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“Black Friday”. É preciso lembrar que a Terra ainda é “a única morada conhecida dos seres humanos”

NICOLAS TUCAT / AFP / Getty Images

Esta sexta-feira celebra-se o “Dia sem Compras” por oposição ao consumismo desenfreado originado pelo “Black Friday”. A associação ambientalista Zero alerta para “os excessos” nas compras e as consequências para o planeta

Carla Tomás

Carla Tomás

Jornalista

Os excessos de consumo “levam ao desperdício e ao fomento do descartável e estão na base de uma economia (des)estruturada no crescimento da utilização de recursos naturais que não existirão num futuro próximo”. A frase é da associação ambientalista Zero, que em vésperas de mais uma Black Friday, responde com o apelo ao Dia Mundial sem Compras, em defesa da Terra, “a única morada conhecida dos seres humanos”.

Popularizada nos EUA desde 1975, na última sexta-feira de novembro, a “Black Friday” está associada à imagem de magotes de gente desenfreadamente em busca do último modelo de smartphone, televisor, roupa ou qualquer outro bem de consumo colocado à venda com um desconto assinalável. Cerca de duas décadas depois, com a população e o consumo a dispararem mundialmente, surgiu a reação ecologista simbolizada pelo Dia Mundial Sem Compras.

É por aqui que segue o apelo da associação ambientalista para um “consumo responsável e sustentável”. A mensagem será transmitida diretamente aos consumidores que passarem sexta-feira de manhã pelo Mercado da Ribeira em Lisboa. Lá, um grupo de ativistas terá uma banca onde reforçará a sensibilização usando frases como “o meu telemóvel tem mais de três anos”; “compro produtos em segunda mão”; opto por reparar os meus equipamentos”; “só compro o necessário e nas doses certas”.

O desperdício de comida em Portugal atinge 97 quilos por habitante por ano, que acaba muitas vezes em aterros. Com base neste e noutros dados, a Zero critica os consumidores portugueses por terem “pouca apetência” para adquirirem roupas, mobiliário ou equipamento eletrónico em segunda mão.

Uma quantidade significativa de equipamentos deste tipo – de brinquedos a eletrodomésticos, passando pelas novas tecnologias – acaba numa arrecadação ou no lixo ao fim de poucos anos. Segundo dados da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), das cerca de 121 mil toneladas de equipamentos elétricos e eletrónicos colocados no mercado em 2014, apenas cerca de um terço foram enviados para reciclagem ou reutilização.

Pensando em “hábitos de vida saudáveis compatíveis com as limitações do território e do planeta”, a Zero sugere que se "aposte na sensibilização para comportamentos de consumo mais responsáveis". Mas não só. Implementar “imediatamente” a Estratégia Nacional para as Compras Públicas Ecológicas, penalizar mais os produtos com mais peso e quantidade de embalagem e definir uma taxa sobre o vestuário colocado no mercado, “para responsabilizar os produtores pela recolha e reciclagem da roupa usada”, assim como de outros produtos descartáveis, são alguns dos apelos ao poder político postas na mesa pela Zero.