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Estrelas Michelin: 2017 será o ano 
da “revolução” 
na restauração?

O Boa Nova, do chefe Rui Paula, pode ganhar a sua primeira estrela Michelin

LUCÍLIA MONTEIRO

No dia em que serão conhecidas as Estrelas Michelin para o próximo ano, há alguns dados que ajudam a antever aquilo que pode trazer a nova edição do guia francês

Que novidades irão surgir esta quarta-feira no Guia Michelin de 2017? A confirmarem-se as notícias da duplicação de galardões para Portugal, podemos estar perante um evento marcante na restauração portuguesa, uma espécie de ‘antes de 2017” e ‘depois de 2017’. Por esta altura, as apostas entre os profissionais do sector devem estar ao rubro. Ainda assim há alguns dados que podem ajudar a antever aquilo que pode trazer a nova edição do guia, minimizando ao máximo o natural cariz especulativo de qualquer previsão.

Atualmente, Portugal tem três restaurantes com ‘2 estrelas’ e 11 com ‘1 estrela’. A matemática óbvia, com base nas notícias recentes, indicia que no próximo ano passaremos a ter seis restaurantes de ‘2 estrelas’ e 22 com ‘1 estrela’. No entanto, a imprevisibilidade é um dos tónicos que os responsáveis do guia gostam de cultivar. Assim, e atendendo à contenção dos responsáveis em detalhar melhor a ‘duplicação’, é provável que não sejam três os novos restaurantes ‘biestrelados’. Se for o caso, o total de novos locais com uma estrela pode surgir com base na duplicação dos nove que restam, se de facto três dos atuais 11 passarem a ter duas estrelas. Ou seja, é expectável que tenhamos um máximo de 18 restaurantes com ‘1 estrela’ e dois ou três com ‘2 estrelas’.

Acerca de ganhadores concretos, o exercício torna-se mais difícil de fazer, embora alguns contactos feitos junto de chefes e dos seus responsáveis de comunicação permitam deduzir algumas das ‘visitas’ efetuadas pelos inspetores e quais os cozinheiros que terão eventualmente recebido convite para estarem na cerimónia desta quarta-feira em Girona.

Com base neste conjunto de informações, é provável que possam alcançar a sua primeira estrela restaurantes como o Boa Nova, de Rui Paula, o Alma, de Henrique Sá Pessoa, o Lab, de Sergi Arola – o chefe espanhol fechou este ano o seu Arola Gastro, um ‘2 estrelas’ em Madrid, e reposicionou o seu espaço na Penha Longa –, o Esporão, onde oficia Pedro Pena Bastos, e o Vista, chefiado por João Oliveira. As duas estrelas são difíceis de prever, e se por um lado se sabe que o único novo ‘3 estrelas’ será em Espanha, também há a certeza de que, por cá, os que já têm estrelas não as irão perder na próxima edição.

Uma das novidades deste ano que se conseguiu apurar é que o guia vai trazer um novo pictograma, composto por “um prato e talheres” para dar destaque a restaurantes, onde se pode fazer uma “refeição boa e simples, com produtos de qualidade e uma cozinha apurada”. O objetivo é diferenciar alguns espaços mais tradicionais que não têm estrelas, nem se enquadram no conceito do “Bib Gourmand” para refeições de boa qualidade/preço até 35 euros. O possível crescimento de restaurantes com estrelas em Portugal reforça cada vez mais a intenção dos responsáveis do guia em fazer uma próxima apresentação em Lisboa ou no Porto. O ano passado, a direção ibérica visitou os espaços do Páteo da Galé, do Convento do Beato, e da Estufa Fria, e já este ano houve contactos com o Hotel da Penha Longa, com vista à receção da cerimónia em Sintra.

O facto é que com maior ou menor polémica, a notoriedade da Michelin permanece constante. Quando em 1900 foi lançado o primeiro guia, André Michelin vaticinou: “Este guia aparece com o início do século e irá durar tanto quanto ele.” A premonição do fundador já foi, felizmente, superada, e no caso português parece estar a chegar finalmente a alvorada esta quarta-feira.

Artigo publicado na edição do EXPRESSO de 19 de novembro de 2016