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Medicamentos de venda livre mais baratos nos hipermercados

Tiago Miranda

Comprar nos espaços de saúde das grandes superfícies comerciais permite poupar nos remédios não sujeitos a receita médica e nos produtos de dermoestética. Mas os portugueses continuam a preferir as farmácias

A análise dos preços de um conjunto de 24 medicamentos de venda livre e de dez produtos de higiene pessoal permite concluir que os hipermercados vendem mais barato do que as farmácias. Segundo a associação Deco, as grandes superfícies cobram menos 13% nos remédios e 4% na oferta de dermoestética.

A procura dos espaços de saúde nos hipermercados para comprar medicamentos de venda livre, autorizados desde 2005, tem vindo a aumentar mas, mesmo com valores competitivos, continuam a ser preteridos pelas farmácias. "Desde que a venda de medicamentos não sujeitos a receita foi permitida fora das farmácias e o seu preço deixou de ser fixado pelo Estado, os nossos estudos têm demonstrado, de forma consistente, que as farmácias têm o preço mais elevado. Ainda assim, e apesar de as vendas fora das farmácias estarem a aumentar, estas continuam a deter a maior fatia, 79%", lê-se no resumo enviado ao Expresso pela Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (Deco).

Aumento de 39% nos preços

Para as conclusões finais, foram comparados preços de analgésicos, xaropes para a tosse, antigripais, anti-histamínicos, soluções contra piolhos, cremes para bebé e, "globalmente, é mais vantajoso comprá-los no hipermercado". E as farmácias só não vendem, em média, mais caro como "apresentam também a maior variação de preços para o mesmo medicamento". Ou seja, "em muitos casos, foi nas farmácias que encontrámos os preços mais baixos e mais altos".

O estudo foi realizado entre julho e julho e contou com a participação de 206 farmácias e 92 locais autorizados a vender medicamentos não sujeitos a receita médica, 69 dos quais em hipermercados. Ao todo, foram recolhidos 8935 preços e os autores afirmam que "desde 2005, para 11 fármacos (que se mantiveram na amostra de estudo), o preço aumentou 39%, ao contrário do que sucedeu nos farmácos sujeitos a receita, cujo preço diminuiu".