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Silva Carvalho: “Se pus em causa os serviços, foi para defender os colegas que estavam comigo no banco dos réus”

MANUEL DE ALMEIDA/ Lusa

À saída do tribunal, depois de saber que foi condenado a pena suspensa de quatro anos e meio de prisão, o antigo diretor-geral do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa, defendeu a inocência dos condenados e garantiu que “nos próximos anos muitas situações vão provar o contrário daquilo que agora foi provado”

Jorge Silva Carvalho, antigo diretor-geral do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED) foi condenado a pena suspensa de quatro anos e seis meses de prisão, esta sexta-feira. Após ouvir o veredicto do juiz, o superespião considerou que este é um caso novo e para o qual os tribunais não estão preparados.

“Acho que há uma grande impreparação por para este tipo de matérias da parte dos tribunais em geral. Admito que haja aqui uma certa novidade com as matérias que estão a ser tratadas, sobretudo naquela que diz respeito ao segredo de Estado. É natural que as pessoas fiquem surpreendidas com as revelações de alguns factos e imputem isso a uma falta de credibilidade. Também há aqui uma proteção desmesurada do Estado e dos serviços”, referiu Silva Carvalho aos jornalistas.

Silva Carvalho defendeu a inocência dos colegas que se sentaram com ele no banco dos réus e garantiu que “nos próximos anos muitas situações vão provar o contrário daquilo que agora foi provado”.

“Se pus em causa os serviços, não pus para pôr em causa efetivamente os serviços. Pus para defender os meus colegas. Considero-as inocentes daquilo que agora estão a ser condenadas. Se alguma coisa mais eu disse, que possa ser interpretada como nociva para os interesses dos serviços de informações, foi devido à ausência total de proteção por parte dos serviços de informações”, disse o superespião. “Ora, eu tive de dar esse passo em frente para proteger um bocadinho os meus colegas”, acrescentou.

Silva Carvalho disse também que apenas se arrepende de ter envolvido “injustamente algumas pessoas no circo que este julgamento se tornou” e que tem esperança que venham a cair mais acusações. “Entrei neste tribunal e expliquei até à exaustão aquilo que fiz. O resto não assumi, simplesmente porque não o fiz ou porque não concordo com a interpretação”.