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Um em cada quatro jovens portugueses não sabe definir o que é cancro

BEHROUZ MEHRI/GETTY

Os jovens portugueses não conhecem os rastreios que existem para o cancro, 25% não conseguem definir uma doença oncológica e embora a grande maioria identifique o tabaco como principal fator de risco, poucos associam a patologia à obesidade ou ao sedentarismo

O que é cancro? "É uma má formação genética inata, que pode manifestar-se ainda em criança ou somente na idade adulta" ou "é uma doença infeciosa, provocada por um agente patogénico como vírus, bactérias, fungos ou parasitas, que se 'hospeda' em zonas específicas do nosso corpo" ou "caracteriza-se pela multiplicação rápida de células além dos seus limites habituais e pode afetar qualquer parte do corpo"? Quem escolheu a última definição acertou, mas 21% dos jovens portugueses inquiridos no âmbito de uma pesquisa realizada pela Sociedade Portuguesa de Oncologia (SPO) escolheram as duas primeiras opções. Outros 3% disseram não saber ou nem responderam. Ou seja, 25% dos ouvidos não fazem ideia do que é uma doença oncológica.

O inquérito foi promovido pela sociedade, com o apoio da companhia farmacêutica Janssen. Do total dos 254 ouvidos em entrevistas telefónicas realizadas no início de novembro, 67% tinham entre 21 e 30 anos e os restantes 33% tinham entre 15 e 20 anos de idade, por todo o país, com especial incidência na Grande Lisboa e no norte litoral. Otimistas, 93% dos inquiridos discordam que o cancro seja equivalente a uma "sentença de morte", 81% acreditam que o cancro tem cura e 97% sabem que esta não é uma doença contagiosa, mas metade dos ouvidos ainda acreditam que esta seja uma doença hereditária.

O desconhecimento agrava-se quando o tema é a prevenção. Apesar de 77% dos jovens terem dito conhecer a mamografia como uma forma de fazer rastreio ao cancro da mama, apenas 34% têm a mesma percepção quando em causa está o exame de papanicolau para detectar a presença de cancro do colo do útero ou 32% do toque retal para rastrear o cancro da próstata. E se 80% concordam que o tabaco é o principal factor de risco, somente 57% reconhecem que as queimaduras solares podem causar cancro na pele. também apenas 16% apontam a obesidade como um fator de risco ou 10%associam o sedentarismo a comportamentos perigosos para o desenvolvimento de doenças oncológicas. Mesmo revelando fragilidades na compreensão da doença, 53% dos jovens inquiridos dizem já ter tido contacto com o cancro.

A grande fonte de informação sobre a doença é a Internet (80%), mas 66% dizem já ter recebidos folhetos informativos sobre o assunto. Mas, na opinião dos jovens, a responsabilidade de os informar melhor sobre o cancro é das escolas (72%).

O documento será apresentado amanhã na Figueira da Foz no âmbito do Simpósio Nacional da Sociedade Portuguesa de Oncologia, que deverá reunir kais de 400 especialistas da área do cancro.