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Portugal soma mais de 32 mil infeções por bactérias resistentes

As bactérias estão a tornar-se cada vez mais resistentes aos antibióticos

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Casos foram detetados nos hospitais entre 2012 e 2014 e colocam o país entre os mais atingidos. No Dia Europeu do Antibiótico, o Infarmed dá uma boa notícia: o consumo deste tipo de medicamento continua a diminuir

Os especialistas do Centro Europeu de Prevenção e Controlo de Doenças (ECDC) reafirmam esta sexta-feira que a luta contra as bactérias resistentes a antibióticos está por vencer e que em algumas frentes as baixas são muito grandes. Os dados divulgados por ocasião do Dia Europeu do Antibiótico, hoje assinalado, mostram que Portugal não está bem, mas o prognóstico é positivo.

A informação divulgada pelo ECDC, com base em dados enviados pela Direção-Geral da Saúde, indicam que entre 2012 e 2015 Portugal detetou 32.846 infeções bacterianas resistentes a antibióticos. No total, os casos tiveram origem em quatro bactérias e em apenas duas a evolução foi para melhor. Isto é, com uma redução na percentagem de 'superbactérias' isoladas.

O maior número de infeções com resistências a antibacterianos (15.232) deveu-se à bactéria Escherichia coli - muito frequente e associada à prestação de cuidados saúde - capaz de sobreviver ao tratamento com cefalosporinas de terceira geração, as mais modernas. No ano passado, a percentagem de resistência foi de 16,1%, um pouco menos do que em 2014, com 16,4%.

Seguiram-se os casos provocados pelo Staphylococcus aureus resistente à meticilina (MRSA), outro agente ligado à prestação de cuidados médicos, com 10.746 infeções. Os peritos estão preocupados porque a percentagem de resistência em 2015 foi de 46,8%, praticamente a mesma do que em anos anteriores. Em Espanha, por exemplo, é de 25,3%.

Menos expressivas foram as bactérias Enterococcus faecium resistentes à vacomicina, responsáveis por meningites e infeções ao nível cardíaco, por exemplo. Nos quatro anos analisados, foram somados 1429 casos e a tendência é de diminuição: em 2012 a percentagem de resistência era da 23,3% e no ano passado ficou em 20.3%.

No final da tabela está a Klebsiella pneumoniae resistente aos carbapenemos pelo número de infeções (5439) e pela percentagem de resistências (3,4%). Mas só por isto, porque está no topo do alarme nacional e em todo o mundo pela sua letalidade. Em Portugal, as infeções por Klebsiella pneumoniae, por exemplo no trato respiratório ou no sangue, fazem vítimas todos os anos e a percentagem de resistência, apesar de ser reduzida, está a aumentar (em 2012 era de apenas 0,7%) e muito acima da maioria dos países europeus.

Novo programa europeu

Os especialistas são unânimes em afirmar que o uso incorreto dos antibióticos fez nascer as 'superbactérias' e que a solução passa pela rigorosa utilização destes medicamentos, especialmente dos mais modernos e abrangentes, com indicação para diferentes agentes. Por isso, o comissário europeu com a pasta da Saúde, Vytenis Andriukaitis, anunciou que no próximo ano haverá um novo programa para unir esforços e melhorar os resultados. "Se não atuarmos, podemos voltar ao tempo em que as operações mais simples não eram possíveis e menos ainda o transplante de órgãos, a quimioterapia ou os cuidados intensivos."

Nesta sexta-feira, o Infarmed iniciou uma campanha de sensibilização sobre a toma de antibióticos e revelou dados que indicam que a estratégia nacional está a resultar, sobretudo em ambulatório. Por outras palavras, nos hospitais, onde as infeções são mais comuns e perigosas, ainda é preciso insistir na redução das prescrições.

Consumidos meenos 100 mil caixas de antibióticos

"Entre os primeiros seis meses de 2015 e de 2016, os portugueses consumiram menos 100 mil embalagens de antibióticos, num total de 4,3 milhões de caixas vendidas em farmácia nesse período", refere o "Observador" na edição desta sexta-feira. "A quebra de 3,4% contraria a subida registada nos últimos anos (entre 2014 e 2015 as vendas de embalagens de antibióticos subiram 3,5%, para 8 milhões de embalagens)."