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Cientistas japoneses desenvolvem dispositivo para aliviar dor do “membro fantasma”

RAUL ARBOLEDA / AFP / Getty Images

A dor do “membro fantasma” é uma síndrome de que padecem pessoas que perderam membros – por amputação ou paralisia – e que continuam a experimentar as sensações desse membro ou dor, a qual geralmente não pode ser aliviada com analgésicos convencionais

Investigadores japoneses desenvolveram um dispositivo capaz de reduzir a dor dos pacientes com membros amputados ou paralisados, que sofrem da chamada síndrome do "membro fantasma".

O dispositivo torna possível "modular as atividades cerebrais relacionadas com os movimentos dos membros fantasma, que eram difíceis de alterar com a terapia existente", explicou o professor adjunto da Universidade de Osaka Takufumi Yanagisawa, que lidera o projeto de investigação, em declarações à agência Efe. Melhorar este novo aparelho "fará com que a dor do 'membro fantasma' seja tratável no futuro", sublinhou.

A dor do membro fantasma é uma síndrome de que padecem pessoas que perderam membros – por amputação ou paralisia – e que continuam a experimentar as sensações desse membro ou dor, a qual geralmente não pode ser aliviada com analgésicos convencionais.

"Uma teoria popular mas cada vez mais controversa diz que [a dor] resulta de uma inadaptação à reorganização do córtex senso-motriz, o que sugere que a indução experimental de uma maior reorganização deveria afetar a dor, especialmente se resulta em restauração funcional", refere o estudo, publicado na revista especializada "Nature Communications".

As descobertas da investigação, de cientistas do Instituto Internacional japonês de Investigação de Telecomunicações Avançadas e da Universidade de Cambridge, "opõem-se à hipótese original", explica Yanagisawa, já que a restauração funcional não melhorou, antes intensificou a dor.

A equipa desenvolveu um programa de treino para mover uma mão artificial com uma interface cérebro-máquina testada em dez pacientes que perderam o antebraço direito e comprovou que foi a dissociação entre a mão protésica e a 'fantasma' que reduziu a dor.

Isto demonstra "uma relevância funcional entre a plasticidade cerebral [faculdade do cérebro para se recuperar e reestruturar] e a dor", o que pode abrir caminho a um tratamento.