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Comandos: Associação dos Oficiais questiona detenções

INVESTIGAÇÃO. Sete militares do 127º curso dos Comandos são suspeitos dos crimes de abuso de autoridade por ofensa à integridade física (art.º 93.º do Código de Justiça Militar) bem como de crimes de omissão de auxílio (art.º 200.º do Código Penal)

GONÇALO ROSA DA SILVA

Em comunicado, a Associação de Oficiais das Forças Armadas diz-se “preocupada com a, aparente, intoxicação da opinião pública” e refere que a detenção dos sete instrutores “foi um julgamento em praça pública”

Mais de 72 horas após a detenção de sete instrutores do curso de Comandos, a Associação de Oficiais das Forças Armadas (AOFA) questiona a necessidade de deter os militares e critica o mediatismo que o caso está a ter. Em comunicado enviado às redações, esta segunda-feira, o presidente da AOFA, tenente-coronel António da Costa Mota, defende que é preciso um “clima de total entendimento do que é a realidade militar e sem quaisquer preconceitos” para “averiguar até às últimas consequências” o que aconteceu no dia 4 de setembro.

“ [A AOFA] não pode deixar de estar preocupada com a, aparente, intoxicação da opinião pública, que em tudo prejudica o apuramento da verdade e o bom nome das forças Armadas e dos militares”, lê-se no comunicado.

No mesmo documento é argumentado que não havia necessidade de deter, como se “perigosos e foragidos criminosos se tratassem”, os sete instrutores para que se procedesse “às eventuais diligências que tiveram lugar”. E prova disso mesmo, justificam os oficiais, foi que todos foram libertados algumas horas depois. “Não era necessário deter quem não deu qualquer sinal de se tentar subtrair ao apuramento de responsabilidades”.

Para a AOFA, a detenção foi um “processo de julgamento em praça pública inédito em Portugal e cujo alcance na credibilidade dos militares e das Forças Armadas ainda está por apurar”. E questiona: “A quem interessa esta situação?”

No comunicado é também questionada a referência ao “ódio patológico” revelado, segundo o despacho do Ministério Público, pelos instrutores em relação aos seus subordinados. “Um número apreciável de instruendos continuou no curso e torna-se, pelo menos estranho, que tal aconteça”, contrapõe a AOFA.

“A quem foi a senhora procuradora colher tão categórica qualificação incluída no despacho de pronúncia? Aos instruendos que permaneceram no curso? Ou aos que dele se retiraram por vontade própria ou foram eliminados”, questionam no comunicado. “Será que a Senhora Procuradora confundiu o cenário criado à voltas da instrução com a realidade?”, insiste a AOFA.

Na passada quinta-feira, Cândida Vilar, a procuradora titular do caso das mortes no 127.º curso dos Comandos, considerou que os arguídos trataram “os instruendos como pessoas descartáveis” e que eram “movidos por ódio patológico, irracional contra os instruendos, que consideram inferiores por ainda não fazerem parte do Grupo de Comandos, cuja supremacia apregoam”.