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Diretor da PJ Militar não foi convidado para o encerramento do curso dos Comandos

Marcos Borga

É a primeira vez que o coronel Luís Augusto Vieira, que também é Comando, não recebe o convite para a cerimónia. PJ Militar está a investigar a morte de dois instruendos do curso 127, que termina esta sexta-feira

Hugo Franco

Hugo Franco

Jornalista

O diretor-geral da Polícia Judiciária Militar (PJM) não recebeu o habitual convite do Exército para participar na cerimónia do final do curso dos Comandos. Esta sexta-feira, os 23 instruendos do 127.º curso recebem a boina, o diploma e o dístico.

Segundo o Expresso apurou, o coronel Luís Augusto Vieira, que também é Comando, costuma ser uma das presenças certas neste tipo de cerimónias organizadas pelo Exército. Mas este ano irá faltar, por falta de convite formal.

Desde 4 de setembro que a PJM investiga as causas da morte de Hugo Abreu e Dylan Silva, dois instruendos do curso 127, vítimas "de um golpe de calor". Foram constituídos sete arguidos no processo, todos militares com responsabilidades no curso que termina amanhã, com apenas 23 recrutas dos 67 que iniciaram a formação.

A juiza de instrução indiciou o médico do curso por dois crimes de homicídio por negligência, com pena até 3 anos de prisão, suspendendo o clínico do exercício de funções em hospitais militares. Outros quatro arguidos são suspeitos do crime de ofensas à integridade física grave negligente, punido até 2 anos de prisão. Já sobre o diretor da prova e do responsável pela instrução do tiro não existem indícios da prática de qualquer crime.

Ao Expresso, o porta voz do Exército, o tenente-coronel Vicente Pereira, diz não ter conhecimento do processo de convites para uma cerimónia de encerramento de um curso de Comandos, pelo que garante desconhecer quem foi convidado. "No entanto, não é assunto que Sua Excelência, o general do Chefe do Estado Maior do Exército comente", frisa.

Já a PJM não faz comentários ao caso.

[notícia atualizada às 22h09 com o comentário do porta voz do Exército]

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    Despacho de juíza de instrução vai em sentido contrário ao da investigação do Ministério Público (MP) e da PJ Militar no caso das mortes dos instruendos Hugo Abreu e Dylan Silva: magistrada aponta para penas mais leves do que as pedidas pelo MP, mas considera que o médico do Exército “não prestou atenção ao agravamento” do estado de saúde dos dois militares e “desinteressou-se do seu destino”. O 127.º curso dos Comandos termina esta sexta-feira apenas com 23 instruendos dos 67 iniciais