recurso a pulseria eletrónica tem tido um aumento significativo, em 2012 foi usada por 152 vezes-, 229 em 2013; 313 em 2014; 558 em 2015.

Hoje, às 18h, na Praça do Comércio, em Lisboa, há uma marcha pelo fim da violência contra as mulheres.